CAVALO À SOLTA
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve
breve instante da loucura.
breve instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr
contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma
amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do
meu trigo.
Minha ousadia
minha aventura
minha coragem de correr
contra a ternura.
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Fernando Tordo
In, Festival da Canção RTP 1971
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