terça-feira, 3 de maio de 2011

A propósito da "geração à rasca"

A geração dos meus pais não foi uma geração à rasca. Foi uma geração com capacidade para se desenrascar.
Numa terriola do Minho (ou de qualquer outra zona do país)as condições de vida não eram as melhores. Mas o meu pai António (José, Manuel...) não ficou de braços cruzados à espera do Estado ou de quem quer que fosse para se desenrascar. Veio para Lisboa, aos 14 anos, onde um seu irmão, um pouco mais velho, o Artur, já se encontrava. Mais tarde veio o Joaquim, o irmão mais novo.
Apenas sabendo tratar da terra e do pastoreio, perdidos na grande e desconhecida Lisboa, lançaram-se à vida. Porque recusaram ser uma geração à rasca fizeram uma coisa muito simples.
Foram trabalhar.
Não havia condições para fazer o que sabiam e gostavam. Não ficaram à espera. Foram taberneiros. Foram carvoeiros.
Fizeram milhares de bolas de carvão e serviram milhares de copos de vinho ao balcão. Foram simples empregados de tasca. Mas pouparam. E quando surgiu a oportunidade estabeleceram-se como comerciantes no ramo.
Cada um à sua maneira, foram-se desenrascando. Porque sempre assumiram as suas vidas pelas suas próprias mãos. Porque sempre acreditaram neles próprios.
E nós, eu e os meus primos, nunca passámos por necessidades básicas.
Nós, eu e os meus primos, sempre tivemos a possibilidade de acesso ao ensino e à formação como ferramentas para o futuro.
Uns aproveitaram melhor, outros nem tanto, mas todos tiveram as condições de que necessitaram.
E é este o exemplo de vida que, ainda hoje, com 60 anos, me norteia e me conduz.
Salvaguardadas as diferenças dos tempos, mantenho este espírito. Não preciso das ajudas do Estado. Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se...
Não preciso também das ajudas dos  familiares que também têm as suas próprias vidas, nem das ajudas dos vizinhos e amigos. Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.
Preciso de mim.
Só de mim.
E, por isso, não sou, nunca fui, de qualquer geração à rasca. Porque me desenrasco. Porque sempre me desenrasquei.

O mal desta auto-intitulada "geração à rasca" é a incapacidade que revelam. Habituados, mal habituados, a ter tudo de mão beijada. Habituados, mal habituados, a não precisar de lutar por nada, porque tudo lhes foi sendo oferecido. Habituados, mal habituados, a pensar que lhes bastaria um canudo de um qualquer curso, dito superior, para ter garantida a eterna e fácil prosperidade.
Sentem-se, então,  desiludidos!!!
E a culpa desta desilusão é dos "papás" que os convenceram que a vida é um mar de rosas. Mas não é
.
É altura de aprender a ser humildes. É altura de fazer opções. Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não encontram emprego "digno". Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não conseguem ganhar o dinheiro que possa sustentar, de imediato, a vida que os acostumaram a pensar ser facilmente conseguida.
Experimentem dar tempo ao tempo, e entretanto, deitem a mão a qualquer coisa. Mexam-se. Trabalhem
. Ganhem dinheiro.
Na loja do Shopping.
Porque não?
Aaaahhh porque é Doutor...
Doutor em loja de Shopping não dá status social.
Pois não.
Mas dá algum dinheiro.
E logo chegará o tempo em que irão encontrar o tal e ambicionado emprego "digno".
O tal que dá status.
Geração à rasca?
Vão trabalhar que isso passa!!!
"e-mail" a circular na "net" (adaptado)

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