segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Defesa do meio ambiente

DESABAFO

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exactamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - a minha geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, as garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de serem reutilizadas, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, bastantes vezes mais.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no meu tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos de percorrer dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas dos bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A roupa secada ao ar livre: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos de bater tudo com as mãos porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha que dura cinco séculos para começar a degradar-se. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisávamos ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a electricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos e garrafas de plástico que agora enchem os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonávamos as navalhas, ao invés de deitar fora todos os aparelhos "descartáveis" e poluentes, só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o autocarro ou o eléctrico e os meninos iam nas suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhares de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a actual geração fale tanto em meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?!?

sábado, 24 de setembro de 2011

Juanes - "A Dios le pido"

Que mis ojos se despierten
Con la luz de tu mirada
Yo, a Dios le pido
Que mi madre no se muera
Y que mi padre me recuerde
A Dios le pido
Que te quedes a mi lado
Y que más nunca te me vayas, mi vida
A Dios le pido
Que mi alma no descanse
Cuando de amarte se trate, mi cielo
A Dios le pido
Por los días que me quedan
Y las noches que aún no llegan
Yo, a Dios le pido
Por los hijos de mis hijos
Y los hijos de tus hijos
A Dios le pido
Que mi pueblo no derrame tanta sangre
Y se levante mi gente,
A Dios le pido
Que mi alma no descanse
Cuando de amarte se trate, mi cielo,
A Dios le pido
Un segundo más de vida para darte
Y mi corazón entero entregarte
Un segundo más de vida para darte
Y a tu lado para siempre yo quedarme
Un segundo más de vida yo a Dios le pido
Que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y que de tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido
Y que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y que de tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido,
A Dios le pido
Que mis ojos se despierten
Con la luz de tu mirada,
yo A Dios le pido
Que mi madre no se muera
Y que mi padre me recuerde
A Dios le pido
Que te quedes a mi lado
Y que más nunca te me vayas, mi vida
A Dios le pido
Que mi alma no descanse
Cuando de amarte se trate, mi cielo 
A Dios le pido
Un segundo más de vida para darte
Y mi corazón entero entregarte
Un segundo más de vida para darte
Y a tu lado para siempre yo quedarme
Un segundo más de vida
yo a Dios le pido
Que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y quede tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido
Y que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y que de tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido,
Yo, a Dios le pido

Jennifer López - "Qué hiciste?!?"


Ayer los dos soñábamos con un mundo perfecto
Ayer a nuestros labios les sobraban las palabras
Porque en los ojos nos espiábamos en el alma
Y la verdad no vacilaba a tu mirada
Ayer nos prometimos conquistar el mundo entero
Ayer tu me juraste que este amor seria eterno
Porque una vez equivocarse es suficiente
Para aprender lo que es amar sinceramente
[REFRÁN]
Que hiciste
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Mañana que amanezca un dia nuevo em mi universo
Mañana no veré tu nombre escrito entre mis versos
No escucharé palabras de arrepentimiento
Ignoraré sin pena tu remordimiento
Mañana olvidaré que ayer yo fui tu fiel amante
Mañana ni siquiera habrá razones para odiarte
Yo borraré todos tus sueños de mis sueños
Que el viento arrastre para siempre tus recuerdos
[REFRÁN]
Que hiciste
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
[REFRÁN]
Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa

Corrupção!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O triunfo dos porcos - George Orwell

Animal Farm (O triunfo dos porcos) 
George Orwell 


No seu livro, O triunfo dos porcos, Orwell critica a sociedade de sua época, e, por conseguinte também a actual. Ele narra a história de uma quinta que tem por dono o Sr. Jones, homem maldoso, que maltrata os animais. Na verdade trata-os como a maioria dos seres humanos trata os seus. Os animais liderados por um porco chamado Major, um porco campeão de exposições, que ainda não tinha morrido por causa desses prêmios ganhos. Major não concorda com a maneira como os animais são tratados e considera-os todos iguais, começa a falar com os outros animais sobre uma revolução que eles  deveriam organizar contra toda a opressão que sofriam. A princípio os animais não concordam, mas após a morte do idealizador a revolução acontece de uma forma inesperada. Após uma noite de bebedeira Jones deixou de alimentar os animais, já era tarde e os bichos famintos invadiram a casa e expulsaram-no a ele e a todos os outros seres humanos que nela habitavam ou trabalhavam. A partir daquele momento os animais começaram a coordenar a fazenda que se chamava Quinta do Solar e a partir de então passou a ser chamada Quinta dos Bichos. Os porcos (considerados mais inteligentes passaram a comandar toda a quinta e os bichos) foram instituídos os sete mandamentos que tinham como base que todos os bichos são iguais e que eles não se deviam se misturar com os humanos. Todos trabalhavam para o bem comum, porém Napoleão o porco que liderava os bichos - começou a relacionar-se com os homens e a sua ambição foi aumentando até que ele começou a achar-se o dono da quinta e os outros animais seus servos. Os animais, com excepção dos porcos, comiam pouco e trabalhavam o tempo todo. A mudança que era para ser uma melhoria tornou-se um tormento para os bichos. Contudo, eles não viam as coisas por esse lado, Napoleão tinha um porta-voz, Garganta, que convencia os outros bichos de que tudo de ruim que lhes acontecia era sonho deles, ou simplesmente distorcia os factos. O principal objectivo dos bichos era a construção de um moinho de vento, que seria como um monumento, uma mostra de que eles eram capazes de viver sozinhos. Depois de muitos erros e de muitas lutas, até mesmo com os humanos, enfim o moinho foi construído, mas que não foi utilizado pelos bichos, apenas pelos porcos, para seu benefício próprio. No final os porcos tornaram-se iguais aos seres humanos, até pior, pois eles como animais começaram a julgar-se melhores que os outros. Negociavam com os homens e até comiam na mesma mesa que eles. Enfim tudo o que os humanos faziam era feito pelos porcos.
"Os animais são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros!"

BARRANCOS

Clique nos "links" abaixo e delicie-se com duas belas paisagens barranquenhas: A Pipa e o Castelo de Noudar.

Pipa

Castelo de Noudar

Fonte : Blogue - Estado de Barrancos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CHÁ da MEIA-NOITE!!!


A palavra Chá em Português é parecida com a palavra original em Chinês, mas completamente diferente de outras linguas europeias. Em Russo a palavra é Chai e noutros países do leste da Europa a palavra é parecida com o nosso Chá.
Em Francês, Inglês Alemão, Holandês, Italiano e até Espanhol a palavra usada para esta planta ou bebida é mais parecida com a letra T nessas línguas, como Té, Tea, Tee, Thee,  Te, Té, etc.
Porquê? Aparentemente uma parte do Chá que chegava a Portugal era separado para Transporte (ou Transbordo?) para os outros países e os sacos eram marcados com a letra T de Transporte. Os outros países recebiam sacos de T. Daí as palavras respectivas, nesses países. Imagina-se que os países do leste recebiam o Chá directamente da Rota da Seda...

Agora vamos à palavra noite!
Vejamos a coincidência?
Em muitos idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 na respectiva língua.
A letra N é o símbolo matemático de um conjunto infinito (o dos números Naturais) e o 8 deitado também simboliza infinito, ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito!!!
Português: noite = n + oito(e)
Inglês: night = n + (e)ight
Alemão: nacht = n + acht
Espanhol: noche = n + ocho(e)
Francês: nuit = n +( h)uit
Italiano: notte = n + otto(e)
Interessante, não?!?
BOA NOITE!!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor electro - "A máquina"

A Máquina (acordou)
Saber o que fazer,
Com isto a acontecer,
Num caso como o meu.
Ter o meu amor,
Para dar e pra vender,
Mas sei que vou ficar,
Por ter o que eu não tenho,
Eu sei que vou ficar.
É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero ser feliz,
É de pedir aos céus.
Porque este amor é meu,
E cedo, vou saber
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor,
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou,
Deixou de tocar.
Sentir e não mentir,
Amar e querer ficar,
Que pena é ver-te assim,
Já sem saberes de ti.
Rasguei o teu perdão,
Quis ser o que já fui,
Eu não vou mais fugir,
A viagem começou,
Porque este amor é meu
E cedo vou saber,
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor.
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou.
Deixou de tocar,
É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero é ser feliz,
É de pedir aos céus.
Porque este amor é teu,
E eu já só vou amar,
Que bom não acabou,
A máquina acordou.

sábado, 17 de setembro de 2011

ORTOGRAFIA

História da ortografia em Portugal e no Brasil
A história da ortografia da língua portuguesa pode dividir­se em três períodos:
fonético, até ao século XVI; pseudo­etimológico, desde o século XVI até 1911; moderno, desde 1911 até hoje.
Quando a língua portuguesa começou a ser escrita, quem escrevia procurava representar foneticamente os sons da fala. Esta representação, no entanto, nunca foi satisfatória. Por um lado, não havia norma e, assim, por exemplo, o som /i/ podia ser representado por i, por y, e até por h (1); a nasalidade por m, por n, ou por til, etc. Por outro lado, a ortografia conservou­se em certos casos antiquada em relação à evolução da pronúncia das palavras, como em leer (ler) e teer (ter). Nos documentos mais antigos, de qualquer modo, o que se observa é a procura de uma grafia fonética. Com o decorrer do tempo, esta simplicidade foi desaparecendo por causa da influência do Latim. Assim, começaram a aparecer grafias como fecto (feito), regno (reino), fructo (fruito), etc. Realmente, uma das características do Renascimento foi a admiração pelos tempos clássicos e, em particular, pelo Latim. Isso consolidou, por assim dizer, e levou ao extremo a influência daquela língua na escrita do Português. Daqui resultou o aparecimento de inúmeras consoantes duplas, o aparecimento dos grupos ph, ch, th, rh, que antes praticamente ninguém usava. Por outro lado, já nesse tempo, tal como hoje, a ignorância e o pretensiosismo se aliavam para produzir os maiores disparates, tais como, por exemplo, lythographia, typoia, lyrio, etc. (2)(3). É por esta razão que se chama pseudo­etimológico ao período em que esta tendência se impôs. Isto é, queria­se pretensiosamente fazer etimológica a ortografia, mas a ignorância não deixava ir além da pseudo­etimologia. Além disso, segundo J. J. Nunes (4), "por este processo [o da procura da grafia etimológica] recuavam­se bastantes séculos, fazendo ressurgir o que era remoto, e punha­se de lado a história do nosso idioma...".
Deve­se dizer que cedo começou a haver reacções simplificativas. Por exemplo, Duarte Nunes de Leão, um dos primeiros gramáticos portugueses, reprova a pseudo­etimologia nascente em "Ortographia da lingoa portuguesa", livro de 1576. Outro gramático que se opôs a esta ortografia complicada foi Álvaro Ferreira de Vera, no seu livro "Ortographia ou arte para escrever certo na lingua portuguesa" (1633) (5). Também D. Francisco Manuel de Melo (século XVII) usou, pelo menos na sua obra "Segundas três musas do Melodino", uma ortografia simplificada em que quase não havia consoantes dobradas, o ph era substituído por f, e o ch com som /k/ era substituído por qu (pharmacia ­> farmacia, Achilles ­> Aquiles) (3).
No século seguinte, o XVIII, o célebre Luís António Verney apresentou também a sua proposta de ortografia simplificada e, mais do que isso, publicou nessa ortografia a sua grande obra "O verdadeiro método de estudar".
O que é certo, porém, é que, na quase totalidade dos escritos, principalmente a partir da publicação em 1734 da "Ortographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a lingua portugueza" de João de Morais Madureyra Feyjó, se procurava a grafia mais complicada. Note­se, no entanto, que, apesar de tudo, o número de acentos era bastante restrito e empregue em casos e para fins algo diferentes dos actuais.No princípio do século XIX, também Garrett defendia a simplificação ortográfica e criticava a ausência de norma. Nesse mesmo século proliferaram os pretendentes a reformadores da ortografia. Além de Garrett, pode­se mencionar, por exemplo, Castilho, como um dos mais conhecidos.
No decorrer do século XIX, começou a compreender­se a falta de justificação de muitas das grafias complicadas que então se usavam, mas, por outro lado, caiu­se no extremo de, mesmo aqueles sem quaisquer habilitações para tal, desatarem a simplificar disparatadamente. O resultado foi que, no fim do século XIX, a desordem ortográfica era total. Cada um escrevia como lhe parecia melhor.
Assim, em 1911, o Governo nomeou uma comissão para estabelecer a ortografia a usar nas publicações oficiais. Desta comissão fazia parte o insigne foneticista Gonçalves Viana, que já em 1907 apresentara um projecto de ortografia simplificada. O trabalho da comissão consistiu praticamente em adoptar o que propunha Gonçalves Viana e a nova ortografia foi oficializada por portaria de 1 de Setembro de 1911. Esta reforma da ortografia, a primeira oficial em Portugal, foi profunda e modificou completamente o aspecto da língua escrita, aproximando­o muito do actual. Foi, pode dizer­se, uma mudança verdadeiramente radical e feita sem qualquer acordo com o Brasil. Ao fazer desaparecer muitas consoantes dobradas, e os grupos ph, th, rh, etc., a reforma, afinal, fazia desaparecer os exageros do período pseudo­etimológico e promovia um "regresso" ao período fonético. Por isso, é que, a propósito das muitas reacções adversas que houve na altura, escrevia J.J. Nunes (6), em 1918: "Pena é que a ortografia nova, que, em rigor, é velha, não seja compreendida por todos, ou antes, que se não queira ver a sua justeza, acabando­se de vez com os desconchavos que ainda perduram, quase sempre resultantes da ignorância...". Como estas palavras continuam actuais !
O essencial da reforma ortográfica de 1911 foi acabar com o despotismo da etimologia, aproximando a ortografia oficial de uma escrita fonética. Aproximando, apenas, note­se, dado que, apesar de tudo, se fizeram vastas concessões a hábitos anteriores, como era o caso de manter inúmeras consoantes mudas, com um ou outro pretexto (homem, directo, sciência, etc.).
Um ponto em que a reforma foi incoerente e em que se afastou da tradição dos primeiros tempos do Português escrito foi a introdução profunda de acentos. Em particular, passaram a ser acentuadas todas as palavras esdrúxulas, o que não acontecia antes.
A seguir à reforma de 1911, houve vários ajustamentos efectuados por portarias de 19.11.1920, 23.09.1929, e 27.05.1931. A grande reforma seguinte foi a resultante do acordo ortográfico Portugal­ Brasil de 1945, a qual, ligeiramente alterada por um decreto de 1971, deu origem à ortografia oficial que até agora se usou em Portugal. Note­se, de passagem, que o acordo de 1945 anulou algumas modificações introduzidas em 1911 e 1931.
Vejamos o que entretanto se passava no Brasil. No século XIX, a ortografia no Brasil estava no mesmo estado que em Portugal. Pode­se dizer que havia unidade... no caos.
Em 1907, a Academia Brasileira de Letras tivera em estudo um projecto de reforma análogo ao de Gonçalves Viana, que, como vimos, levou à reforma portuguesa de 1911. Neste projecto, embora baseado no do foneticista português, colaboraram vários brasileiros ilustres, como Euclides da Cunha, Rui Barbosa e outros (7). Isto mostra que, em ambos os países, há muito se sentia a necessidade de modificar a ortografia. O mesmo, aliás, se passava noutros países e tinham sido e viriam a ser feitas reformas em vários deles, como se verá mais à frente.
O projecto da Academia Brasileira de Letras de 1907 acabou por não ir por diante e, por outro lado, Portugal cometeu o absurdo erro de avançar sozinho para a reforma. Assim, e apesar de a reforma portuguesa ser defendida sem alterações, para uso no Brasil, por filólogos brasileiros do calibre de
Antenor Nascentes e Mário Barreto, o certo é que, durante alguns anos, ficaram os dois países com ortografias completamente diferentes: Portugal com uma ortografia moderna, o Brasil com a velha ortografia pseudo­etimológica.
Foi em 1924 que as duas Academias, a Brasileira de Letras e a das Ciências de Portugal, resolveram procurar uma ortografia comum. Claro que, para isso, o Brasil teria que se aproximar de Portugal, que, na altura, caminhava na frente. Houve em 1931 um acordo preliminar entre as duas Academias, em que se adoptava praticamente a ortografia portuguesa. Assim se iniciou o processo de convergência das ortografias dos dois países com um reconhecimento quase total, por parte do Brasil, da superioridade da ortografia portuguesa. Contudo, os vocabulários que se publicaram, em 1940 (Academia das Ciências de Portugal) e 1943 (Academia Brasileira de Letras), continham ainda algumas divergências. Por isso, houve, ainda em 1943, em Lisboa, uma Convenção Ortográfica, que deu origem ao Acordo Ortográfico de 1945. Este acordo tornou­se lei em Portugal pelo Decreto 35 228 de 08.12.45, mas no Brasil não foi ratificado pelo Congresso; e, por isso, os Brasileiros continuaram a regular­se pela ortografia do Vocabulário de 1943.
Em 1971, novo acordo entre Portugal e o Brasil aproximou um pouco mais a ortografia do Brasil da de Portugal. Tratou­se de cedência brasileira, mais uma vez. O acordo teve a sorte de ser oficializado sem burburinho. Note­se aqui que, do ponto de vista absoluto, ambas as grafias eram nesta altura perfeitamente razoáveis e sua única desvantagem era apresentarem ainda algumas diferenças. Não fosse isso, seria, de facto, inútil "mexer" mais.
Em 1973, recomeçaram as negociações e, em 1975, as duas Academias mais uma vez chegaram a acordo, o qual "não foi contudo transformado em lei, pois circunstâncias adversas de vária ordem não permitiram uma consideração pública da matéria" (8).
Em 1986, o Presidente José Sarney tentou resolver o assunto, que há longo tempo se arrastava, e promoveu o encontro dos sete países de língua portuguesa no Rio de Janeiro. Deste encontro, mais uma vez saíu um acordo ortográfico e mais uma vez o acordo não foi por diante, devido a um surpreendente alarido que se levantou em Portugal. Este alarido, longe de ser resultado de defeitos do acordo, deveu­se sobretudo a uma confrangedora ignorância do assunto por parte dos pouco ponderados adversários da união ortográfica. Mas a verdade é que o acordo foi suspenso.
O pior é que se concluiu este ano novo acordo, dito "mais moderado", mas na verdade mais incoerente, e exposto, este sim, a críticas com fundamento. Os responsáveis portugueses pelo Acordo de 1986, que garantia uma unificação quase total da ortografia da língua, cederam aos auto­proclamados donos da Cultura Nacional e, agora, em 1990, produziram um acordo imperfeito, que não unifica, cheio de grafias duplas, defeitos estes que são deslealmente aproveitados pelos detractores que os causaram. É o castigo da demagogia. Enfim, se encarado como transitório, como mais uma pequena dose de mudança sem dor para não assarapantar o profanum vulgum, este acordozito é um passo na direcção certa. Para mim, no entanto, o método correcto seria fazer a unificação total de uma só vez e liquidar definitivamente o problema.

REFERÊNCIAS
• (1) ­ Nunes, José Joaquim ­ Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 193
• (2) ­ idem, p. 196
• (3) ­ Fonseca, Fernando ­ O Português entre as línguas do mundo, Livraria Almedina, Coimbra, 1985, p. 326
• (4) ­ Nunes, José Joaquim ­ Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 196
• (5) ­ Cuesta, Pilar Vasquez ­ Gramática da língua portuguesa, Edições 70, Lisboa, 1980, p. 338
• (6) ­ Nunes, José Joaquim ­ Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 198
• (7) ­ Carmo Vaz, Álvaro ­ Código de escrita, Livros técnicos e científicos, Lisboa, 1983, p. 112
• (8) ­ Protocolo de Acordo Ortográfico de 1986
ORTOGRAFIAS

por Manuel Mendes de Carvalho (1990, com algumas notas de actualização, 1996)