A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que, no dia 5 de Outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.
A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, a república apresentava-se como a única capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.
Após a relutância do exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de Outubro de 1910, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Após a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à Primeira República. Entre outras mudanças, com a implantação da república, foram substituídos os símbolos nacionais: o hino nacional e a bandeira.
A bandeira:
Bandeira da República Portuguesa.
Em relação à bandeira, existiam duas tendências: uma de manter as cores azul e branca, tradicional das bandeiras portuguesas, e outra de usar cores "mais republicanas": verde e vermelho. A proposta da comissão sofreu várias alterações, sendo o desenho final rectangular, com os dois quintos próximos da haste com a cor verde e os três quintos, do lado do batente, com a cor vermelha. A cor verde foi escolhida por ser a "cor da esperança", enquanto o vermelho é uma cor "combativa, quente, viril, por excelência". Na união das duas cores, o escudo das armas nacionais orlado a branco, sobre a esfera armilar manuelina. O projecto da bandeira foi aprovado pelo Governo Provisório por um voto a 29 de Novembro de 1910. No dia 1 de dezembro foi celebrada a Festa da Bandeira, frente à Câmara Municipal de Lisboa. A Assembleia Nacional Constituinte promulgou a escolha da bandeira em 19 de Junho de 1911
O hino nacional:
A Portuguesa foi composta em 1890, com música de Alfredo Keil e letra de Henrique Lopes de Mendonça, em reação ao Ultimatum inglês. Foi utilizada também pelos revolucionários de 31 de Janeiro de 1891, razão pela qual o regime monárquico a proibiu. A Assembleia Nacional Constituinte proclamou-a como hino nacional em 19 de Junho de 1911, embora só em 4 de Setembro de 1957 tenha sido aprovada uma versão oficial que é hoje tocada em cerimónias nacionais civis ou militares e aquando da visita de chefes de estado estrangeiros, após ser ouvido o hino da nação representada.
Data: 1890 (com alterações de 1957)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil
I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta bandeira
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Ás armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!
O busto:
O busto oficial da República foi escolhido num concurso nacional promovido pela Câmara Municipal de Lisboa em 1911, do qual participaram nove escultores. É da autoria de Francisco dos Santose está actualmente exposto na Câmara Municipal, estando o gesso original no Centro Cultural Casapiano, uma vez que Francisco dos Santos fora aluno da Casa Pia de Lisboa. Existe no entanto, outro busto que foi adoptado como o rosto da República, da autoria de José Simões de Almeida e criado em 1908. O seu original encontra-se na Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos. A modelo para este busto foi Ilda Pulga, uma jovem trabalhadora do comércio do Chiado. Segundo o jornalista António Valdemar, que quando se tornou presidente da Academia Nacional de Belas-Artes mandou o escultor João Duarte restaurar o busto original que se encontrava numa arrecadação da instituição:
"O Simões achou piada à cara da rapariga e convidou-a para ser modelo. A mãe disse que autorizava mas com duas condições: que ela própria estivesse presente nas sessões e que a filha não se despisse."
O busto mostra a República com um barrete frígio, influência da Revolução Francesa. O busto de Simões foi logo adoptado pela Maçonaria, foi usado nos funerais de Miguel Bombarda e de Cândido dos Reis, mas aquando do concurso oficial, apesar de ser bastante popular, ficou em segundo lugar relativamente ao busto de Francisco dos Santos.
in, Wikipédia (adaptado)
Presidentes da República Portuguesa
I República
I República
A República Velha:
1º - Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrilongue, Partido Republicano Português (depois Partido Democrático), de 24 de Agosto de 1911 a 26 de Maio de 1915 (primeiro presidente constitucionalmente eleito ao abrigo da Constituição de 1911; demitiu-se do cargo);
2º - Joaquim Teófilo Fernandes Braga, Partido Democrático, de 29 de Maio de 1915 a 5 de Agosto de 1915 (presidente substituto, designado para terminar o mandato de Arriaga);
3º - Bernardino Luís Machado Guimarães, Partido Democrático, de 6 de Agosto de 1915 a 5 de Dezembro de 1917 (1.ª vez - mandato interrompido por golpe de Estado);
A República Nova
4º - Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, Partido Nacional Republicano («Partido Sidonista»), de 28 de Abril de 1918 a 14 de Dezembro de 1918 (militar, revoltoso, presidente da Junta Revolucionária; único presidente eleito por sufrágio directo na I República; morreu assassinado no exercício do cargo – Conselho de Ministros chefiado por Canto e Castro – 14 de Dezembro de 1918 - 16 de Dezembro de 1918 assume interinamente a chefia do Estado Português);
A Nova República Velha (restauração da República Velha)
5º - João do Canto e Castro Silva Antunes Júnior, Partido Nacional Republicano («Partido Sidonista»), de 16 de Dezembro de 1918 a 5 de Outubro de 1919 (presidente substituto, destinado a terminar o mandato presidencial iniciado em 1915);
6º - António José de Almeida, Partido Republicano Evolucionista (depois Partido Liberal Republicano), de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923 (único presidente da I República a cumprir integralmente o mandato);
7º - Manuel Teixeira Gomes, Partido Democrático, de 6 de Outubro de 1923 a 11 de Dezembro de 1925 (o presidente-escritor; resignou ao mandato);
8º - Bernardino Luís Machado Guimarães, Partido Democrático, de 11 de Dezembro de 1925 a 31 de Maio de 1926 (2.ª vez; mandato interrompido por golpe de Estado);
8º - Bernardino Luís Machado Guimarães, Partido Democrático, de 11 de Dezembro de 1925 a 31 de Maio de 1926 (2.ª vez; mandato interrompido por golpe de Estado);
II República: Ditadura Militar (1926-1933) e o Estado Novo (1933-1974)
A Ditadura Militar:
9º - José Mendes Cabeçadas Júnior, não filiado em nenhum partido político, de 31 de Maio de 1926 a 17 de Junho de 1926 (militar, revoltoso; derrubado por um contra-golpe de Estado);
10º - Manuel de Oliveira Gomes da Costa, não filiado em nenhum partido político, de 17 de Junho de 1926 a 9 de Julho de 1926 (militar, revoltoso; derrubado por um contra-golpe de Estado);
Estado Novo
11º - António Óscar de Fragoso Carmona, não filiado em nenhum partido político, (a partir de 1932, União Nacional), de 16 de Novembro de 1926 a 18 de Abril de 1951, (militar, revoltoso; primeiro presidente constitucionalmente eleito ao abrigo da Constituição de 1933; morreu durante o exercício do seu quinto mandato presidencial – António de Oliveira Salazar, União Nacional de 18 de Abril de 1951 a 21 de Julho de 1951, interino, desde a morte de Carmona até à eleição de Craveiro Lopes);
12º - Francisco Higino Craveiro Lopes, União Nacional, de 21 de Julho de 1951 a 9 de Agosto de 1958 (não teve o apoio da UN para o exercício de um segundo mandato);
13º - Américo de Deus Rodrigues Tomás, União Nacional (a partir de 1968, Acção Nacional Popular), de
9 de Agosto de 1958 a 25 de Abril de 1974 (último presidente do Estado Novo; derrubado pelo golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 (o seu terceiro mandato terminaria em Julho de 1979);
III República (1974-presente)
– Junta de Salvação Nacional, de 25 de Abril de 1974 a 15 de Maio de 1974 (junta militar interina, acumulando os poderes presidenciais e ministeriais após a Revolução dos Cravos);
14º - António Sebastião Ribeiro de Spínola, não filiado em nenhum partido político, de 15 de Maio de 1974 a 30 de Setembro de 1974 (militar, presidente da Junta de Salvação Nacional, depois nomeado Presidente da República pelos seus pares; demitiu-se);
15º - Francisco da Costa Gomes, não filiado em nenhum partido político, de 30 de Setembro de 1974 a 13 de Julho de 1976 (militar; nomeado após a demissão do predecessor);
15º - Francisco da Costa Gomes, não filiado em nenhum partido político, de 30 de Setembro de 1974 a 13 de Julho de 1976 (militar; nomeado após a demissão do predecessor);
16º - António dos Santos Ramalho Eanes, não filiado em nenhum partido político quando eleito, depois Partido Renovador Democrático, de 14 de Julho de 1976 a 9 de Março de 1986 (militar, primeiro presidente constitucionalmente eleito ao abrigo da Constituição de 1976);
17º - Mário Alberto Nobre Lopes Soares, Partido Socialista (suspendeu a filiação partidária enquanto presidente), de 9 de Março de 1986 a 9 de Março de 1996 (primeiro presidente civil democraticamente eleito em mais de meio século);
18º - Jorge Fernando Branco de Sampaio, Partido Socialista, de 9 de Março de 1996 a 9 de Março de 2006;
19º - Aníbal António Cavaco Silva, Partido Social-Democrata (suspendeu a filiação partidária enquanto presidente), de 9 de Março de 2006 a ... (primeiro presidente da área ideológica do centro-direita eleito após o 25 de Abril).
Bandeira da Presidência da República




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