quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ai, Portugal

Um artigo sobre Portugal pelo Embaixador Britânico


Dez coisas que melhoraram em Portugal nos últimos 15 anos
Alexander Ellis,
Embaixador Britânico

Chegou a época do espírito natalício. Então, deixemos de lado quaisquer miserabilismos e concentremo-nos nas coisas boas - não como escape mas como realidade. Vivi em Portugal há quinze anos. Agora, de volta, quero sugerir dez coisas, entre muitas outras, que melhoraram em Portugal desde a minha primeira estadia. Não incluo aqui coisas que já eram, e ainda são, fantásticas (desde a forma como acolhem os estrangeiros até à pastelaria).
Aqui ficam algumas sugestões de melhorias:
- Mortalidade nas estradas; as estatísticas não mentem - o número de pessoas que morre em acidentes rodoviários é muito menor, cerca de 2000 em 1993 e de 776 em 2008. A experiência de conduzir na marginal é agora de prazer, não de terror. O tempo do Fiat Uno a 180km/h colado a nós nas auto-estradas está a passar.
- O vinho; já era bom, mas agora a variedade e a inovação são notáveis, com muito mais oferta e experiências agradáveis. Também se pode dizer a mesma coisa sobre o azeite e outros produtos tradicionais.
- O mar; Lisboa, em 1994, era uma cidade virada de costas para o mar; poucos restaurantes ou bares com vista, e pouca gente no mar. Hoje, vemos esplanadas e surfistas em toda a parte. Muita gente a aproveitar melhor um dos recursos naturais mais importantes do país.
- A zona da Expo; era horrível em 1994, cheia de poluição, com as antigas instalações petrolíferas. Agora é uma zona urbana belíssima, com museus e um Oceanário http://www.oceanario.pt/  entre os melhores que há no Mundo.
- A saúde; muitas das minhas colegas têm feito esta sugestão - a qualidade do tratamento é muito melhor hoje em dia, apesar das dificuldades financeiras, etc. A prova está no aumento da esperança de vida, de cerca de 74 em 1993 para 78 anos em 2008.
- Os parques naturais; viajei muito este ano do Gerês http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007-AP-Geres?res=1280x1024  a Monserrate http://www.parquesdesintra.pt/index.aspx?p=parksIndex&MenuId=9&Menu0Id=9; tudo mais limpo, melhor sinalizado, mais agradável. O pequeno jardim está, de facto, mais bem cuidado.
- O cheiro. Sendo por natureza liberal nos costumes sociais, não fui grande fã da proibição de fumar - mas, confesso, a experiência de estar num bar ou num restaurante em Portugal é hoje mais agradável com a ausência de tabagismo. E a minha roupa cheira menos mal no dia seguinte.
- A inovação; talvez seja fruto da minha ignorância do país em 1994, mas fico de boca aberta quando visito algumas das empresas que estão a investir no Reino Unido http://ukinportugal.fco.gov.uk/en/doing-business/; altíssima tecnologia, quadros dinâmicos e - o mais importante de tudo - não há medo. Acreditam que estão entre os melhores do mundo, e vão ao meu país, entre outros, para prová-lo.
- O metro de Lisboa. É limpo, rápido, acessível e tem estações bonitas.
- As cores; Portugal tem e sempre teve cores naturais bonitas. Mas a minha memória de 1994 era o aspecto visual bastante cinzento das cidades, desde a  roupa até aos carros. Hoje há mais alegria - recordo um português que me disse, talvez com tristeza, que o país estava a tornar-se mais tropical.
Em termos de imagem, parece-me um elogio!
Esta é a minha lista. E a sua?
Alexander Ellis,

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Amizade

AOS AMIGOS
Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e húmido, bebericando chá gelado durante uma visita ao seu pai.
Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho.
- Nunca esqueças os teus amigos, aconselhou! Serão mais importantes na medida em que tu envelheceres. Independentemente, do quanto ames a tua família, os filhos que porventura venham a ter, precisarás sempre de amigos. Lembra-te de, ocasionalmente, ires a lugares com eles; faz coisas com eles; telefona-lhes...
-"Que estranho conselho!" - Pensou o jovem. Acabo de entrar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza a minha mulher e a família que iniciaremos serão tudo o que necessito para dar sentido à minha vida!
Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contacto com os seus amigos e anualmente aumentava o número deles. Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que o seu pai sabia do que falava.
Conforme o tempo e a natureza realizam as suas mudanças e mistérios sobre um homem, os amigos são baluartes de sua vida.
Passados mais de 40 anos, eis o que ele aprendeu:
O Tempo passa;
A vida acontece;
A distância separa;
As crianças crescem;
Os empregos vão e vêem;
O amor fica mais frouxo;
As pessoas não fazem o que deveriam fazer;
O coração desgasta-se;
Os pais morrem;
Os colegas esquecem os favores;
As carreiras terminam;
MAS... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilómetros nos separam.
Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por nós, intervindo em nosso favor, e esperando de braços abertos, abençoando nossa vida!
Quando iniciamos esta aventura chamada vida, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante.
Nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pandemia - gripe A (H1N1)

Pandemias

Imagem enviada por um medico do SMG (Syndicat de la Médecine Générale) a fim de ilustrar alguns comentários...

● 90 pessoas apanham a gripe H1N1 e todos querem usar máscara.

● 5 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da SIDA e ninguém quer usar preservativo.

● 1 000 pessoas morrem com a gripe A num país rico, é uma pandemia.

● Milhões morrem de paludismo em África, problema deles.

Dá que pensar!!!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Feminismo...

O Conto mais curto e mais bonito!!!

Um dia uma rapaz perguntou a uma rapariga se queria casar com ele a rapariga disse que não e viveu feliz para sempre...
Sem lavar, sem cozinhar, sem passar a ferro saindo com as amigas, dormindo com quem lhe apetecia, gastando o seu dinheiro conforme lhe apetecia y sem trabalhar para ninguém.
FIM

O problema é que de pequeninas, não nos contavam estas histórias. Vinham sempre com a história do príncipe azul...
Todos os homens dizem refererindo-se a nós: Para que havemos de comprar a vaca quando podemos ter leite grátis?
Temos de lhes dizer: Sabem porque é que agora 80% das mulheres estão contra o matrimónio? Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro para ter uma salsicha.
(Comentário delas e moral da história.)

Mulheres!!!

Machismo???
11 EXPRESSÕES USADAS PELAS MULHERES
(os seus verdadeiros significados)

"Chega": Esta é a palavra que as mulheres usam para encerrar uma discussão quando elas estão certas e tu tens que te calar.

"5 minutos": Se ela está a arranjar-se significa meia hora. "5 minutos" só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para veres futebol antes de ajudares nas tarefas domésticas.

"Nada": Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que ALGO está a acontecer e que deves ficar atento. Discussões que começam em "Nada" normalmente terminam em "Chega".

"Tu é que sabes": É um desafio, não uma permissão. Ela está a desafiar-te, e nesta altura tens que saber o que ela quer... e não digas que não sabes!

Suspiro ALTO: Não é realmente uma palavra, é uma declaração não-verbal que frequentemente confunde os homens. Um suspiro alto significa que ela pensa que és um idiota e que só está a perder tempo a discutir contigo sobre "Nada".

"Tudo bem!!!": Uma das mais perigosas expressões ditas por uma mulher. "Tudo bem!!!" significa que ela quer pensar muito bem antes de decidir como e quando vais pagar na mesma moeda pelo que fizeste.

"Obrigada": Uma mulher está a agradecer, não questiones, nem desmaies. Apenas diz "de nada".. A menos que ela diga "MUITO obrigada" - isso é PURO SARCASMO e ela não está a agradecer por coisa nenhuma. Nesse caso, NÂO digas "de nada". Isso apenas provocará o "Esquece".

"Esquece": É uma mulher a dizer "Vai-te .....!!!"

"Deixa estar, EU resolvo": Outra expressão perigosa, significando que uma mulher disse várias vezes a um homem para fazer algo, mas agora está ela a fazer. Isto normalmente resulta no homem a perguntar "mas afinal o que é que queres?". Para a resposta da mulher, consulta o ponto 3.

"Sabes, estive a pensar...": Esta expressão até parece inofensiva, mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

"Precisamos ter uma conversa!": F..... ! estás a 30 segundos de levar com um belo par de patins.

Conversa um pouco machista, sim senhor, mas verdadeira.

Tributo

Autobiografia
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom. Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas. Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance.
Rosa Lobato Faria

Que bom que é ler um texto bem escrito!!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ATENÇÃO!!!

GPS
Para muita gente as férias acabaram, mas para outros começam agora, por isso é bom lembrar algo que se pode tornar num caso muito triste.
Quando se faz uma viagem longa utilizamos, quase todos -bem, muitos de nós-, um GPS para orientar-nos durante a deslocação. Os ladrões também.
Uma familia parte para férias no carro. A viagem decorre normalmente e decidem parar para tomar um refresco, deixando a viatura no estacionamento próximo. Quando regressam, constatam que o GPS foi roubado. Algumas horas mais tarde os vizinhos telefonam para os informar que a casa foi assaltada.
Os ladrões utilizaram simplesmente a função de retorno a casa. Eles estavam tranquilos, sabendo que os proprietários estavam longe, portanto não seriam incomodados.
Um conselho:
No GPS mude o seu endereço (que você conhece sem dúvida) pelo posto da policia mais próximo.
Os ladrões ficarão com o GPS, mas não lhe roubarão a casa.
Todos os cuidados são poucos, portanto seja prudente quando se desloca em viatura.

Alentejo da minh'alma...

A RAÇA DO ALENTEJANO

A raça do alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
Dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
Dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
Dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
Dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
Dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
Dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que «as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso!!!
"Os cães ladram e a caravana passa."

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Professor é...

Jô Soares, define o que é ser "Professor"
O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

Sábias palavras, pena o português do Brasil!!!

Ser professor...

PEDRO ABRUNHOSA, escreveu!!!
Meditem, PROFESSORES!!!
Sócrates e o meu Avô
(...)
A contínua hostilização aos professores feita por este, e outros governos, vai acabar por levar cada vez mais pais a recorrer ao privado, mais caro e nem sempre tão bem equipado, mas com uma estabilidade garantida ao nível da conflitualidade laboral. O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter. O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.
(...)
O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante. Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino. Hoje, chamaríamos a isto 'aula de campo'. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de 'trabalho de campo'. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade. Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.
(...)
Pedro Abrunhosa

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O que é português é BOM!!!

560 - decore este número - Conserve o seu emprego - IMPORTANTE !!!
É fundamental apoiar a produção nacional!
Os portugueses vivem hoje num clima de crise, desde o desemprego, à nossa fraca economia é certo que quem mais sofre somos nós, mas o que certamente muitas vezes não nos passa pela cabeça é que podemos ter uma certa culpa nesta grave situação. Frequentemente, quando vamos às compras, tentamos ir à procura do produto mais barato, mas o que agora é barato, pode vir a curto prazo, a tornar-se muito caro para todos nós. Desde a mais pequena especiaria ao peixe que comemos, o nosso mercado está inundado por produtos fabricados no estrangeiro. Tendo normalmente esses países uma economia mais forte que a nossa, conseguem vender os seus produtos a um preço mais baixo e, desta forma, somos levados, a comprá-los. Mas, quando o fazemos, estamos a contribuir para um maior crescimento das exportações desses fabricantes estrangeiros e, sem dúvida, por vezes, a tirar postos de trabalho no nosso país. Quando não compramos produtos nacionais e compramos artigos estrangeiros, os nossos fabricantes são obrigados a subir o preço dos seus produtos para compensar as quebras de produção. Ora se os produtos concorrentes já eram mais baratos na origem, isto faz com que os nossos fiquem ainda mais caros. E sendo mais caros, ninguém os compra. Toda esta situação leva posteriormente ao encerramento de muitas empresas e consequentemente ao crescimento do desemprego.
Quando a SONAE ameaça a produção leiteira nacional, porque passou a comprar "restos" noutros países e quando as várias empresas donas das grandes superfícies viram costas ao arroz produzido em Portugal e vendem arroz de "linha branca", fazendo esses sectores passar por momentos muito difíceis, faz todo o sentido seguir o conselho acima.

Só posso aplaudir, BRAVO!!!

Showbiznes



O tema "I will survive", de Gloria Gaynor é agora interpretado, de forma magistral, por Igudesman & Joo

IGUDESMAN & JOO – uma colaboração única

Aleksey Igudesman e Richard Hyung-Ki Joo são dois músicos clássicos que invadiram o mundo com o único e hilariante “show” teatral, que combina a comédia com a música clássica e a cultura popular.
Aleksey e Hyung conheceram-se aos doze anos na Yehudi Menuhin School, em Inglaterra, e desde então fizeram uma forte amizade e parceria musical. Em 2004 criaram o seu extraordinário espectáculo “A Little Nightmare Music” e a partir daí tocaram com as maiores e melhores orquestras sinfónicas pelo mundo fora, tendo actuado nos maiores e melhores palcos e festivais do mundo.

Trivialidades

A ESCOLHA DO RESTAURANTE
[Pintura de Almada Negreiros (1893-1970)]
Um grupo de amigos de 40 anos discutia e discutia para escolher o restaurante onde iriam encontrar-se para jantar.
Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical, porque as empregadas usavam mini-saias e blusas muito decotadas.

10 anos mais tarde, aos 50 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.
Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical, porque a comida era muito boa a havia uma óptima selecção de vinhos.

10 anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.
Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical, porque tinham comida bio e dietética.

10 anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.
Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical, porque tinham uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador.

10 anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.
Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical. Todos acharam que era uma grande ideia, porque nunca lá tinham estado.

Oração



Siempre así

Conjunto de amigos do bairro sevilhano de Triana que em 1991 decidiram formar o grupo - SIEMPRE ASÍ -, para interpretar canções de raíz andaluza e religiosa.
Têm 11 álbuns publicados, de entre os quais se destacam "Siempre así" - 1992 e "La misa de la alegría" - 2006.
Disfrutem!!!

Sabedoria chinesa

O VASO DA VELHA CHINESA
Uma chinesa velha tinha dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas.
Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Todos os dias ela ía ao rio buscar água, e ao fim da longa caminhada do rio até casa o vaso perfeito chegava sempre cheio de água, enquanto o rachado chegava meio vazio.
Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água.
Naturalmente o vaso perfeito tinha muito orgulho do seu próprio resultado - e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.
Ao fim de dois anos, reflectindo sobre a sua própria amarga derrota de ser "rachado", durante o caminho para o rio o vaso rachado disse à velha :
"Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até à sua casa ..."
A velhinha sorriu :
"Reparaste que lindas flores há no teu lado do caminho, somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dias, enquanto voltávamos do rio, tu regava-las. Foi assim que durante dois anos pude apanhar belas flores para   
enfeitar a mesa e alegrar o meu jantar. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa !"
Cada um de nós tem o seu defeito próprio: mas é o defeito que cada um de nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
É preciso aceitar cada um pelo que é ... e descobrir o que há de bom nele!

Sinais dos tempos...

A NOVA LÍNGUA PORTUGUESA
Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos "afro-americanos", com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas domésticas" e preparam-se agora para receber a menção de "auxiliares de apoio doméstico" .
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos" que passaram todos a "auxiliares da acção educativa".
Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por "delegados de informação médica".
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".
O aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez".
Os gangs étnicos são "grupos de jovens".
Os operários fizeram-se de repente "colaboradores".
As fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas"e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.
Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...», agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo".
Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação" , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".
Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...).
As putas passaram a ser "senhoras de alterne".
Para compor o ramalhete e darem-se ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a "correcção política" e o novo-riquismo linguístico.
Estamos lixados com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma "politicamente correcta".
E falta ainda esclarecer que os tradicionais "anões" estão em vias de passar a "cidadãos verticalmente desfavorecidos".
Os idiotas e imbecis passam a designar-se por "indivíduos com atitude não vinculativa".
Os pretos passaram a ser pessoas de cor.
O mongolismo passou a designar-se síndroma do cromossoma 21.
Os gordos e os magros passaram a ser pessoas com disfunção alimentar.
Os mentirosos passam a ser "pessoas com muita imaginação".
Os que fazem desfalques nas empresas e são descobertos são "pessoas com grande visão empresarial mas que estão rodeados de invejosos".
Para autarcas e políticos, afirmar que "eu tenho impunidade judicial", foi substituído por "estar de consciência tranquila".
O conceito de corrupção organizada foi substituído pela palavra "sistema".
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, problemático, etc., passou a ser sinónimo de complicado.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Poesia espanhola

Federico García Lorca
Frederico García Lorca, nasceu em Funtes Vaqueros (Granada) a 5 de Junho de 1898 e a 19 de Agosto de 1936 foi assassinado, pela mão dos republicanos, nos arredores de Granada. Tinha 38 anos. Ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou os seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseiam-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto "jondo", 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).
Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período dos seus poemas surrealistas, manifestando o seu desprezo pelo modus vivendi estadounidense. Expressou o seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940.
Voltando a Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava as suas ideias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do século XX.
Intimidado, Lorca voltou para Granada, na Andaluzia, na esperança de encontrar um refúgio. Ali, porém, teve sua prisão determinada por um deputado católico, sob o argumento (que se tornou célebre) de que ele seria "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver".
Assim, num dia de Agosto de 1936, sem julgamento, o grande poeta foi executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e o seu corpo foi enterrado algures na Serra Nevada. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade - e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta. Foi um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.
Assim como muitos artistas - e a obra Guernica, de Pablo Picasso -, durante o longo regime ditatorial do Generalíssimo Franco, suas obras foram consideradas clandestinas em Espanha.
Com o fim do regime, e a volta do país à democracia, finalmente sua terra natal veio a render-lhe homenagens, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes. Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como "geração de 27", alinhando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. A sua música se reflecte no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram a sua posição como grande dramaturgo.
Bibliografia:
Na sua curta existência, Federico García Lorca deixou importantes obras-primas da literatura, muitas delas publicadas postumamente, de entre as quais:
Poesia
Livro de Poemas - 1921
Ode a Salvador Dalí - 1926
Canciones (1921-24) - 1927
Romancero gitano (1924-27) - 1928
Poema del cante jondo (1921-22) - 1931
Ode a Walt Whitman - 1933
Canto a Ignacio Sánchez Mejías - 1935
Seis poemas galegos - 1935
Primeiras canções (1922) - 1936
Poeta em Nueva York (1929-30) - 1940
Divã do Tamarit - 1940
Sonetos do Amor Obscuro - 1936
Prosa
Impressões e Paisagens - 1918
Desenhos (publicados em Madrid) - 1949
Cartas aos Amigos - 1950
Teatro
Assim que passarem cinco anos - Lenda do tempo - 1931
Retábulo de Don Cristóvão e D.Rosita - 1931
Amores de Dom Perlimplim e Belisa em seu jardim - 1926
Mariana Pineda - 1925
Dona Rosinha, a solteira - 1927
Bodas de Sangue - 1933
Yerma - 1934
A Casa de Bernarda Alba - 1936
Quimera - 1930
O Público - 1933
O sortilégio da mariposa - 1918
A sapateira prodigiosa - 1930
Pequeno retábulo de Dom Cristóvão - 1931

GRANADA

Granada, calle de Elvira,
donde viven las manolas,
las que se van a la Alhambra,
las tres y las cuatro solas.
Una vestida de verde,
otra de malva, y la otra,
un corselete escocés
con cintas hasta la cola.
Las que van delante, garzas
la que va detrás, paloma,
abren por las alamedas
muselinas misteriosas.
¡Ay, qué oscura está la Alhambra!
¿Adónde irán las manolas
mientras sufren en la umbría
el surtidor y la rosa?
¿Qué galanes las esperan?
¿Bajo qué mirto reposan?
¿Qué manos roban perfumes
a sus dos flores redondas?
Nadie va con ellas, nadie;
dos garzas y una paloma.
Pero en el mundo hay galanes
que se tapan con las hojas.
La catedral ha dejado
bronces que la brisa toma;
El Genil duerme a sus bueyes
y el Dauro a sus mariposas.
La noche viene cargada
con sus colinas de sombra;
una enseña los zapatos
entre volantes de blonda;
la mayor abre sus ojos
y la menor los entorna.
¿Quién serán aquellas tres
de alto pecho y larga cola?
¿Por qué agitan los pañuelos?
¿Adónde irán a estas horas?
Granada, calle de Elvira,
donde viven las manolas,
las que se van a la Alhambra,
las tres y las cuatro solas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Barrancos - solidariedade (guerra civil espanhola 1936-1939)

Instituto Cervantes presta homenagem ao Povo de Barrancos

O Instituto Cervantes, de Lisboa, presta Homenagem ao Povo Barranquenho, no próximo dia 25 de Março de 2010.
A homenagem, inserida nas jornadas "Lisboa, porto de saída", tem início às 18 horas com a apresentação e projecção do documentário "Os refugiados de Barrancos".
No final da projecção haverá lugar a uma mesa redonda, com a participação de Ángel Hernández, realizador; António Pica Tereno, Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, Fernando Rosas, historiador e Eliseu Seixas Aguiar.
A iniciativa do Instituto Cervantes, pretende prestar “homenagem a pessoas solidárias que arriscaram vida e carreira profissional para ajudar os seus semelhantes em época de guerra”. (...)
in, Estado de Barrancos, (blogue)

A tradição já não é o que era...

Barrancos

Assaltante abatido em tiroteio com GNR
por Luís Maneta, in Diário de Notícias, 04/02/2010 (adaptado)
Um homem foi abatido a tiro pela GNR esta manhã em Barrancos, após uma perseguição policial que se tinha iniciado ontem quando um grupo de cinco indivíduos foi detectado a tentar um assalto à mão armada. Dois suspeitos foram detidos e outros dois continuam a monte. Na zona permanece um forte dispositivo policial.
A GNR de Beja tinha desde a tarde de ontem uma operação de “caça ao homem” no concelho de Barrancos, depois de indivíduos armados com caçadeiras de canos serrados terem aberto fogo sobre uma patrulha da Guarda. Segundo apurou o DN, os disparos ocorreram quando dois militares da GNR, que seguiam numa missão de patrulhamento, detectaram uma tentativa de assalto na estrada entre Santo Aleixo da Restauração e Barrancos.
Momentos antes, dois homens armados e encapuzados que se faziam transportar num Fiat Punto de matrícula portuguesa, presumivelmente furtado, obrigaram uma outra viatura a parar sob a ameaça de uma arma de fogo. Ao volante seguia uma professora de Educação Física que se deslocava para o estabelecimento de ensino, em Barrancos.
Quando a patrulha da GNR se aproximou do local do assalto foi “recebida” a tiro. De acordo com o porta-voz do comando territorial de Beja da GNR, major José Candeias, os dois militares da Guarda conseguiram refugiar-se atrás do jipe, “que foi baleado”, tendo ripostado logo de seguida com disparos de pistola.
“Não sabemos se algum dos indivíduos foi atingido pois colocaram-se em fuga”, acrescenta José Candeias.
Pouco depois, numa zona conhecida como Herdade das Tesas, entre Barrancos e Santo Aleixo da Restauração, os assaltantes abandonaram a viatura onde seguiam e iniciaram uma fuga a pé por uma região semidesértica, onde existem diversos montes abandonados.
Esta manhã os homens foram detectados pela GNR e seguiu-se nova troca de tiros. Culminando com a morte de um suspeito e a detenção de outros dois. Prossegue a caça ao homem para deter os restantes dois homens.

Nota: Realmente a tradição já não é o que era. Num local onde sempre reinou a calmaria, de um momento para o outro parece o "far-west". Esperemos que se trate de um episódio isolado e fortuito, pois realmente não há memória de actos tão violentos, a nível do concelho e da região.

Velhos, nem os trapos!!!

Envelhecer com sabedoria!!!
ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS
Para celebrar o processo de envelhecimento, uma vez escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. O meu taxímetro chegou aos 90 em Agosto, então aqui está a coluna mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiveres em dúvida, apenas dá o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo a odiar alguém.
4. O teu trabalho não vai cuidar de ti quando adoeceres. Os teus pais e amigos vão. Mantém o contacto.
5. Paga as tuas facturas do cartão de crédito todos os meses.
6. Tu não tens que vencer todos os argumentos. Concorda para discordar.
7. Chora com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem se ficares danado com Deus. Ele aguenta.
9. Poupa para a reforma começando com o teu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, a resistência é em vão.
11. Sela a paz com o teu passado para que ele não estrague o teu presente...
12. Está tudo bem se os teus filhos te vêem chorar.
13. Não compares a tua vida com a dos outros. Tu não tens ideia do que se passa na vida deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, tu não deverias estar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não te preocupes, Deus nunca pisca.
16. Respira bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Desfaz-te de tudo o que não é útil, bonito e prazenteiro.
18. O que não te mata, realmente torna-te mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de ti e de mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que tu amas na vida, não aceites NÃO como resposta.
21. Acende velas, coloca lençóis bonitos, usa lingerie elegante. Não guardes para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepara-te bastante, depois deixa-te levar pela maré...
23. Sê excêntrico agora, não esperes ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela tua felicidade além de ti.
26. Encara cada "chamado desastre" com estas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Escolhe sempre a vida.
28. Perdoa tudo a todos.
29. O que as outras pessoas pensam de ti não é da tua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dá tempo ao tempo.
31. Independentemente se a situação é boa ou má, irá mudar.
32. Não te leves tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredita em milagres.
34. Deus Ama-te por causa de quem Deus é, não pelo o que tu fizeste ou deixaste de fazer.
35. Não faças auditorias da tua vida. Aparece e faz o melhor dela agora...
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.
37. Os teus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa no final é que tu amaste.
39. Vai para a rua o dia todo. Milagres estão à espera em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos os nossos problemas numa pilha e víssemos os dos outros, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Tu já tens tudo o que precisas.
42. O melhor está para vir.
43. Não importa como tu te sintas, levanta-te, veste-te e aparece.
44. Produz.
45. A vida não vem embrulhada num laço, mas ainda é um presente!!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Jardinagem

"Raivinhas"
«Vivre d’amour et d’eau fraîche»
(Viver de amor e de água fresca)
Pois nós aqui estamos, todos nos vêem, mas poucos nos conhecem. Puseram-nos nesta Escola dentro de uma terra arenosa, num processo deveras rápido: buraquinho, um poucochinho de substrato, arrancam-nos do nosso vasito, e pumba, fazem-nos jardim. E isto sem conversas, nem nenhuma delicadeza, nenhum respeito pelos nossos estados de alma. Para eles, fazemos parte de um projecto, quase épico, de renovação. E entregam-nos a quem leva mais barato. Está bem, não somos nenhumas princesas, temos de nos adaptar aos tempos que correm, «servir», mas esquecem-se que somos Vida!
Assim, vejam lá o que nos aconteceu: puseram-nos rega automática, mas esqueceram-se de uma torneira para lavar os vasos, as pedras de calçada, as ferramentas que nos acariciam e enxotam as ervas daninhas. Talvez para repararem esse lapso, abriram bocas de água que surge furiosamente em dias de chuva, e nos afoga. Em vez de nós deveriam ter plantado as nossas irmãs aquáticas, nenúfares, por exemplo…
Não sabemos, estamos perplexas, pois eles tiveram um rebate e puseram cascalho à volta das nossas irmãs mais em perigo! É que mesmo os bolbos dos nossos queridos narcisos e túlipas, que estão quase a remirarem-se ao sol, apanham jactos nada delicados e muito assustadores!
Digam a uma criança para nascer no meio de tantos contratempos, não, ela recusa-se!
No entanto, temos alguns amigos e protectores. Para já a nossa «nounou», que olha para nós e sabe aquilo de que precisamos. Com ela vêm uns meninos, (há alguns rapazes, confessamos, um pouco tontos) que arrancam as ervas e apanham o lixo com que nos presenteiam. Também já cortam as flores e as folhas secas…E ajudam a plantar os bolbos, não esquecendo o estrume de cavalo, o nosso preferido. E põem umas tabuletazinhas, para não nos baralharmos.
Só que há muito a fazer: lutar contra a invasão de sementes pouco apreciadas por nós, que se lançam manhosamente do muro lá de cima e nos querem retirar a nossa pretensão de sermos um jardim, tratar da nossa irmã árvore que estava doente antes de perder as folhas, verificar da vontade da outra mana de continuar entre nós, repor as queridas defuntas que se recusaram a viver…
Quem disse que um jardim era aquela «Quinta» da Internet que até entusiasma adultos, que preferem o «rato» ao sacho? É que é preciso sujar as mãos e dobrar as costas…
Claro que nós plantinhas, conhecemos meios que nos protegem das invasoras. A casca de pinheiro é nossa amiga e mais estética que os tubos de borracha da rega. Nós pensávamos que ela viria. Andaram até outros meninos com outra «nounou», a tirarem medidas, a verem a área, os sacos de 50 litros que seriam necessários…
E há também um «nounou» que ajuda os meninos pequenos a inventarem o logótipo do Clube. Ao menos alguns tratam-nos como gente…que somos!
Olhem, ouvimos dizer que eram vaidades para escolas ricas!
Mas a beleza não se paga? Viver no meio do belo não educa?
Entretanto, enquanto a nossa «nounou» nos consola, dizendo que os meios virão um dia, e arranja os vasos da «véranda», nós vamos resistindo a tudo e esperando a Primavera.
Já lá dizia o poeta Aragon:
«Un jour pourtant, un jour viendra couleur d’orange, un jour de palme, un jour de feuillages au front…un jour comme un oiseau sur la plus haute branche» (No entanto, um dia virá cor de laranja, um dia de loiros, um dia de folhagens na fronte…um dia como um pássaro no ramo mais alto).

A «nounou» do Clube de jardinagem «Jardin, je t’aime», Conceição B.M.

Publicado com o conhecimento e consentimento da amiga e colega C.B.M.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Tecnologias

4 COISAS QUE PROVAVELMENTE NÃO SABE QUE O TELEMÓVEL FAZ
Há algumas coisas que se podem fazer em situações de emergência e o telemóvel pode, na verdade, ser um salva-vidas ou uma ferramenta de sobrevivência. Ora tome bem atenção a estas coisas que se podem fazer com ele :
PRIMEIRO : Emergências
O número internacional das emergências para o telemóvel é o 112. Se se encontrar sem rede numa situação de emergência ligue o 112 e o telemóvel vai procurar qualquer rede que se encontre disponível para se ligar ao 112. E o mais engraçado é que esse número pode ser marcado mesmo se o telemóvel estiver bloqueado. Ora experimente....
SEGUNDO : Trancou as chaves dentro do carro?
Se o seu carro tiver um comando de abertura de portas, talvez isto lhe possa ser útil um dia. Aqui esta uma óptima razão para se ter um telemóvel: se trancou o carro com as chaves lá dentro e tem um outro comando do carro em casa, ligue para o telemóvel duma pessoa que se encontre em casa, afaste-se cerca de meio metro da porta do carro e peça à pessoa a quem ligou para carregar no comando para abrir a porta, mantendo-o próximo do telemóvel. O seu carro abrir-se-á. E assim poupa-lhe uma viagem até casa para buscar o outro comando. Neste caso a distância a que se encontra da pessoa a quem ligou não é problema, pode estar a centenas de km de distância. Agora experimente!
TERCEIRO : Bateria escondida
Imagine que a bateria do teu telemóvel está em baixo. Para a carregar, digite *3370# e o telemóvel carregar-se-á com uma reserva que se encontra escondida e mostrará um aumento em 50% da bateria disponível. Esta reserva carregará automaticamente na próxima vez que carregar o telemóvel.
QUARTO : Como desactivar um telemóvel roubado ?
Para obter o número de série do teu telemóvel digite * # 0 6 #. Um código de 15 números aparecerá no ecrã e é único para o cada telemóvel. Agora tome nota deste número e guarde-o num sitio seguro. Na eventualidade de o seu telemóvel ser roubado pode ligar para o seu operador, dar este código e pedir que bloqueiem o seu telemóvel. O telemóvel ficará sem utilidade nenhuma mesmo se o ladrão tiver mudado o cartão SIM. Provavelmente não recuperará o telemóvel roubado, mas fica a saber que, quem quer que o tiver não o poderá utilizar ou vender.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Outros tempos...

Educação no tempo de Salazar

Isto sim, era educação!!! (Frases retiradas de revistas femininas das décadas 50 e 60 do século passado.)

• O noivado longo é um perigo. (Revista Querida, 1953);
• Mesmo que um homem consiga divertir-se com a sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar que ela tenha cedido. (Revista Querida, 1954);
• O lugar da mulher é no lar. O trabalho fora de casa masculiniza. (Revista Querida, 1955);
• Não deve irritar-se com ciúmes e dívidas provocados pelo seu marido. (Jornal das Moças, 1957);
• Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinza nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa. (Jornal das Moças, 1957);
• É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças, 1957);
• A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de o incomodar com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959);
• Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar o seu carinho e afecto. (Revista Cláudia, 1962);
• A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar a uma mulher que não tenha resistido a experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Cláudia, 1962);
• A desarrumação na casa de banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1965).

A conclusão a que todos os homens chegam é a de que já não se publicam revistas didácticas carregadas de moral e amor como antigamente.