segunda-feira, 27 de setembro de 2010

TOPÓNIMOS

Toponímia: é a divisão da onomástica que estuda os topónimos, ou seja, nomes próprios de lugares, da sua origem e evolução; é considerada uma parte da linguística, com fortes ligações com a história, a arqueologia e a geografia.
A palavra deriva dos termos gregos τόπος (tópos), lugar, e ὄνομα (ónoma), nome, literalmente, o nome de um lugar.

Rossio: O termo Rossio significa grande praça, largo. A Praça de D. Pedro IV, mais conhecida pelo seu antigo nome de Rossio, tem constituído o centro nevrálgico de Lisboa desde há seis séculos. Assistiu a touradas, festivais, paradas militares e também a autos-de-fé durante a Inquisição.
Hoje assiste a ocasionais comícios políticos, e os seus sóbrios edifícios pombalinos, estão ocupados por lojas de recordações, joalharias e cafés.
Em meados do século XIX a praça foi calcetada a preto e branco, com padrões ondulantes. Foi um dos primeiros desenhos desse tipo a decorar os pavimentos da cidade. No lado norte da praça fica o Teatro Nacional D. Maria II, que recebeu o nome da filha de D. Pedro, D. Maria II.
No centro da praça, ergue-se a estátua de D. Pedro IV, vigésimo-oitavo rei de Portugal e primeiro imperador do Brasil independente. Na sua base, as quatro figuras femininas são alegorias à Justiça, à Sabedoria, à Força e à Moderação, qualidades atribuídas a D. Pedro.
Criou-se uma lenda urbana de que a referida estátua de D. Pedro IV na verdade teria sido, originalmente, concebida para o imperador Maximiliano do México. Como o imperador mexicano foi fuzilado em 1867, pouco antes do término da estátua, prontamente teria sido essa reaproveitada para o projecto de revitalização do Rossio, o que explicaria as – supostas – semelhanças da estátua do rei português com a figura do imperador mexicano. Vários estudiosos, como o historiador José Augusto França em A arte em Portugal no século XIX, ergueram-se contra essa teoria, visto que a peça apresenta claros sinais de se tratar duma figura nacional portuguesa: os escudos nos botões, o colar da Torre e Espada e a Carta Constitucional. Recentes descobertas na base da estátua em meados de 2001, durante obras de restauro, reafirmam tratar-se da figura de D. Pedro IV: dois frascos de vinte centímetros cada, contendo documentos e uma fotografia revelada em albumina, que estão a ser analisados pelo Instituto Português de Conservação.

Rua da Betesga: O topónimo betesga, significa  beco, pelo que poderá corresponder à antiga ruela sem saída que, antes do Terramoto de 1755, existia no meio e perpendicularmente, à Rua da Betesga e que porventura lhe terá emprestado o nome.
Meter o Rossio na Betesga - A expressão que se pode testemunhar in loco, meter uma grande praça como o Rossio, na estreita rua que a liga à Praça da Figueira, significa algo desproporcionado ou impossível.

Terreiro do Paço: A Praça do Comércio, mais conhecida por Terreiro do Paço, é uma praça da Baixa de Lisboa situada junto ao rio Tejo, na zona que foi o local do palácio dos reis de Portugal durante cerca de dois séculos. É uma das maiores praças da Europa, com cerca de 36 000 m² (180m x 200m).
Em 1511, o rei D. Manuel I transferiu a sua residência do Castelo de São Jorge para este sítio junto ao rio. O Paço da Ribeira, bem como a sua biblioteca de 70 000 volumes, foram destruídos pelo terramoto de 1755. Na reconstrução, a praça tornou-se no elemento fundamental do plano do Marquês de Pombal. Os edifícios, com arcadas que circundam a praça, albergam alguns departamentos de vários Ministérios do Governo Português e ainda o famoso café Martinho da Arcada, o mais antigo de Lisboa, e um dos preferidos de Fernando Pessoa.
Após a Revolução de 1910 os edifícios foram pintados a cor-de-rosa republicano. Contudo, voltaram recentemente à sua cor original, o amarelo. No lado norte, ao centro, situa-se o Arco Triunfal da Rua Augusta, a entrada para a Baixa, e no lado sul, com as suas duas torres quadradas, está virado para o Tejo. Essa foi sempre a entrada nobre de Lisboa e, nos degraus de mármore do Cais das Colunas, vindos do rio, desembarcam chefes de estado e outras figuras de destaque (como Isabel II de Inglaterra ou Gungunhana). Ainda é possível experimentar essa impressionante entrada em Lisboa nos cacilheiros, os barcos que ligam a cidade a Cacilhas. Hoje, o espectáculo é prejudicado pelo trânsito na Avenida da Ribeira das Naus, que corre ao longo da margem.  No centro da praça, vê-se a estátua equestre de D. José, erigida em 1775 por Joaquim Machado de Castro, o principal escultor português do século XVIII. Ao longo dos anos, a estátua de bronze ganhou uma patina verde.  A área serviu como parque de estacionamento durante a década de 1990, mas hoje este vasto espaço é usado para eventos culturais e espectáculos.
Acontecimentos históricos:
No terramoto de 1755, onde hoje se encontram os edifícios que constituem o Terreiro do Paço, existia o Palácio Real, em cuja biblioteca estavam guardados 70 mil volumes e centenas de obras de arte, incluindo pinturas de Ticiano, Rubens e Correggio. Tudo foi destruído. O precioso Arquivo Real com documentos relativos à exploração oceânica, entre os quais, por exemplo numerosas cartas do achamento do Brasil e outros documentos antigos também foram perdidos.
A 1 de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos e seu filho Luís Filipe foram assassinados quando passavam na praça.
No dia 25 de Abril de 1974, a praça assistiu à Revolta do Movimento das Forças Armadas, que derrubou o governo de Marcello Caetano e o Estado Novo, numa revolução sem derramamento de sangue.
No dia 11 de Maio de 2010, o Papa Bento XVI, na sua visita pastoral a Portugal, celebrou uma missa na praça, tendo o altar sido colocado no Cais das Colunas.

Cais do Sodré: A Praça Duque da Terceira, pertence à freguesia de S. Paulo, em Lisboa. Fica entre a Avenida 24 de Julho, Largo do Cais do Sodré, Rua do Alecrim, Rua Bernardino Costa, Rua do Cais do Sodré e a Rua dos Remolares.
A população, no entanto, dá a toda aquela área entre a Praça Duque da Terceira e a beira Tejo, a denominação de Cais do Sodré devido ao facto de ali terem vivido os irmãos Sodré, António Vicente e Duarte, possuídores de uns imóveis neste sítio.
Em memória ao Duque da Terceira, que nas guerras liberais comandou as tropas constitucionais, a praça tem uma estátua, obra do escultor José Simões de Almeida, sendo o risco da autoria de José António Gaspar, colocada no centro da Praça entre 1872 e 1877.
A seguir ao terramoto de 1755, a zona foi reconstruída com novo desenho urbano.

Largo do Rato: O Largo do Rato é um arruamento das freguesias de São Mamede e Santa Isabel, em Lisboa.
O topónimo Rato corresponde à alcunha de Luís Gomes de Sá e Menezes, personagem do século XVII, segundo padroeiro do convento das Trinitárias de Campolide e que deu o nome ao convento, ao sítio e por fim ao arruamento. Esta artéria do sítio do Rato, conhecida por Rua Direita do Rato, passou mais tarde a denominar-se simplesmente Rua do Rato. Em 1910 passou a denominar-se Praça do Brasil, regressando em 1948 ao topónimo Largo do Rato. Em Dezembro de 1997 passou a ser servido pela estação Rato do Metropolitano de Lisboa.

Sem comentários:

Enviar um comentário