quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SANTA MARIA

Os factos
O assalto e desvio do paquete Santa Maria, planeado e levado a cabo pelo capitão Henrique Galvão, um dissidente do Estado Novo, contribuiu para evidenciar o isolamento político internacional do regime de António de Oliveira Salazar.

Henrique Carlos da Malta Galvão (Barreiro, 4 de Fevereiro de 1895 — São Paulo, 25 de Junho de 1970) foi um capitão do exército, explorador-naturalista, e escritor português. Ficou mundialmente famoso, em 1961, por ter organizado e comandado o assalto ao paquete "Santa Maria", numa tentativa de provocar uma crise política contra o regime de Salazar.
Henrique Galvão desde cedo seguiu a carreira militar. Foi um dos apoiantes de Sidónio Pais. Foi administrador do concelho de Montemor-o-Novo. Participou na revolução de 28 de Maio de 1926 e foi um ferveroso salazarista. Foi Comissário Geral da Exposição Colonial Portuguesa, realizada no Porto, em 1934. Nesse mesmo ano foi nomeado como primeiro director da Emissora Nacional. Mais tarde, esteve em África, onde organizou acções de propaganda. Foi governador de Huíla. Angola inspirou-lhe a veia literária, tendo escrito uma série de livros brilhantes sobre a vida nas colónias africanas, a sua antropologia e zoologia.
No início da década de 50, Henrique Galvão desiludiu-se com o regime de Salazar e começou a conspirar com outros militares, mas acabou por ser descoberto, preso e expulso do exército. Em 1959, aproveitando uma ida ao Hospital de Santa Maria, fugiu e refugiou-se na embaixada da Argentina, tendo conseguido exílio político na Venezuela. Henrique Galvão era, com Humberto Delgado, uma figura extremamente popular nos meios oposicionistas não afectos ao PCP. Para o Partido Comunista, Portugal ainda não estava pronto para a revolução, enquanto Galvão achava que não havia tempo a perder. Foi durante o exílio que começou a preparar aquela que seria a sua acção mais espectacular: o desvio de um paquete cheio de passageiros, a que deu o nome de "Operação Dulcineia". Coordenou esta acção com Humberto Delgado, que estava exilado no Brasil.
O navio escolhido foi o paquete "Santa Maria", que tinha largado em 9 de Janeiro de 1961 para uma viagem regular até Miami. Galvão embarcou clandestinamente no navio, em Curaçao, Antilhas Holandesas. A bordo já se encontravam os 20 elementos da Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação, grupo que assumiria a responsabilidade pelo assalto. O navio levava cerca de 612 passageiros, muitos norte-americanos, e 350 tripulantes. A operação começou na madrugada de 21 de Janeiro, com a ocupação da ponte de comando. Um dos oficiais de bordo ofereceu resistência e foi morto a tiro; os restantes renderam-se. O paquete mudou de rumo e partiu em direcção a África. Henrique Galvão queria dirigir-se à ilha espanhola de Fernando Pó, no golfo da Guiné, e a partir daí atacar Luanda, que seria o ponto de partida para o derrube dos governos de Lisboa e Madrid. Um plano megalómano e quixotesco, condenado ao fracasso, mas que chamaria as atenções internacionais para a ditadura salazarista.
As coisas começaram a complicar-se quando o navio foi avistado por um cargueiro dinamarquês, que avisou a guarda costeira americana. Daí até à chegada dos navios de guerra foi um ápice. Vendo que tudo estava perdido, Henrique Galvão decidiu rumar ao Recife e render-se às autoridades brasileiras, pedindo asilo político, que foi aceite.
Henrique Galvão, morreu em São Paulo, em 25 de Junho de 1970, com a doença de alzheimer.
O filme:
"Assalto ao Santa Maria", filme de Francisco Manso
Sinopse: Zé é um jovem emigrante português que em 1960 passa por um período difícil na Venezuela – o trabalho é escasso e as perspectivas poucas para tantos sonhos.
O acaso coloca no seu caminho o capitão Henrique Galvão, um dos mais proeminentes opositores do regime do ditador Salazar.
Fascinado por Galvão, Zé junta-se a um grupo de exilados políticos portugueses e galegos que, sob o comando do militar português, preparam a mais sensacional acção de protesto jamais levada a cabo: o assalto e ocupação do paquete “Santa Maria”, jóia da coroa da marinha lusitana.
O assalto, que começa no dia 21 de Janeiro de 1961, no porto venezuelano de La Guaira, leva Henrique Galvão e os seus homens a navegar pelo Atlântico Sul durante onze dias inesquecíveis. Perseguidos pela esquadra americana e escrutinados pela imprensa internacional, os assaltantes do “Santa Maria” têm de lutar contra as tensões internas, as tentativas de sabotagem e o descontentamento dos passageiros, ao mesmo tempo que tentam passar ao mundo uma mensagem de liberdade e esperança contra as ditaduras da Península Ibérica.
Mas para Zé essa viagem vai ser muito mais do que a aventura perigosa e visionária que a história registará. Vai ser também o palco para uma extraordinária história de amor com Ilda, uma jovem passageira portuguesa cujo destino se entrelaça inexoravelmente com o seu. Uma paixão intensa pela qual vale a pena viver, tanto quanto vale a pena morrer pelo ideal da liberdade.
Ficha Técnica:
Realização: Francisco Manso
Argumento: João Nunes e Vicente Alves do Ó
Produtor: José Mazeda
Ano: 2008
Género: Ficção, Drama e Romance
Elenco:
Pedro Cunha (Zé Ramos)
Leonor Seixas (Ilda)
Carlos Paulo (Capitão Henrique Galvão)
Alfonso Algra (Capitão José de Sotomaior)
António Cerdeira (Camilo Mortágua)
André Gomes (General Humberto Delgado)
Vítor Norte (Alfredo Enes)
Maria d’Aires (Amália Enes)
Bruno Simões (Júlio, “camarada de armas” de Zé)
João Cabral
João Maria pinto

Nota: O guionista João Nunes, que participou na escrita do argumento deste filme, tem um blogue intitulado joaonunes.com onde se pode encontrar muito bom conteúdo e ver algumas imagens do filme em questão.

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