quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Conto de Inverno

A VOZ DA EXPERIÊNCIA
KARAOK. Esta foi a solução que o Salvat me ofereceu à hora do almoço.
– É uma boa terapia – disse-me, dando uma dentada na sanduíche. Terapia? Tinha dito terapia? Olhei-o, bebendo o café, o café das dez, que é quase o único que me passa como um vidro aguçado pela garganta desde que a Laura me deixou.
– Tu cantas, meu, cantas e esqueces a desgraça.
Continuei a olhar para ele, continuei a fixar o Salvat. Quem era o Salvat? Quinze anos a trabalhar lado a lado na repartição das finanças da rua Guillén de Castro e na verdade não sabia bem quem era ele. Sabia que tinha mulher e filhos (quantos filhos?) que adorava por demais o futebol e sabia, além disso, que, desde agora, fazia karaok. Porque eu disse que tinha, uma vez que a sua mulher também o deixou, já lá vai para três anos.
– Jorge – continuou – eu sei. Ao princípio é como se te caísse o mundo em cima, não é assim? Tudo se desfaz como se fosse um baralho de cartas.
Não disse nada. Mas vi-o convidando-me com um gesto, subindo e descendo a sobrancelha. Esperava uma resposta.
– Não é assim? – insistiu.
Vi-me obrigado. Disse um sim amortizado pelo último sorvo da chávena, sentindo o café amargo fugindo pela minha língua e entre os dentes.
– É isso, é o mundo que se afunda – deixou a sanduíche no prato –. Sabes o que é que eu fazia aos domingos, os dezasseis primeiros domingos desde aquilo da Berta?
Ele dizia “aquilo da Berta”, não se alargava mais. “Aquilo da Berta” era o indicativo, um pacto com o interlocutor. Um pacto individual porque nem sempre o interlocutor sabia ao que se referia. E dezasseis domingos? Justamente esse número. Nem mais um nem menos um: dezasseis.
– O que é que fazias?
– Não sabes? – disse abrindo os olhos.
De repente senti-me cansado do assunto. O Salvat ali, mordiscando a sanduíche de lulas à romana, rodeado por colegas de outras secções, colegas que pedem cafés e cervejas e limpam a boca gordurenta com guardanapos de papel. E o Salvat a falar-me sobre “aquilo da Berta” e dando-me conselhos sobre a maneira como me havia de comportar e o que fazer, que caminho tomar. Por onde puxar.
– Não, não o sei.
– Chorar. Chorar. Como estás a ouvir, sim, sim; chorar e chorar.
Não disse nada.
– Chorar durante os dezasseis domingos seguidos? – perguntei.
Afirmou.
– Como uma Madalena – sublinhou –. É autêntico.
– E às segundas-feiras? Às segundas-feiras já não choravas ou quê?
– Às segundas-feiras, não.
– Porquê?
– Porque às segundas-feiras tinha o karaok.
Karaok – disse olhando pelo espelho do fundo a alopecia imparável de Alonso, da Intervenção, que almoçava ao nosso lado.
O Salvat limpou algumas migalhas que tinha no peito, levantou a mão e fez um sinal de que queria um café. Fazia sempre isto. O polegar e o indicador em paralelo a três centímetros um do outro.
– O karaok – voltava novamente ao mesmo, fazendo deslizar a sua mão pelo meu ombro– é o novo yoga. No século que está a começar, o karaok é uma nova terapia. Pratico-o quatro vezes por semana.
Mas estaria a falar a sério? Podia fazer aquilo a sério? Como um imbecil, em frente do público, com um microfone, interpretando canções nostálgicas. Canções do passado.
– Tu tens que vir esta noite – disse de repente, estendendo a mão para agarrar na chávena –. Tu tens que vir comigo.
– Não sei.
– Não me digas que não sabes.Vens.
– É que eu não sei – protestei.
– Jorge – enfrentou-me: vi-lhe o nariz largo, de búfalo – lembra-te que eu sei muito bem o que tu sentes. Sei muito bem o sabor que tens quando acordas numa cama vazia, a sensação que tens quando estás no duche e quando tomas o pequeno almoço sozinho.
Abanei a cabeça. Nisso, ele estava certo. Tinha-se esquecido acrescentar que eu também chorava, mas não só aos domingos, mas sim todas as manhãs às sete, quando tocava o despertador, quando acendia a luz e passava a mão pela minha direita à procura do corpo de Laura e encontrava então o vazio do dredão e a sua almofada. Chorava em silêncio quando abri a cortina e ainda era de noite. O duche, o pequeno almoço, a minha chávena no lavatório, um olhar pelo vestíbulo e a um espaço da sala antes de fechar com a pasta na mão. Por que levava a pasta? Não me fazia falta para a agenda, a esferográfica e a calculadora. Ele tinha acertado em relação a esse sabor de tristeza infinita que me vinha do céu da boca até ao estômago como se fosse uma brasa.
– E sei mais ainda – disse, rasgando o pacotinho de açúcar e entornando-o na chávena–. Sei o que se sente quando são as oito e meia da noite e já não sabes para onde ir, o que fazer para preencher o ócio, para evitar ir para casa porque a casa cai-te em cima. Ou não é? Ou não é?
Sorria. O cretino gozava com tudo aquilo.Dava-lhe prazer mostrar que sabia o que eu sabia, saber que me doía no meio da alma meter a chave à porta e dar ao interruptor, acender todos os interruptores da casa, ligar a televisão ainda que não lhe prestasse nenhuma atenção, ouvir vozes ao fundo enquanto descongelava uma posta de pescada e umas ervilhas no microondas. Aguentar até ao máximo, fosse o que fosse, programas de merda, filmes, documentários, debates políticos. Resistir até ao momento mais duro: ir apagando cada uma das luzes e percorrer o corredor até ao quarto. Depois, ainda por cima, há os pesadelos, as lagunas de insónia, a angústia que nascia de tudo isso. Acordar a meio da noite e estender a mão para o vazio.
– Não é assim?
Não respondi.
– Não é verdade?
– É verdade – disse, dando uma olhadela ao relógio da caixa registadora –. Há que regressar ao escritório. Bebeu a última gota do seu café e saímos.
– Esta noite vou buscar-te às nove em ponto – disse-me. E como não respondi, atacou de novo.
– Nove em ponto?
– Está bem – disse.
Fomos ao karaok. Era um café na Avenida de Aragón. Nunca lá tinha estado. A verdade é que nunca tinha estado em nenhum dessa série de cafés que, encadeadas, porta com porta, há na Avenida de Aragón.
– É normal – disse-me o Salvat quando lho disse, enquanto arrumávamos o carro –. São cafés para ex. Aqui somos todos ex.
– Ex? –indaguei, ainda que intuísse ao que se referia.
– Por aqui – apontou com os olhos – andam todos os ex da cidade. Os ex que superaram a sua situação.
Pensei imediatamente em Laura. Horrorizou-me a ideia de me encontrar com ela. Há já dois meses que não a via, desde o nosso último e definitivo encontro no escritório do seu advogado.
Fiquei com uma grande ansiedade só de pensar que podia encontrá-la, enquanto me passavam o microfone para as mãos para que cantasse "El gato que está triste y azul".
– Viste alguma vez a Laura por aqui? – interroguei-o, prendendo-lhe o ombro quando tentava sair do carro.
– A tua ex?
Como é que ele me estava a perguntar isso? Quem é que poderia ser a Laura senão ela?
– Claro.
– Não.
Mantive-o agarrado.Voltou a sentar-se.
– Ouve – disse-me – eu sei o que tu sentes.
Outra vez não, por favor. Que não me viesse com aquele que já ia um passo à minha frente.
– Ou seja –começou por dizer– é como se fosses alcoólico e fosses a uma sessão com ex alcoólicos. Nunca viste isso em filmes? A primeira coisa que deves reconhecer é que a Laura não voltará – olhou-me nos olhos, olhou-me e percebi que pintava o cabelo, que usava Grecian 2000 ou algo do género –. Nunca. Laura não voltará. Nunca.
Fiquei com essas quatro palavras. O resto, já que ele continuava a falar, não importava. A única coisa que me chegava eram as palavras Laura, não, voltará e nunca. Como é que era possível que nunca tivesse pensado nisso? Por que é que eu sempre tinha pensado até esse preciso lapso de tempo em que o Salvat mo tinha dito ali, dentro do seu Volkswagen Golf, cinzento, os dois sentados, nesse lapso de tempo preciso em que chuviscava e o vidro do carro se enchia de gotas, por que é que eu sempre tinha pensado que um dia, numa tarde ou a uma qualquer hora imprevista tocaria a campainha de casa, abriria a porta e ali estaria a laura, provavelmente com o cabelo molhado, porque também chovia e se me lançaria ao pescoço e aos lábios como se a nossa separação tivesse sido uma patética alucinação?
– Entendes, Jorge? Entendes?
– Sim – disse sem saber a que respondia.
– Então, vamos a isto –disse-me saindo do carro.
Ao entrar, Salvat começou a cumprimentar pessoas. Conhecia toda a gente. Íamos andando para uma mesa e ele cumprimentava aqui e ali. À quinta apresentação, disse-lhe que não era necessário que me fosse apresentando a toda a gente.
Finalmente, chegámos e sentámo-nos sozinhos. O ambiente estava carregado de fumo. Tínhamo-nos sentado na única mesa livre. Seríamos umas cinquenta ou sessenta pessoas.
– O que é que tomas? – perguntou-me, tirando o seu telemóvel e desligando-o.
Aproximava-se de nós um empregado de mesa. Ouvia-se música, mas não estava ninguém a cantar. Na diagonal reparei num écran iluminado.
– Um café.
– Um café? – gozou –. Olha, Jorge...
– O mesmo que tu – interrompi-o.
– Assim está melhor – dirigiu-se ao empregado de mesa: – duas cubas libres de rum com um pouco de genebra. Mas que seja Larios. Depois puxou por um maço de cigarros. Alguém lhe gritou à sua esquerda.
– Desculpa – disse-me, levantando-se e indo ao encontro de uma mulher loira.
Entretive-me a olhar. Ex, pensei. A verdade é que tinha pinta disso. Vestia de uma maneira demasiado jovem para os anos que aparentava. De trinta a cinquenta e quatro, de certeza. O meu aspecto começava a moldar-se ao meu estado actual de ex? Se alguém me olhasse de frente, talvez estivesse a pensar no mesmo que eu pensava dela? Ex. Um ex mais na lista, no grupo daqueles ex que ali havia. As pessoas falavam em voz alta, fumavam e riam-se. Eu tinha vontade de me ir embora. Salvat regressou.
– Desculpa. Não a conheces?
Olhei por detrás dele. Falava com outro ex.
– Não. Deveria conhecê-la?
– É a Alvarez, da Repartição Pública.
Olhei de novo.
– Aquela? Aquela é a Maria Alvarez?
Disse que sim.
– Mas não era morena? – disse.
– Agora é ex.
– E?
– Bolas, é outra vida – aproximou-se, vinha sermão –.Tens que te mexer. Se não, sabes o que é que te vai acontecer?
Não respondi.
– Vais enrugar-te como uma passa e em dois meses estás num farrapo. Exactamente assim. Nestas coisas há que ser realista com o doente – i nclinou-se para a frente: tu estás doente, rapaz.
– Eu?
– De melancolia.
O empregado de mesa trouxe-nos as bebidas. Ia para pagar, mas o Salvat não no permitiu.
– Esta rodada é minha –disse-me, puxando por uma nota.
As luzes flutuaram. As pessoas gritaram. Era o sinal. O sinal. Em algumas mesas levantavam as mãos.Vi que outro empregado tomava nota, Salvat levantou a sua.
– O que é que se passa? – disse.
– É a série para cantar.
Tentei baixar-lhe o braço.
– Eu não canto – disse-lhe muito sério.
Riu-se.
– Salvat, olha que eu não canto, é o que te estou a dizer.
O empregado fez-lhe um sinal, indicou-lhe o número três com os dedos. Contava connosco.
– Temos o três.
– Eu não canto.
– Lembra-te que isto é terapia – disse, sorvendo do seu copo alongado.
Houve outra mudança de luzes e fez-se silêncio. No écran apareceu o nome de Juan Manuel Serrat e o título "Mediterráneo". De uma das mesas saiu uma voz de homem. Procurei com o olhar. Alguém seguia a letra da canção de Serrat, modulando-a, enganando-se por vezes. Imitando-a. Até que chegou ao fim e as pessoas aplaudiram. As pessoas aplaudiam e o tipo levantava-se e agachava-se, agradecia, juntava as mãos sobre o peito. Actuava. Via-se, sem dúvida, num palco. Não era só isso, pensava mesmo que era o próprio Serrat.
– Aquele tipo – disse-me o Salvat, lançando o fumo como se assobiasse– é hoje um bom bocado mais feliz que ontem. Isto do karaok é uma grande terapia, Jorge.
Disse que sim e bebi do meu copo. Voltei a olhar para o sucedâneo de Serrat. Estava acompanhado por outro que lhe dava palmadinhas nas costas. Também olhei para o corredor. A coisa tinha acabado de começar, mas eu não pensava ir fazer figura ridícula. Se fosse necessário simularia, inclusive, um desmaio, mas eu não iria cantar perante aquela concentração de ex.
O seguinte foi uma mulher, já entrada nos anos, a menos de cinco metros de nós. Para mim, em vez de ser uma ex, era simplesmente uma viúva. Ou uma viúva ex, mas dava a impressão que estava muito à vontade. Interpretou uma canção de Mecano. Meu Deus, que patético. Chamava-me a atenção como o Salvat permanecia muito atento. Como estava calado e respeitador enquanto a mulher fazia entoar a sua voz e de dez em dez ou de doze em doze segundos limpava a comissura dos lábios com um lenço cor de rosa. Quando faltava pouco para acabar, Salvat disse-me que me preparasse, que nós éramos os que estávamos a seguir.
– Eu não.
– Estou a tratar da tua vida – sussurrou-me –. E de borla.
– Salvat, eu não canto – disse elevando um pouco a voz.
Voltaram-se de algumas mesas. Alguém nos pediu silêncio. Salvat desculpou-se com uma careta e piscou-me o olho. Sem pensar duas vezes e antes que a mulher acabasse, levantei-me com o casaco na mão, voltei-me para o Salvat, sem dar-lhe tempo para reagir e disse-lhe que ia à casa de banho e que voltava logo a seguir. Percorri o corredor por entre as mesas, passando pelo fumo de dezenas de cigarros e pelo fundo monótono da canção.
– A casa de banho, por favor? – perguntei ao empregado de mesa.
– Sempre em frente à direita. Mas seja rápido que você está a seguir.
Percebi que era ele que levava a conta. Seria capaz de dizer ao microfone que era preciso esperar porque o cantor seguinte estava na casa de banho? Sorri-lhe com um tique e dirigi-me para o sítio que me tinha indicado. Entrei e fechei-me. Olhei-me ao espelho. O que é que estava a fazer? O que é que estava a fazer naquele karaok e o que é que fazia metido naquela casa de banho? Trinta e dois anos, cinco de casado e seis meses de divorciado. Porquê fugir e fugir de quê? Tinha que me ir embora, sem mais, sem me importar se aborrecia o Salvat, mas fugir não. Agradecia-lhe o seu interesse, a sua dedicação, a sua tentativa para me tirar de casa e tudo isso, mas nada mais. Colei a orelha à porta e deixei de respirar, queria ouvir o que se passava lá fora, no palco. Não percebia nada. Não ouvia nada. Estariam à minha espera? O empregado de mesa teria dito certamente que dentro de pouco tempo eu estaria ali? Abri uma nesga da porta e observei. O corredor continuava escuro, não se via nenhum movimento. Espreitei. O empregado de mesa, de braços cruzados, olhava para as mesas. Não se ouvia música. Estavam à minha espera. Não tive qualquer dúvida. Estavam à minha espera. Imaginei o Salvat a aguentar o microfone, dizendo algumas palavras, apresentando a minha imediata actuação. Talvez contando algumas graças de divórcios, de adultérios, anedotas de ex. Decidi-me a sair para o corredor. Fui nas pontas dos pés e em vez de virar para o interior (de facto, Salvat falava, não soube o que dizia, mas falava ao microfone perante o silêncio expectante das pessoas, dir-lhes-ia que tivessem paciência comigo, que era um ex recente, ainda afectado?), dirigi-me para a porta e encontrei-me na rua. Tinha deixado de chover. Surpreendentemente o céu tinha-se enchido de estrelas. Era Lua nova. Uma imensa Lua nova. Ainda caíam gotas das árvores. Respirei fundo e soube-me bem. Caminhei lentamente em direcção a minha casa, sem me cruzar com ninguém, recriando-me no que ia encontrando, nas luzes das janelas dos prédios, na vida que haveria ali dentro. Um ou outro táxi, um ou outro carro, um autocarro que se dirigia para o seu retiro. Os cafés por onde passava viam-se replectos de gente através dos vidros embaciados. A minha casa não era longe dali. Em quinze minutos já estaria nela, à porta, no elevador, no patamar, metendo a chave, entrando sem pensar nisso, descalçando-me, sentindo o frio do mármore na planta dos pés, sem sentir o peso de Laura, da sua ausência. Sem me questionar, como o tinha feito nos últimos seis meses, o que estaria a Laura fazer naquele mesmo instante.

Miguel Herráez, ELS PLECS DEL MAGNÀNIM, Valencia, 2004

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Presépio de lata

Presépio de lata - Rui Veloso



Três estrelas de alumínio
A luzir num céu de querosene
Um bêbado julgando-se césar
Faz um discurso solene

Sombras chinesas nas ruas
Esmeram-se aranhas nas teias
Impacientam-se as gazuas
Corre o cavalo nas veias

Há uma luz na barraca
Lá dentro uma sagrada família
À porta um velho pneu com terra
Onde cresce uma buganvília

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Oiçam um choro de criança
Será branca negra ou mulata
Toquem as trompas da esperança
E assentem bem qual a data

A lua leva a boa nova
Aos arrabaldes mais distantes
Avisa os pastores sem tecto
Tristes reis magos errantes

E vem um sol de chapa fina
Subindo a anunciar o dia
Dois anjinhos de cartolina
Vão cantando aleluia
É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Nasceu enfim o menino
Foi posto aqui à falsa fé
A mãe deixou-o sozinho
E o pai não se sabe quem é

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells

Um conto de Natal

Um Conto de Natal - Miguel Torga
De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis para se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam... Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas acções são que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim... Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.
E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse de outra maneira. Muito embora trouxesse dez reis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe na cabeça consoar à manjedoira nativa... E a verdade é que nem casa nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza.
Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra de um borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura... Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-lhes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário colectivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta passava das quatro. E, como anoitecia cedo não havia outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade, com o coração a refilar. Aflito, batia-lhe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não lucrava nada! Chamavam-lhe filósofo... Areias, queriam dizer. Importava-se lá.
E caía, o algodão em rama! Caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa...
Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadiga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Rico panorama!
Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Caiados, os penedos lembravam penitentes.
Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento, ou alguma alma pecadora forçara a fechadura.
Vá lá! Do mal, o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida... Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha.
Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou, e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois de um clarão animador, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes o mesmo insucesso. Mau! Gastar os fósforos todos é que não.
Num começo de angústia, porque o ar da montanha tolhia e começava a escurecer, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava um bocado de papel.
Descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao céu por aquela ajuda, olhou o altar.
Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe. Boas festas! — desejou-lhe então, a sorrir também. Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o arcanho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo.
Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite, o coberto, não desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava?
Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda. É servida?
A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.
E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.
— Consoamos aqui os três — disse, com a pureza e a ironia de um patriarca. — A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CHICOLOMUENHO

“CHICOLOMUENHO”
Esta foi a palavra que me habituei a ouvir durante toda a minha vida, entre os meus avós, pais e tios, utilizada como cumprimento e saudação. Vem do dialecto dos Mucancalas, tribo do sul de Angola.
Sempre pensei que queria dizer “Olá como estás”, faz pouco tempo perguntei à minha mãe o que queria dizer e fiquei a saber que quer dizer “O que Vale é a Vida”.
Entendi então que quando queremos muito alguém, quando estamos bem connosco e com os outros o que “Vale é a Vida”.
Nesta altura do ano em que reflectimos e queremos estar com quem mais gostamos, fica o desejo de Feliz Natal, mas acima de tudo...
Chicolomuenho!!!

Impostos

E a história repete-se...
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:
Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...
Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: Criam-se outros.
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: Sim, é impossível.
Colbert: E então os ricos?
Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: Então como havemos de fazer?
Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Costumes natalícios

Costumes festivos do Natal português
No princípio, eram as festas do solstício de inverno. A vitória da luz sobre a mais longa noite do ano. As trevas dominavam tudo, estava-se a séculos da descoberta da electricidade, só a lua era agente de claridade nas noites escuras e sem nuvens. Reminiscência desses tempos é, sobretudo nas terras do interior português, a queima dos cepos de árvores adultas que os jovens vão buscar aos campos, em acções que conservam o carácter de rituais de iniciação. Nas regiões de Trás-os-Montes, da Beira interior e no Alentejo é onde as fogueiras, acesas nos largos principais na noite de 24 de Dezembro, perto das igrejas onde estão armados os presépios, durante mais tempo se mantêm acesas. A reunião das famílias à volta da lareira sai para a rua e alarga-se a toda a comunidade.
O Alentejo, por razões históricas, a mais descristianizada das regiões portuguesas é, no entanto, aquela em que as expressões de religiosidade popular alcançavam mais alta expressão. O madeiro do Natal é aceso nas lareiras dos montes e, em muitas terras, esta manifestação transfere-se para os largos. É o caso de Barrancos, a vila de fronteira cujos habitantes têm um linguajar próprio -o barranquenho- e tradições únicas.
Nos dias que antecedem as festas, os rapazes vão ao campo arranjar lenha para fazer o fogo no largo da vila. Amontoam-se toneladas de raízes e de troncos de árvores e, na noite da Consoada, acende-se "o lume", ritmado pelo som cavo da "zambomba" (uma caixa, um cântaro com a boca tapada com a pele seca de coelho, de borrego ou a bexiga de porco, atravessada por uma cana), canta-se ao Menino, nas "palhas deitado", conversa-se, petisca-se e bebe-se vinho. A porta da igreja fica aberta, para que "o lume" aqueça os pézinhos do Menino-Deus dos católicos.[...]
"Zambombita, zambombita
yo te tengo que romper,
a la puerta de mi novia
no quiciste tocar bien..."
David Lopes Ramos, Boavida / À Mesa, in TEMPO LIVRE, nº 221, Dezembro de 2010, Fundação Inatel (adaptado)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Árvore de Natal

Paz
União
Alegria
Esperança
Amor Sucesso
Realização    Luz
Respeito  Harmonia
Saúde  Solidariedade
Felicidade   Humildade
Confraternização   Pureza
Amizade  Sabedoria Perdão
Igualdade Liberdade Boa Sorte
Sinceridade  Estima  Fraternidade
Equilíbrio Dignidade Benevolência
Fé     Bondade   Paciência   Gratidão

Força

Tenacidade Prosperidade Reconhecimento

Wham!!!


Last christmas

Last Christmas, I gave you my heart
But the very next day, You gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special

Last Christmas, I gave you my heart
But the very next day, You gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special

Once bitten and twice shy
I keep my distance but you still catch my eye
Tell me baby do you recognise me?
Well it's been a year, it doesn't surprise me

(Happy Christmas!) I wrapped it up and sent it
With a note saying "I Love You" I meant it
Now I know what a fool I've been
But if you kissed me now I know you'd fool me again

Chorus
(Oooh. Oooh Baby)

A crowded room, friends with tired eyes
I'm hiding from you and your soul of ice
My God I thought you were someone to rely on
Me? I guess I was a shoulder to cry on
A face on a lover with a fire in his heart
A man undercover but you tore me apart
Oooh Oooh
Now I've found a real love you'll never fool me again

Chorus

A face on a lover with a fire in his heart
(Gave you my heart)
A man undercover but you tore me apart
Next year
I'll give it to someone, I'll give it to someone special
special
someone
someone
I'll give it to someone, I'll give it to someone special
who'll give me something in return
I'll give it to someone
hold my heart and watch it burn
I'll give it to someone, I'll give it to someone special
I've got you here to stay
I can love you for a day
I thought you were someone special
gave you my heart
I'll give it to someone, I'll give it to someone
last christmas I gave you my heart
you gave it away
I'll give it to someone, I'll give it to someone
MERRY CHRISTMAS!!!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Turismo rural

Que bom que é o turismo rural!!!...
Trata-se de um desporto nacional que antes se chamava "ir à terra". A diferença é que se fores à tua terra, vais de borla, e se fizeres turismo rural vais a uma terra que não é a tua e pagas uma pipa de massa. Para fazer turismo rural não serve qualquer terra. Tem de ser uma terra "com encanto". E o que é uma terra "com encanto"? Obviamente, é uma terra que está num guia de terras "com encanto".
Está-se mesmo a ver. A estas terras chega-se normalmente por uma estrada municipal "com encanto", que é uma estrada com tantos buracos e tantas curvas que quando chegas à terra estás mortinho para sair do carro. E quando entras no café tentas integrar-te com os vizinhos.
- Bom dia, compadres! O que é que é típico daqui?
E o gajo do café pensa: "Aqui o típico é que venham os artolas da cidade ao fim-de-semana gastar duzentos contos".
A seguir, ficas instalado numa casa rural ou "casa com encanto", que é uma casa decorada com muitos vasinhos e réstias de alhos penduradas do tecto, que não tem televisão, nem rádio, nem microondas. Em contrapartida, tem uns estúpidos de uns mosquitos que à noite fazem mais barulho que uma Famel Zundapp.
Depois apercebes-te que os da terra vivem numas casas que não têm encanto nenhum, mas têm jacuzzi, parabólica, internet e video-porteiro. A tua casa não tem video-porteiro, mas tem uma chave que pesa meio quilo.
Outra vantagem de fazer turismo rural é que podes escolher entre uma casa vazia ou ir viver com os donos da casa. Fantástico!!! Vais de férias e, além da tua, ainda tens de aguentar uma família postiça. Que à noite queres ver o filme, eles os documentários e tu perguntas-te:
"Quem é que manda mais? Eu, que paguei 600 euros ou este senhor que vive aqui?" Ganha ele, que tem um cacete. Ainda por cima, dizem-te que tens "a possibilidade de te integrares nos trabalhos do campo". O que quer dizer que te acordam às cinco da manhã para ordenhar uma vaca. Não te lixa? É como ires à bomba da gasolina e teres de pôr tu a gasolina, ou como ires ao McDonalds e teres de arrumar o tabuleiro. Ou seja, o normal.
Então, levantas-te às cinco para ordenhar as vacas. E digo eu: porque raio é que é preciso ordenhar as vacas tão cedo? O leite está lá! Não se podem ordenhar depois do pequeno-almoço? Eu acho que isto é só para chatear, porque a vaca deve ficar muito contente por a acordarem às cinco da manhã para um estranho lhe vir mexer nas mamas. A vaca olha para ti como se dissesse: "Ouve lá, pá! Se queres leite vai ao frigorífico e abre um pacote!"
É que é mesmo só para chatear!!!
Mas o "encanto" definitivo são "as actividades ao ar livre". Como quando te põem a fazer caminhada, que é aquilo a que normalmente se chama andar, e consiste, exactamente, em por um pé à frente do outro até não poderes mais, enquanto os da terra vão num jipe com ar condicionado. Mas tu, feliz da vida, vais pelo campo atordoado, tornas-te bucólico e tudo te parece impressionante. Vês uma vaca e dizes: "Ummmmm, que cheirinho a campo". A campo não, a bosta!!! Mas, isso sim, é a bosta "com encanto". E tudo, seja o que for, te sabe maravilhosamente: na mesa pespegam-te dois ovos estrelados com chouriço e tu na cidade não comes estes ovos, nem estes chouriços. E perguntas ao empregado:
- Este chouriço é da matança?
- Quase, porque o gajo do camião da Izidoro ia morrendo ali na curva.
De repente, ouves umas badaladas e dizes:
- Ah! Que paz! Não há nada como o som de um sino!...
E o gajo do café diz-te:
- É gravado. Não vê o altifalante no campanário?
Nesse momento, perguntas-te se os ruídos das galinhas e dos grilos não estarão num CD: "RuralMix2009", "Os 101 Maiores Êxitos Campestres". A única coisa de que tens a certeza é que os danados dos mosquitos são verdadeiros. Pareces um Ferrero Rocher com varicela!!!
Eu acho que, de segunda a sexta, as pessoas destas terras vivem como toda a gente, mas ao fim-de-semana espalham pela estrada uns tipos mascarados de pastores e quando vêem que se aproxima um carro, avisam os da terra pelo telemóvel: "Hey, vêm aí os do turismo rural!" e mudam o cartaz de "Videoclube" pelo de "Tasca", soltam uns cães pelas ruas e sentam à entrada na terra dois avôzinhos a fazer sapatos, que depois tu compras e saem-te mais caros que uns Nike.
Enfim, acho que uma montagem tão grande como esta não pode ser obra de pessoas isoladas. Tenho a certeza de estão implicadas as autoridades. Imagino o Presidente da Câmara:
- "Queridos conterrâneos: este Verão, para aumentar o turismo, vamos importar mais mosquitos do Amazonas, que no ano passado tiveram imenso êxito. E quero ver toda a gente com boina, nada de bonés de pala da Marlboro. E façam o favor de pintar o espaço entre as sobrancelhas, que assim não parecem da província! E as avós: nada de topless na ribeira, que espantam os mosquitos! E só mais uma coisa: este ano não é preciso ninguém fazer de maluquinho da terra, que com os que vêm de fora já chega!

E esta, hein!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Alentejanices..."

**Presente de Natal Alentejano**
- Estouuuu... é da GNR?
- É sim, em que posso ajudá-lo?
- Queria fazer quexa do mê vizinho Maneli. Ele esconde droga dentro dos troncos da madeira para a larera.
- Tomámos nota. Muito obrigado por nos ter avisado.
No dia seguinte os guardas da GNR estavam em casa do Manel. Procuraram o sítio onde ele guardava a lenha, e usando machados abriram ao meio todos os toros que lá havia, mas não encontraram droga nenhuma. Praguejaram e foram-se embora.
Logo de seguida toca o telefone em casa do Manel.
- Oh Maneli, já aí foram os tipos da GNR?
- Já.
- E racharam-te a lenha toda?
- Sim.
- Então feliz natal, amigo! Esse foi o mê presente deste ano!

P.S.: E depois ainda dizem que os alentejanos são atrasados!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Pai Natal


O lendário distribuidor de prendas do Natal, o homem gorducho e bonacheirão de farta barba branca trajado de um fato vermelho com orlas brancas, e conduzindo pelo espaço um trenó puxado por oito renas carregado de brinquedos, não é outro se não o Pai Natal  também chamado St. Nicholas, St. Nick ou Santa Claus). E assim reza a história: visita todas as casas na noite de Natal descendo pela chaminé para deixar presentes na árvore de natal, nas peúgas ou nos sapatos de todas as crianças bem comportadas. Embora esta imagem que nos é familiar do Pai Natal tenha sido introduzida nos Estados Unidos a partir da Holanda no século XVII, e em Inglaterra a partir da Alemanha no século XIX, as suas raízes remontam aos antigos costumes europeus e influenciaram as celebrações do Natal no mundo inteiro.
St. Nicholas foi um bispo da Ásia Menor do século IV referenciado quanto às lendas de Natal por salvar marinheiros das tempestades, defender crianças e oferecer generosas prendas aos mais pobres. Embora muitas das “histórias” de Nicholas sejam de autenticidade duvidosa (como entregar um saco de ouro deixando-o cair pela chaminé) o que é certo é que a lenda correu a Europa dando-lhe um papel de tradicional “dador“ de prendas.
O dia de St. Nicholas, em que se recebiam as prendas, era originalmente celebrado a 6 de Dezembro mas, depois da Reforma, os protestantes germânicos deram especial ênfase ao Christkindl (Menino Jesus) como sendo o “dador de prendas” no dia da Sua própria festa a 25 de Dezembro. Quando a tradição de Nicholas prevaleceu ficou colada ao próprio Natal. (Em 1969, uma vez que a vida do Santo estava escassamente documentada, o Papa Paulo VI ordenou que a festa de St. Nicholas fosse retirada do calendário oficial Católico Romano.)
Outros “dadores de prendas” de Natal no espaço Europeu como o Père Nöel em França, Julenisse na Escandinávia, Father Christmas em Inglaterra e o nosso Pai Natal estão tenuamente relacionados com St. Nicholas.
Todos os anos na época do Natal em muitos lugares do mundo, anúncios, cartões de boas festas, decorações sazonais e a presença de pessoas vestidas de Pai Natal documentam a lenda moderna de Santa Claus (Pai Natal). Crianças de todo o mundo escrevem cartas ao Pai Natal e na noite de Natal, algumas, deixam-lhe comida e bebida para uma rápida merenda aquando da sua passagem.
Apesar do prazer nostálgico com que muitos adultos vêem o acreditar das crianças no Pai Natal, a ideia do santo “dador de prendas” tem actualmente alguns detractores. A maioria das pessoas vê o Pai Natal como uma maneira meramente disfarçada do espirito de dar, e aceita a inevitável descoberta das crianças sobre o misticismo do Pai Natal como um ritual de passagem para o mundo adulto. Outros argumentam que a história do Pai Natal colide com o verdadeiro significado do Natal promovendo meramente a ganância e o “comercialismo”. Para reconciliar a história do Pai Natal com o significado religioso do Natal, alguns Cristãos recordam-nos que as caracteristicas modernas derivam de lendas de um antigo santo cuja vida foi um símbolo de amor, carinho e generosidade.
Independentemente da opinião que se tenha, o importante é que haja um FELIZ NATAL!!!...

Conto de Natal

Era Inverno, a aldeia estava coberta de neve. Em quase todas as casas havia uma lareira acesa. A maioria das pessoas que vivia na aldeia era pobre e as crianças não tinham brinquedos, nem jogos para brincar.
Um homem, já de alguma idade, de barbas brancas e barrigudo, que andava a passear pela aldeia, viu as crianças tristes e descontentes por não terem brinquedos para brincar. Ao chegar à sua humilde casa, disse para a sua mulher:
- Sabes, tenho pena das crianças da nossa aldeia!
- Porquê? – perguntou a sua mulher.
- Porque não têm os brinquedos que gostavam de ter para brincar, nem jogos para jogar.
- Temos de fazer alguma coisa! – exclamou a mulher.
- Tens razão! – disse o marido.
O casal pensou, pensou, mas nenhum dos dois chegou a qualquer conclusão. Porém, na manhã seguinte, o marido disse:
- Tenho uma ideia!
- Que ideia é essa, homem?!? – perguntou a esposa, admirada.
- Vou fazer brinquedos para meninos e meninas.
- É uma óptima ideia!
O homem foi buscar madeira, barro, plástico e outras coisas que tinha lá por casa e deitou mãos à obra. Com a ajuda da mulher, o trabalho avançava rapidamente e lá iam fazendo brinquedos e jogos simples. Foi nessa altura que a mulher teve outra ideia:
- Eu acho que podias ir vestido com alguma fantasia!
- Tens razão, já tenho uma na minha cabeça.
- Ai sim, qual?
- Vou vestido de vermelho, e como estamos no Natal, podia ir de Pai… de Pai …Natal!!! – exclamou com orgulho!.
- É uma óptima sugestão.
- É isso que eu vou fazer! Na noite de Natal levo um saco enorme e, pelas chaminés, deito os brinquedos.
- És maravilhoso, estou orgulhosa de ti, meu marido!
E assim foi o combinado.
Mas... na noite de Natal, algo aconteceu!!! Seis veados estavam à porta da humilde casa do casal e, então o senhor teve outra ideia.
- Com um trenó velho, feito de madeira, eu posso prender os veados nele e eles podem transportar-me pelas ruas da aldeia.
- Só tu tens ideias maravilhosas! – exclamou a mulher.
O casal fez o que o homem tinha dito e ficou tudo uma maravilha.
Nessa noite de Natal, o senhor de idade um pouco pançudo e de barbas brancas, foi um óptimo Pai Natal.
No dia seguinte, dia de Natal, todas as crianças estavam muito contentes com os seus maravilhosos brinquedos e jogos.
O casal estava feliz, passeando pela aldeia, olhando para as crianças alegres e contentes, e a mulher disse:
- És fantástico marido, tens de fazer isto noutros natais.
- Ah! Ah!! Ah!!!
Aluna do Ensino Recorrente (adaptado)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

António Gedeão

PEDRA FILOSOFAL

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante.
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In, Movimento Perpétuo



O poema "Pedra filosofal" musicado e cantado por Manuel Freire foi apresentado, pela primeira vez, no programa ZIP-ZIP, de 1969 na RTP e cujos autores foram Raúl Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz.

Flor de Lis



Lisboa tropical

E assim vem o anoitecer,
Devagar sem ninguém ver,
Imagino o que serei,
Vejo o rio adormecer,
Ouço o eco dos sorrisos,
Pelos cafés entardecidos,
No reflexo ao contrário
Da cidade em aquário…
É nesta paisagem calma
Como o fundo da tua alma
Que sinto o mundo acontecer
Já não quero nem saber
Se sonho uma tarde igual
Nesta Lisboa tropical…

Vou contando uma lenda,
A cada luz que se acenda
De fantasmas e ruelas,
De valsas e caravelas,
Nunca paro a caminhada
Pelas janelas ilustradas,
Não volto a esperar por ti,
Cidade eterna, e eu aqui
E a certeza que tudo é certo,
Porque a vida é tão perto,
Sinto o mundo acontecer
Já não quero nem saber
Se sonho uma tarde igual
Nesta Lisboa tropical

Sara Tavares



Nova Feira da Ladra

É na Feira da Ladra que eu relembro
uma toalha velha, toda em linho,
que já serviu uma noite de Dezembro,
e agora cheira a Setembro,
como o Outono sabe a vinho.
Não valem muito mais que dois pintores
os quadros das paisagens
que eu já sei,
mas valem, pelos frutos, pelas flores
que em São Vicente das Dores,
fora de mim, eu pintei.

O que é que eu vou roubar à Feira?
Um beijo de mulher trigueira.
Aqui um coração, ali uma gravura.
É a Feira da Ladra ternura.
O que é que eu vou trazer da Feira?
Um corpo de mulher braseira.
Aqui está um lençol, bordado como dantes.
Esta Feira da Ladra é dos amantes.

E na Feira da Ladra nos vingamos
dum pouco desse tempo que morreu.
Em cada botão velho que compramos
há sempre uma corja de amos
que em Abril, Abril venceu.
Agora não compramos velharias,
todo passado é lastro do futuro.
Nascemos para o sol todos os dias,
na nossa Feira da Ladra
já não há ladrões no escuro.

O que é que eu vou roubar à Feira?
Um beijo de mulher trigueira.
Aqui um coração, ali uma gravura.
É a Feira da Ladra ternura.
O que é que eu vou trazer da Feira?
Um corpo de mulher braseira.
Aqui está um lençol, bordado como dantes.
Eis a Feira da Ladra dos amantes.

Música de Frederico de Brito e letra de Ary dos Santos

sábado, 4 de dezembro de 2010

A ÁRVORE DE NATAL

A árvore de Natal é uma das mais populares tradições associadas à celebração do Natal. É normalmente uma árvore conífera de folhas perenes, ou uma árvore artificial. É costume enfeitá-la com bolas coloridas e outros adornos natalícios.
História
Civilizações antigas que habitaram os continentes europeu e asiático no terceiro milénio antes de Cristo já consideravam as árvores como um símbolo divino. Eles prestavam-lhes culto e realizavam festivais em seu favor. Essas crenças ligavam as árvores a entidades imaginárias, mitológicas. A sua projecção vertical desde as raízes fincadas no solo, marcava a simbólica aliança entre o céu e a mãe terra.
Entre os egípcios, o cedro se associava a Osíris. Os gregos ligavam o loureiro a Apolo, o abeto a Átis, a azinheira a Zeus. Os germânicos colocavam presente para as crianças sob o carvalho sagrado de Odin.
Nas vésperas do solistício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros, que levavam para os seus lares e enfeitavam-nos de forma muito semelhante ao que se faz nas actuais árvores de Natal. Essa tradição passou aos povos Germânicos.
No início do século XVIII, o monge beneditino São Bonifácio tentou acabar com essa crença pagã que havia na Turíngia, para onde fora como missionário. Com um machado cortou um pinheiro sagrado que os locais adoravam no alto de um monte. Como teve insucesso na erradicação da crença, decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e as suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. Nascia aí a Árvore de Natal.
Há outras versões, porém, a moderna árvore de natal teria realmente surgido na Alemanha entre os século XVI e XVIII. Não se sabe exactamente em que cidade. Durante o século XIX a práctica foi levada para outros países europeus e para os Estados Unidos. Apenas no século XX essa tradição chegou à América Latina.
Actualmente essa tradição é comum a católicos, protestantes e ortodoxos. Algumas famílias judias da América do Norte adoptaram o arbusto do Chanucá (festa judaica comemorada próxima ao natal), numa espécie de sincretismo com a árvore de natal cristã.
Acessórios
Pisca-pisca - é um acessório resumido num fio com diversas lâmpadas que é utilizado para a decoração de casas e árvores de Natal representando as estrelas.
Bolas de Natal - são esferas decoradas e coloridas que são usadas nas árvores de Natal simbolizando os bons frutos.
Pai Natal - são mini bonecos usados nas árvores de Natal representando a bondade.
Ponteira - podem ser estrelas ou objectos em forma circular que ficam no ponto mais alto da árvore representando a estrela principal.
in, Wikipédia (adaptado)

O PRESÉPIO

O presépio é uma referência cristã que remete para o nascimento de Jesus na gruta de Belém, na companhia de José e Maria. Conta a Bíblia que, depois de muito tempo à procura de um lugar para albergar o casal, que se encontrava em viagem por motivo de recenseamento de toda a Galileia, José e Maria tiveram que pernoitar numa gruta ou cabana nas imediações de Belém. De acordo com a mesma fonte, Jesus nasceu numa manjedoura destinada a animais (no presépio, uma vaca e um burro) e foi reconhecido, no momento do nascimento, por pastores da região, avisados por um anjo, e, dias mais tarde, por magos (ou reis) vindos do oriente, guiados por uma estrela, que teriam oferecido ouro, incenso e mirra ao recém-nascido.
Segundo a história, estes acontecimentos ocorreram no tempo do rei Herodes, que teria mandado matar todas as crianças por medo de perder o seu trono para o futuro rei dos judeus.
Um costume de Natal
Tornou-se costume em várias culturas montar um presépio quando é chegada a época de Natal. Variam em tamanho, alguns em miniatura, outros em tamanho real. O primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223. Nesse ano, em vez de festejar a noite de Natal na Igreja, como era seu hábito, o Santo fê-lo na floresta de Greccio, para onde mandou transportar uma manjedoura, um boi e um burro, para melhor explicar o Natal às pessoas comuns, camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus. O costume espalhou-se por entre as principais Catedrais, Igrejas e Mosteiros da Europa durante a Idade Média, começando a ser montado também nas casas de Reis e Nobres já durante o Renascimento. Em 1567, a Duquesa de Amalfi mandou montar um presépio que tinha 116 figuras para representar o nascimento de Jesus, a adoração dos Reis Magos e dos pastores e o cantar dos anjos. Foi já no Século XVIII que o costume de montar o presépio nas casas comuns se disseminou pela Europa e depois pelo mundo.
O presépio em Portugal
Presépio tradicional português: com musgo, vegetação e peças de cerâmica avulsas
Em Portugal, o presépio tem tradições muito antigas e enraizadas nos costumes populares. Este é montado no início do Advento sem a figura do Menino Jesus que só é colocada na noite de Natal, depois da Missa do Galo. Tradicionalmente, é perto do presépio que são colocados os presentes que são distribuídos depois de se colocar a imagem do Menino Jesus. O presépio é desmontado a seguir ao Dia de Reis. Na maioria das cidades o presépio é montado pelas autarquias e em algumas tenta-se ter o maior presépio, como é o caso de Vila Nova de Famalicão. No entanto foi Alenquer que ganhou o epíteto de Vila Presépio depois de, em 1968, ter iniciado a tradição de montar um gigantesco presépio elaborado pelo pintor Álvaro Duarte de Almeida numa das colinas da cidade.
O Presépio Tradicional Português é - ao contrário do que encontramos nos outros países - formado por figuras tão diversas que não correspondem exactamente à época que deveriam representar. À excepção das figuras da Sagrada Família (São José, Virgem Maria e Menino Jesus), dos pastores e dos Três Reis Magos, todas as restantes figuras que surgem no Presépio Tradicional Português foram adicionadas com vista a dar uma representação "mais portuguesa" à história da Natividade. Assim, podemos encontrar figuras como: um moleiro e o seu moinho, uma lavadeira, alguns bailarinos de um rancho folclórico, uma mulher com um cântaro na cabeça, entre muitos outros personagens divertidos e tipicamente portugueses. A origem destas peças é da Região Norte de Portugal e, ainda hoje, são todas produzidas com origem artesanal. Por sua vez, no Alentejo, o Presépio mais característico é o de Estremoz.
As cenas da Natividade de setecentos modeladas ao modo de Estremoz, resultam do trabalho das barristas de adaptação ao gosto e tradição local, dos grandes Presépios realizados em barro por artistas como Joaquim Machado de Castro.
No inicio do séc. XX estavam praticamente em desuso e a produção era rara. Sebastião Pessanha encomenda ainda um Presépio na década de 10, com 60 peças. Disse-lhe Gertrudes Rosa Marques (uma das últimas bonecreiras que ainda trabalhava em Estremoz) que já não saia um da sua oficina há muitos anos, facto que atesta o desuso da representação da Natividade nos antigos moldes.
Entretanto, durante o Regime do Estado Novo, aos bonecos de Estremoz é dado um novo alento, conhecendo os Presépios locais uma fantástica inovação, que substituiu mesmo a antiga tradição. Nos anos 30, o Director da Escola de Artes e Oficios local, o gaiense José Maria Sá Lemos, com a preciosa assistência do Mestre Oleiro Mariano da Conceição, junta os famosos Tronos de cascata de Santo António, com as principais figurinhas que compõem um Presépio. A cena passa então a ser composta por 9 peças, mais o Trono (ou Altar como alguns lhe chamam), onde estão os três Reis Magos no degrau maior, estando ao meio a Sagrada Família com o Menino dentro da Mangedoura, e no terceiro e último degrau estão três Pastores ofertantes. Hoje é este o Presépio que se considera tradicional em Estremoz.
As peças do presepio
Menino Jesus: É o filho de Deus. Foi o escolhido para ser o salvador do povo.
Maria: É a mãe do filho de Deus. Do seu ventre, nasceu Jesus Cristo.
José: É o pai adoptivo do menino Jesus; foi um homem judeu, provavelmente carpinteiro/pedreiro.
Curral: É o local simbolizado pelo presépio. Era onde se guardavam o gado, o curral. Por isso, no presépio, Jesus fica sobre as palhas, numa manjedoura.
Manjedoura: É um lugar de aconchego onde Jesus ficou quando nasceu. É como se fosse o berço de Jesus.
O burro e o boi: Os animais representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu. "Jesus não nasceu em palácios, nem em lugares luxuosos, mas sim em meio aos animais".
Anjos: Os anjos anunciam a chegada do filho de Deus aos pastores. Eles sabem que nasceu o salvador.
Pastores: Os pastores são homens do campo, que simbolizam a simplicidade do povo, já que Deus acolhe todos, sem se importar com sua condição social.
Estrela: A estrela de Belém é aquela que se coloca no alto da árvore. Foi ela que guiou os três Reis Magos quando Jesus Cristo nasceu.
Reis Magos: Os três Reis Magos - Melchior, Baltazar e Gaspar eram considerados sábios. Eles estavam no local onde Jesus nasceu. Eles vieram do Oriente conduzidos pela estrela. Chegaram à cidade de Belém, local de nascimento do menino Jesus, trazendo presentes: mirra, ouro e incenso. O ouro representava a realeza, a mirra era o símbolo da paixão e o incenso significava a oração.
in, Wikipédia (adaptado)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O ADVENTO

O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.
Origem:
A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada em Espanha, quando no ano 380, o Sínodo de Saragoça prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o Natal. Em França, Perpétuo, bispo de Tours, instituiu seis semanas de preparação para o Natal e, em Roma, o Sacramentário Gelasiano cita o Advento no fim do século V.
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal.
No final do século IV na Gália (actual França) e em Espanha, tinha carácter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este carácter ascético para a preparação do Natal devia-se à preparação dos catecumenos para o baptismo na festa da Epifania.
Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos. Porém mais tarde o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem ter em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Surgido na Igreja Católica, este tempo passou também para as outras igrejas, em particular a Anglicana, a Luterana, e a Metodista. A igreja Ortodoxa tem um período de quarenta dias de jejum como preparação do Natal.
O tempo do advento e as suas características:
O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada do seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse tempo possui duas características: nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa volta-se para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Por isso, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Uma das expressões desta alegria é o canto das chamadas "Antífonas do Ó".
Teologia do advento:
O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e insere-nos no carácter missionário da vinda de Cristo.
Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor Jesus, que de facto se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao fazer-se carne, personifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15).
O Advento recorda também o Deus da Revelação. Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação, mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.
O carácter missionário do Advento manifesta-se na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Baptista e Maria são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para ensinar-nos sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do seu Reino.
Espiritualidade do advento:
A liturgia do Advento impulsiona-nos a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão. Deus é fiel nas suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e actual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo, mas que só se consumará definitivamente na vinda (volta) do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! - Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, dos nossos pecados, das nossas fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições,...
O Advento também é o tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo, não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, lutando incessantemente contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos questionar-nos e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza económica, mas principalmente aquela que leva a confiar, a abandonar-se e depender inteiramente de Deus e não dos bens terrenos. Pobreza que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
As figuras do advento:
Isaías é o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim os exilados. As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos. Ele que no capítulo 7 do seu livro já anucia a vinda do Senhor.
João Baptista é o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
A figura de João Baptista ao ser o precursor do Senhor e o apontar como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento. Por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo. João Baptista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profetisas do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

São José com Cristo nos braços
Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adoptivo de Jesus. Ao ser da descendência de David e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de David". José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
A celebração do advento:
O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Canta-se o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o directório litúrgico da orienta que as flores e os instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.
Os paramentos litúrgicos (casula, estola, dalmática, pluvial, cíngulo, etc) são de cor roxa, bem como o véu que recobre o ambão, a bolsa do corporal e o véu do cálice; como sinal de recolhimento e conversão na preparação para a festa do Natal. A única excepção é o terceiro domingo do Advento, Domingo Gaudete ou da Alegria, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do Salvador que está bem próxima. Também os altares são ornados com rosas cor-de-rosa. O nome de Domingo Gaudete refere-se à primeira palavra do intróito deste dia, que é tirado da segunda leitura que diz: "Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto"(Fl 4, 4). Também é chamado "Domingo mediano", por marcar a metade do Tempo do Advento, tendo analogia com o quarto domingo do Tempo da Quaresma, chamado Laetare.
No período do Advento são montados o Presépio, a Árvore de Natal e a Coroa do Avdento. 
Símbolos do Advento:
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser, colocada ao lado do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também, a nossa fé e a nossa alegria pelo Deus que vem. A cor roxa das velas convida-nos a purificar os nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, chama-nos para a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá. 
A coroa de advento:
Hoje, na Alemanha, a Coroa de Advento está dentro das Igrejas, das escolas e até das residências particulares. É impossível imaginar-se os festejos de Advento sem a presença da referida coroa e das suas quatro velas queimando durante os 24 dias. A Coroa de Advento não é antiga, ela foi concebida em Hamburgo, há mais de cem anos. Havia muitas crianças órfãs naquela cidade portuária, meninas e meninos sem tecto que deambulavam pelas ruas pedindo esmolas. Um pastor evangélico luterano que morava naquela cidade decidiu ajudar aquelas meninas e aqueles meninos “sem eira nem beira”. Mexe daqui, puxa dali, ele construiu uma enorme casa onde passou a abrigar o máximo possível das crianças de rua. Naquela casa o povo miúdo tinha espaço para dormir e fazer as suas refeições, mais do que isso: tinha a hipótese de aprender uma profissão. Muitos saíram dali formados como sapateiros, desenhadores, costureiras e até jardineiros. A ideia era que, assim, não precisariam mais deambular pelas ruas pedindo esmolas, uma vez que juntavam o seu próprio dinheiro a partir do suor do seu rosto.
Foi assim que, em 1833, nasceu a “Rauhes Haus” (Casa Rústica). O pastor "visionário" chamava-se Johann Heinrich Wichern (1808 +1881). Todos os anos ele celebrava o tempo de Advento com meditações, cânticos e reflexões que enfocavam este tempo bonito que antecede o Natal. Para contextualizar aqueles momentos o pastor Wichern pendurou uma roda velha, dessas que ainda hoje se vêem em carroças, no tecto da “Casa” que dirigia. No primeiro domingo de Advento colocou a primeira grande vela a queimar sobre a roda. Depois, nos seis dias seguintes, seis velas pequenas. No segundo domingo de Advento, novamente a segunda vela grande... Um dia antes do Natal queimavam 24 velas na referida roda.
Corria o ano de 1840, as meninas e os meninos que moravam na referida casa gostavam muito daqueles encontros. A roda ia iluminando mais e mais a sala, a medida que o Natal se aproximava. Cada vela tinha o seu significado. Foram eles, as meninas e os meninos, que “baptizaram” aquele tempo de “Meditação das Velas”. Passaram-se dois anos e aquela pequena Comunidade decidiu enfeitar a roda iluminada com ramos de pinheiro (sinal de vida). Foi assim que nasceu a primeira Coroa de Advento dentro da Igreja Luterana.
Muitas pessoas que visitavam a “Rauhes Haus” achavam aquele símbolo muito significativo. Como nas suas moradias particulares não havia muito espaço para uma Coroa de Advento com 24 velas, optaram por uma menor com quatro, uma para cada domingo.
A coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos:
A forma circular
O círculo não tem princípio, nem fim. É o sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma ideia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.
As ramas verdes
Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus, na sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na sua segunda e definitiva volta. Os ramos dos pinheiros permanecem verdes apesar dos rigorosos invernos, assim como os cristãos devem manter a fé e a esperança apesar das tribulações da vida.
A fita vermelha
A fita e o laço vermelho que envolvem a grinalda simbolizam o Amor de Deus ou o próprio Espírito Santo a embalar toda criação que é redimida com a chegada de Jesus.
As bolas
As bolas simbolizam os frutos do Espírito Santo que brotam no coração de cada cristão.
As quatro velas
As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No início, vemos a nossa coroa sem luz e sem brilho. Recorda-nos a experiência de escuridão do pecado. A medida que se vai aproximando o Natal, vamos acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada, no meio de nós, do Senhor Jesus, luz do mundo, que dissipa toda a escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada. A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do rei David que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.
As cores das velas do Advento são:
Roxa, Roxa, Rosa e Roxa, podendo também serem adoptadas velas com as seguintes cores: Roxa, Vermelha, Rosa e Verde ou até também Roxa Escura, Roxa Clara, Rosa e Branca.
Geralmente na Igreja Católica a cor das velas segue a cor das vestes litúrgicas do sacerdote, sendo assim, a cor roxa é usada no primeiro, segundo e quarto domingos do Advento simbolizando a conversão e penitência e, a cor rosa no terceiro domingo (Gaudete) simbolizando a alegria pela  expectativa da chegada de Jesus.
in, Wikipédia (adaptado)

MOULIN ROUGE

Moulin Rouge  é um filme australiano e americano de 2001, do género romance musical, dirigido por Baz Luhrmann.
O enredo do filme é essencialmente inspirado em três óperas/operetas: La bohème de Giacomo Puccini, La traviata de Giuseppe Verdi, e Orphée aux enfers de Jacques Offenbach (esta inspirada no mito grego de Orfeu e Eurídice).
Sinopse:
A história  passa-se em 1899 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade do pai ao mudar-se para Montmartre, em Paris, considerado um lugar amoral, boémio e onde todos são viciados em absinto. Aí, ele é acolhido por Toulouse-Lautrec e os seus amigos, cujas vidas são centradas no Moulin Rouge, um salão de dança, um clube nocturno e um bordel (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e - o que é ainda mais chocante - de "cancan". É então que Christian se apaixona pela mais bela cortesã do Moulin Rouge, Satine.
Elenco:
Ewan McGregor .... Christian
Nicole Kidman .... Satine
John Leguizamo .... Henri de Toulouse-Lautrec
Jim Broadbent .... Harold Zidler
Richard Roxburgh .... Duque de Monroth
Jacek Koman .... Argentino Narcoléptico
Kylie Minogue.... A Fada Verde
Caroline O'Connor.... Nini

ROXANNE




Moulin Rouge - "El Tango de Roxanne"
Album: Moulin Rouge

(spoken)We have a dance!
In the brothels of Buenos Aires
Tells the story
Of the prostitute
And the man
Who fell in love...
with her.

First there is desire
Then... passion!
Then... suspicion!
Jealosy! Anger! Betrayel!
Where love is for the highest bidder,
There can be no trust.
Without trust,.
There is no love!
Jealosy.
Yes, jealosy...
Will drive you... will drive you... will drive you... mad!

Roxanne
You don't have to put on that red light
Walk the streets for money
You don't care if it's wrong or if it is right

Roxanne
You don't have to wear that dress tonight
Roxanne
You don't have to sell your body to the night

His eyes upon your face
His hand upon your hand
His lips caress your skin
It's more than I can stand

(Roxanne)
Why does my heart cry?
(Roxanne)
Feelings I can't fight
You're free to leave me, but just don't decieve me
And please believe me when I say I love you

Yo que te quiero tanto, qué voy a hacer
Me dejaste, me dejaste
En un tango
El alma se me fue
Se me fue el corazon
Ya no tengo ganas de vivir
Porque no te puedo convencer
Que no te vendas Roxanne
(Roxanne)
Why does my heart cry?
(Roxanne)
Feelings I can't fight
(Roxanne)
You don't have to put on that red light
Roxanne
(Roxanne)
(Roxanne)

Uma canção extraordinária, um filme soberbo, onde o ciúme, a traição, a paixão, o amor e a sensibiidade se entrelaçam. Magnífico!!!