segunda-feira, 30 de outubro de 2023

O CONTO DO VELHO RELÓGIO

 Um Pai antes de morrer disse ao seu filho:

- Este é um relógio que o teu avô me deu. Tem mais de 200 anos. Mas antes de to entregar, peço-te que vás à relojoeiro do centro, diz-lhes que queres vendê-lo, para veres quanto ele vale.

O filho foi. Depois voltou e disse ao pai:

– O dono da relojoaria paga-me 5 euros, porque diz que ele é velho.

O Pai disse-lhe:

– Vai ao café e pergunta ao dono quanto é que te dá por ele.

O filho foi. Depois voltou, e disse:

– Pai, também me pagam 5 euros.

– Muito bem. Peço-te, por último, que vás ao museu e mostres o relógio ao diretor.

Ele saiu e algum tempo depois voltou. Disse então ao pai:

– Não vai acreditar. O diretor disse-me que este relógio vale 250 mil euros!!!

Então, o Pai disse-lhe:

– Queria que percebesses que no lugar certo avaliarão o teu valor da forma correta. Não escolhas o lugar errado. E se o fizeres, não te revoltes se não te valorizam.

Quem conhece o teu valor irá apreciar-te. Saberás então que esse é o lugar certo para ti.

Moral da história: Não te demores onde não te valorizam!!!

in, Mala d’estórias 




Invitation de la Folie!

(fable de Jean de la Fontaine).

La Folie décida d'inviter ses amis pour prendre un café chez elle.
Tous les invités y allèrent.
Après le café la Folie proposa :
- On joue à cache-cache ?
- Cache-cache ? C'est quoi, ça ? demanda la Curiosité. 
- Cache-cache est un jeu. Je compte jusqu'à cent et vous vous cachez. Quand j'ai fini de compter… je cherche, et le premier que je trouve sera le prochain à compter.  

Tous acceptèrent, sauf la Peur et la Paresse. 

- 1, 2, 3…La Folie commença à compter. 
L'Empressement se cacha le premier, n'importe où. 
La Timidité, timide comme toujours, se cacha dans une touffe d'arbre.
La Joie courut au milieu du jardin.

La Tristesse commença à pleurer, car elle ne trouvait pas d'endroit approprié pour se cacher.
L'Envie accompagna le Triomphe et se cacha près de lui derrière un rocher.
La Folie continuait de compter tandis que ses amis se cachaient.
Le Désespoir était désespéré en voyant que la Folie était déjà à 99.
CENT ! cria la Folie, je vais commencer à chercher.

La première a être trouvée fut la Curiosité, car elle n'avait pu s'empêcher de sortir de sa cachette pour voir qui serait le premier découvert.
En regardant sur le côté, la Folie vit le Doute au-dessus d'une clôture ne sachant pas de quel côté il serait mieux caché. 
Et ainsi de suite, elle découvrit la Joie, la Tristesse, la Timidité... 
Quand ils étaient tous réunis, la Curiosité demanda :
- Où est l'Amour ? 
Personne ne l'avait vu.
La Folie commença à le chercher. Elle chercha au-dessus d'une montagne, dans les rivières au pied des rochers.
Mais elle ne trouvait pas l'Amour. 
Cherchant de tous côtés, la Folie vit un rosier, prit un bout de bois et commença à chercher parmi les branches, lorsque soudain elle entendit un cri : C'était l'Amour, qui criait parce qu'une épine lui avait crevé un œil.
La Folie ne savait pas quoi faire. Elle s'excusa, implora l'Amour pour avoir son pardon et alla jusqu'à lui promettre de le suivre pour toujours.  
L'Amour accepta les excuses.   Aujourd'hui, l'Amour est aveugle et la Folie l'accompagne toujours...

 

Joli, n’est-ce pas!?!



NÃO QUERO, NÃO

Não quero, não

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

Quero um cavalo só meu,

seja baio ou alazão,

sentir o vento na cara,

sentir a rédea na mão.

Não quero, não quero, não

ser soldado nem capitão.

Não quero muito do mundo:

quero saber-lhe a razão,

sentir-me dono de mim,

ao resto dizer que não.

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

Eugénio de Andrade


¿DE DÓNDE VIENEN LAS TAPAS?

3 teorías:

1

En la Edad Media, durante el reinado de Alfonso X el Sabio en el siglo XIII, se dice que debido a una enfermedad que padeció, se vio obligado a tomar algunos sorbos de vino por prescripción facultativa, y para evitar los efectos del alcohol, tomaba pequeños bocados entre horas acompañando a la bebida.

2

Durante el reinado de los Reyes

Católicos, debido al aumento de los incidentes causados por los carreteros a la salida de las tabernas, a causa de la gran cantidad de cerveza y vino ingeridos, se obligó a los taberneros a servir la copa de vino o la jarra de cerveza con una tapa.

3

Un tercer cuento popular dice que el sobrenombre de "tapa" surgió cuando los Reyes Católicos, yendo de visita a

Cádiz, un día de viento, pararon taberna. Para evitar que entrara arena en la copa de vino, el tabernero la cubrió con una loncha de jamón y diciendo estas palabras: "Aquí tiene su tapa, majestad".

in, ICLE - Instituto de Cultura e Língua Espanhola






Falsos amigos

Aprender uma língua é como explorar um novo território cheio de surpresas. Estes falsos cognatos/amigos podem pegar-nos de surpresa, mas também tornam a jornada ainda mais interessante.

Palavras em espanhol que parecem do português, mas não são a mesma coisa

1. Aceite

Em Português, “aceite” significa concordar com algo. Já em Espanhol, “aceite” é uma variedade de óleos, não se limitando apenas ao azeite.

2. Apellido

Parece uma forma carinhosa de chamar alguém íntimo em Português do Brasil, certo? Mas em Espanhol, “apellido” significa sobrenome ou apelido.

3. Acordarse

Se pensa que “acordarse” é o mesmo que “acordar” em Português, errou. Em Espanhol, “acordarse” é lembrar-se de algo.

4. Aula

Em Espanhol, “aula” não é o período de aprendizagem, mas sim a sala de aula em si. Em Português, a palavra “aula” refere-se ao tempo de ensino.

5. Brinco

Em Português, “brinco” é um adorno para a orelha. Em Espanhol, “brinco” é pulo, o ato de saltar.

6. Botiquin

Em Português, pode-se pensar que se refere a um pequeno bar, certo? Errado! Em Espanhol, “botiquin” é a mala de primeiros socorros.

7. Chulo

Em Português, “chulo” é algo grosseiro, indelicado ou imoral. Mas em Espanhol, tem um significado positivo, referindo-se a algo bonito ou fofo.

8. Cola

Enquanto em Espanhol, “cola” se refere a uma fila de pessoas ou ao rabo de um animal, em Português, é um líquido ou substância adesiva.

9. Copa

Em Português, “copa” pode indicar o local onde fica uma pequena cozinha. Em Espanhol, é a taça em si.

10. Crianza

Parece que “crianza” se refere a uma criança em Português, mas na realidade, na outra língua, é o substantivo para criação.

11. Embarazo

Em Português, “embarazo” soa como uma situação constrangedora. Porém, em Espanhol refere-se à gravidez.

12. Exquisito

Em Português, “exquisito” parece descrever algo fora do comum. Já em Espanhol refere-se a algo requintado ou delicioso.

13. Fecha

Em Português, “fecha” é o ato de fechar algo. Mas em Espanhol, é usado para se referir a uma data específica.

14. Taza

Em Espanhol refere-se ao objeto para beber café, chá ou leite, enquanto em Português diz-se chávena, ou então é uma taça de vinho ou champanhe.

UMA GOTA DE MEL

(“Jogo teatral”, inspirado num conto da tradição oral da Arménia, redigido por Hovanés Tumanian, editado em francês, em 1938, pelo dramaturgo e pedagogo Léon Chancerel e traduzido para português pelo encenador, escritor e artista plástico António Pedro.)

 

–   Era uma vez...

–   Um bom merceeiro. (dar um passo em frente)

–   Era uma vez...

–   Um bom pastor. (dar um passo em frente)

–   É verdade que foi assim,

–   Foi assim que tudo começou,

–   Numa bela noite de verão.

–   Isto começou, porque numa noite, numa serena e clara noite de verão...

–   Um forte, alto, belo e bom pastor entrou –com o seu perdigueiro- na loja do merceeiro.

–   Senhor merceeiro, tem mel para vender? (dirigir-se ao merceeiro)

–   Mel excelente, meu bom pastor... bem medido e a preço razoável!

–   Falavam assim, fraternalmente, durante uma serena e clara noite de verão, o vendedor e o cliente.

–   O pastor e o merceeiro. (em tom esclarecedor)

–   Ora, enquanto o bom merceeiro pesava honestamente o mel...

–   O belo mel, cor de âmbar, que as louras irmãs abelhas extraíram das flores vermelhas... (em tom esclarecedor)

–   TIC, uma gota... (todos)

–   Uma gota de mel, cor de âmbar. (apontando para o chão)

–   No chão da loja. (em tom esclarecedor)

–   Uma gotazinha se entornou! (todos)

–   Sim, foi assim que tudo começou! Ora... (recuar para o lugar inicial)

–   ZZZzzzzzzz... (todos olham para o ar à procura da mosca)

–   Uma mosca! (em tom de descoberta)

–   Uma moxxxca! (em tom de descoberta, carregando na sibilante)

–   Veio pousar sobre a gota, a pequenina gota caída no chão.

–   O que entrava, naturalmente, na sua lógica de mosca! (em tom explicativo)

–   O gaaato! (olha para o lado e aponta)

–   Debaixo do armário. (em tom explicativo)

–   O gato gor-di-nho do bom merceeiro... (com ar apreciativo)

–   Já há muito que espreitava a mosca, o que entrava, naturalmente, na sua lógica de gato. (interrupção, em tom explicativo)

–   O gaaato! (chamando a atenção)

–   Miauuu! (todos)

–   O gaaato deu um salto para cima da mosca.

–   Miauuu / Fffff... Comeu-a! (todos)

–   O caããoo! (todos imitam o ladrar do cão)

–   O cãozarrão do pastor, assustado com o pulo do gato...

–   ... e julgando que era com ele, o que entrava, naturalmente, na sua lógica de cão... (interrompendo)

–   O cão... pu-lou!

–   Uãããuu! (todos)

–   E sem ser de propósito...

–   CCRRR / MIAAUUU!!! (todos)

–   O merceeiro agarra num pau...

–   Zás! Zás! Zás! (simular gesto de bater no cão)

–   Pobre do inocente cão do pastor!

–   Morto ao lado do gato! Ah, malvado não me escapas! (avançar ameaçadoramente)

–   O grande, forte e bom pastor vinga o seu fiel cão!

–   Foi precisamente assim, na loja do merceeiro, que as coisas surgiram primeiro...

–   ... em noite de verão fagueiro! (todos – agitação / discussão)

–   Assassino! (apontar)

–   Matador!

–   Prendam-no!

–   Matem-no! Matem-no! (todos)

–   Toda a cidade está amotinada. Toda a cidade está desnorteada. E os sinos a tocar, as sirenes a apitar, os bombeiros e os soldados a chegar... (gesticula isolando-se do grupo)

–   Defronte da loja, amotinada, a multidão está concentrada.

–   O crime foi premeditado.

–   O ataque foi preparado.

–   A montanha contra a planície.

–   Vingança! (em tom forte)

–   Honra ultrajada!

–   Mobilização proclamada. (em tom grave, para o público)

–   Há fogo nas aldeias. (em tom penoso)

–   Granadas nas pontes. (em tom penoso)

–   Jovens mutilados. (em tom penoso)

–   Árvores cortadas. (com pena)

–   Campos arrasados. (com pena)

–   Moças violadas. (com pena)

–   Reféns fu-zi-la-dos! E isto pode durar, para os corvos alimentar!

–   Doce mel das abelhas, fluido e açucarado...

–   Doces abelhas, quem o teria pensado?!? (PAUSA)

–   Os media pelo mundo, divulgam os comunicados. (em tom muito rápido)

–   Salvemos a civilização! Salvemos a civilização! (em tom muito rápido)

–   Quem quer tomar partido pelo direito? (energicamente) (PAUSA)

–   Pelo triunfo da justiça, troai canhões! (energicamente)

–   E sobre toda a humanidade, o manto vermelho da guerra, o cheiro empestado da guerra, o medo pairando entre os vivos, entre aqueles que escapam da guerra...

–   Porquê tudo isto? (em tom triste)

–   Porquê? (em tom de angustia)

–   Como é que chegamos a tanto?!? (em tom de revolta)

–   Como foi? (em tom triste)

–   Como foi que tudo iiiss-to começou? (em tom de revolta) (PAUSA)

–   Só havia um ofício! (em tom rápido) 

–   Só havia uma vocação! (idem)

–   A GUERRA!!! (PAUSA)

–   E a fo-me veio! (em tom pausado e bem silabado)

–   E com ela a peste! (em tom explicativo)

–   Já nem há tempo para enterrar os mortos, correm rios de sangue!

–   O fu-mo es-cu-re-ceu o céu! (em tom pausado e silabado)

–   Já não se sabe o que é uma árvore verde, uma ribeira azulada!

–   Tudo é vermelho e negro! (em tom pausado e bem silabado)

–   Espeeesso... e viscoooso! (mudando de tom) Tudo está reduzido a cinzas!

–   Sangue!

–   E laa-ma! (em tom rápido e silabado)

–   Gota de mel!!! (cada interveniente à vez e depois em uníssono) (PAUSA)

–   Mataram-se tantos e tantos, durante séculos, que um dia só ficaram, frente a frente, dois soldados. (dois intervenientes caminham um para o outro)

–   E ficaram assim, de pé, olhando-se nos olhos no momento de expirar...

–   Mas... porquê?

–   Mas... como?

–   Como é que isto começou?!?

–   Não sei!

–   Não sei! (os dois “soldados” agarram-se e vão caindo lentamente)

–   Morremos assim, sem saber porquê?!?

–   Morremos, sim, sem saber porquê!... (abraçam-se e ficam 
estáticos) (PAUSA)

–   GOTA de MEL!!! (em coro)

–   Numa bela noite de verão!!! (em coro)

FIM


A lenda da Moura Salúquia

Segundo a lenda, a princesa Salúquia, filha de Abu-Hassan e governadora da cidade então chamada Al-Manijah, apaixonou-se por Bráfama, alcaide mouro de Aroche. Na véspera do matrimónio, Bráfama dirigiu-se com uma comitiva para Al-Manijah, a dez léguas de distância. Mas todo o território alentejano a norte e oeste tinha já sido conquistado pelos cristãos e a jornada revelava-se perigosa.  Entretanto, D. Afonso Henriques encarregara dois fidalgos, os irmãos Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues de conquistar a cidade, que estando ao corrente dos preparativos matrimoniais que aí se desenrolavam, emboscaram-se num olival perto dos limites da povoação. Surpreendidos pela ação dos cavaleiros cristãos, a comitiva de Aroche foi facilmente derrotada e Bráfama foi assassinado.

Disfarçando-se com as vestes dos representantes muçulmanos, os fidalgos cristãos dirigiram-se para a cidade. Salúquia estava no alto da torre do castelo, onde aguardava a chegada do seu noivo. Vendo aproximar-se um grupo de cavaleiros aparentemente islâmicos, a princesa julgou que se tratava da comitiva de Aroche, ao que ordenou que lhes franqueassem as portas da fortificação.

Mas mal transpuseram a muralha, os cristãos lançaram-se sobre os defensores da cidade, tomados de surpresa, e conquistaram o castelo. Salúquia apercebeu-se então do erro que tinha cometido e, ferida pela certeza da morte de Bráfama, tomou as chaves da cidade e precipitou-se da torre onde se encontrava.

Comovidos pela história de amor que os sobreviventes islâmicos lhes contaram, os irmãos Rodrigues teriam renomeado a cidade para Terra da Moura Salúquia. O tempo encarregar-se-ia de transformar esta designação para Terra da Moura, até que evoluíu para a actual forma de Moura.

A uma torre de taipa do Castelo de Moura ainda hoje se chama a Torre de Salúquia, e a um olival nas proximidades de Moura, aquele onde supostamente teriam sido emboscados Bráfama e a sua comitiva, o povo chama Bráfama de Aroche.

Nas armas da cidade figura, uma moura morta no chão, com uma torre em segundo plano, numa alusão à lenda da Moura Salúquia.



in, Alentejo - Terra e Gente [Joaquim Pedro] (adaptado)