sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Poesia espanhola

Federico García Lorca
Frederico García Lorca, nasceu em Funtes Vaqueros (Granada) a 5 de Junho de 1898 e a 19 de Agosto de 1936 foi assassinado, pela mão dos republicanos, nos arredores de Granada. Tinha 38 anos. Ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou os seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseiam-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto "jondo", 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).
Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período dos seus poemas surrealistas, manifestando o seu desprezo pelo modus vivendi estadounidense. Expressou o seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940.
Voltando a Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava as suas ideias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do século XX.
Intimidado, Lorca voltou para Granada, na Andaluzia, na esperança de encontrar um refúgio. Ali, porém, teve sua prisão determinada por um deputado católico, sob o argumento (que se tornou célebre) de que ele seria "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver".
Assim, num dia de Agosto de 1936, sem julgamento, o grande poeta foi executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e o seu corpo foi enterrado algures na Serra Nevada. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade - e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta. Foi um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.
Assim como muitos artistas - e a obra Guernica, de Pablo Picasso -, durante o longo regime ditatorial do Generalíssimo Franco, suas obras foram consideradas clandestinas em Espanha.
Com o fim do regime, e a volta do país à democracia, finalmente sua terra natal veio a render-lhe homenagens, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes. Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como "geração de 27", alinhando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. A sua música se reflecte no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram a sua posição como grande dramaturgo.
Bibliografia:
Na sua curta existência, Federico García Lorca deixou importantes obras-primas da literatura, muitas delas publicadas postumamente, de entre as quais:
Poesia
Livro de Poemas - 1921
Ode a Salvador Dalí - 1926
Canciones (1921-24) - 1927
Romancero gitano (1924-27) - 1928
Poema del cante jondo (1921-22) - 1931
Ode a Walt Whitman - 1933
Canto a Ignacio Sánchez Mejías - 1935
Seis poemas galegos - 1935
Primeiras canções (1922) - 1936
Poeta em Nueva York (1929-30) - 1940
Divã do Tamarit - 1940
Sonetos do Amor Obscuro - 1936
Prosa
Impressões e Paisagens - 1918
Desenhos (publicados em Madrid) - 1949
Cartas aos Amigos - 1950
Teatro
Assim que passarem cinco anos - Lenda do tempo - 1931
Retábulo de Don Cristóvão e D.Rosita - 1931
Amores de Dom Perlimplim e Belisa em seu jardim - 1926
Mariana Pineda - 1925
Dona Rosinha, a solteira - 1927
Bodas de Sangue - 1933
Yerma - 1934
A Casa de Bernarda Alba - 1936
Quimera - 1930
O Público - 1933
O sortilégio da mariposa - 1918
A sapateira prodigiosa - 1930
Pequeno retábulo de Dom Cristóvão - 1931

GRANADA

Granada, calle de Elvira,
donde viven las manolas,
las que se van a la Alhambra,
las tres y las cuatro solas.
Una vestida de verde,
otra de malva, y la otra,
un corselete escocés
con cintas hasta la cola.
Las que van delante, garzas
la que va detrás, paloma,
abren por las alamedas
muselinas misteriosas.
¡Ay, qué oscura está la Alhambra!
¿Adónde irán las manolas
mientras sufren en la umbría
el surtidor y la rosa?
¿Qué galanes las esperan?
¿Bajo qué mirto reposan?
¿Qué manos roban perfumes
a sus dos flores redondas?
Nadie va con ellas, nadie;
dos garzas y una paloma.
Pero en el mundo hay galanes
que se tapan con las hojas.
La catedral ha dejado
bronces que la brisa toma;
El Genil duerme a sus bueyes
y el Dauro a sus mariposas.
La noche viene cargada
con sus colinas de sombra;
una enseña los zapatos
entre volantes de blonda;
la mayor abre sus ojos
y la menor los entorna.
¿Quién serán aquellas tres
de alto pecho y larga cola?
¿Por qué agitan los pañuelos?
¿Adónde irán a estas horas?
Granada, calle de Elvira,
donde viven las manolas,
las que se van a la Alhambra,
las tres y las cuatro solas.

1 comentário:

  1. Bem escolhido o poema de Garcia Lorca.
    Agora já sei quem é o meu 2º seguidor.
    Um abraço,
    G.M.

    ResponderEliminar