domingo, 26 de fevereiro de 2012

Italiano

A origem da língua italiana
A Europa era uma confusão de inúmeros dialectos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas distintos: francês, português, espanhol, italiano…
O que aconteceu em França, em Portugal e em Espanha foi uma evolução orgânica: o dialecto da cidade mais proeminente se tornou, aos poucos, na língua oficial de toda a região. (?!?)
Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboeta. O espanhol é essencialmente o madrilenho. Essas são vitórias capitalistas; a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro. (!!!)
Em Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália nem sequer era um país. Ela só se unificou bem tarde, em 1861 e, até então, era uma península de Cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras potências europeias. Partes da Itália pertenciam à França, partes à Espanha, partes à Igreja, e partes a quem quer que conseguisse conquistar a fortaleza ou o palácio local.
O povo italiano mostrava-se alternativa-mente humilhado e conformado com toda esta dominação. A maioria não gostava muito de ser colonizada pelos seus co-cidadãos europeus, mas sempre havia aqueles apáticos que diziam: "Franza o Spagna, purchè se magna" que significa: "França ou Espanha, contanto que se coma".
Toda esta divisão interna significa que a Itália nunca se unificou adequadamente, e o mesmo aconteceu com a língua italiana. Assim, não é de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialectos locais incompreensíveis para quem era de outra região.
Um cientista florentino mal conseguia  comunicar-se com um poeta siciliano ou com um comerciante veneziano (excepto em latim, que não era considerada a língua nacional).
No século XVI, alguns intelectuais italianos juntaram-se e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialectos locais e o baptizou de italiano.
Para encontrar o dialecto mais bonito, eles precisaram recuar duzentos anos, até à Florença do século XIV e decidiram que a partir daquele momento aquela que seria considerada a língua italiana correcta seria a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri.
Ao publicar a sua "Divina Comédia", em 1321, descrevendo detalhadamente uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante tinha chocado o mundo letrado ao não escrever em latim, pois ele considerava o latim um idioma corrupto, elitista, e achava que o seu uso na prosa respeitável tinha prostituído a literatura, transformando a narrativa universal em algo que só podia ser comprado com dinheiro, por meio dos privilégios de uma educação aristocrática. Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino falado pelos moradores da cidade (o que incluía ilustres contemporâneos seus, como Boccaccio e Petrarca), e usou este idioma para contar a sua história.
Ele escreveu a sua obra-prima no que chamava de "dolce stil nuovo", o doce estilo novo do vernáculo, e moldou esse vernáculo ao mesmo tempo que escrevia, atribuindo-lhe uma personalidade de uma forma tão pessoal quanto Shakespeare um dia faria com o inglês elizabetano.
O facto de um grupo de intelectuais nacionalistas se reunir muito mais tarde e decidir que o italiano de Dante seria, a partir daquela data, a língua oficial da Itália seria mais ou menos como se um grupo de académicos de Oxford se tivesse reunido um dia no século XIX e decidido que daquele ponto em diante toda a gente em Inglaterra iria falar o puro idioma de Shakespeare.
E a manobra realmente funcionou.
O italiano que hoje se fala e utiliza, não é portanto o romano ou o veneziano (embora essas cidades fossem poderosas do ponto de vista militar e comercial), e nem sequer é inteiramente florentino. O idioma é fundamentalmente dantesco.
Nenhum outro idioma europeu tem uma linhagem tão artística. E, talvez, nenhum outro idioma jamais tenha sido tão perfeitamente ordenado para expressar os sentimentos humanos quanto este italiano florentino do século XIV, embelezado por um dos maiores poetas da civilização ocidental.
Dante escreveu a sua "Divina Comédia" em "terza rima", terça rima, uma cadeia de versos em que cada rima se repete três vezes a cada cinco linhas, o que dá a esse belo vernáculo florentino o que os estudiosos chamam de ritmo em cascata - ritmo esse que sobrevive até hoje no falar cadenciado e poético dos taxistas, funcionários públicos italianos e população em geral.
A última linha da "Divina Comédia", em que Dante se depara com a visão de Deus em pessoa, é um sentimento que ainda pode ser facilmente compreendido por quem conheça o chamado italiano moderno.
Dante escreve que Deus não é apenas uma imagem ofuscante de luz gloriosa, mas que Ele é, acima de tudo, "l'amor che move Il sole e l'altre stelle…" O amor que move o sol e as outras estrelas…

Nota: texto difundido informaticamente, de origem desconhecida e de veracidade duvidosa, porém interessante. (adaptado)

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