segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

POESIA - Mário Viegas

Rifão quotidiano
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Novos Contos do Gin, de Mário-Henrique Leiria

sábado, 29 de janeiro de 2011

Expressões populares

Será que sabe enunciar correctamente estas expressões populares?

"Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro." - Correcto: "Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro."
"Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão." - Correcto: "Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão."
"Cor de burro quando foge." - Correcto: "Corro de burro quando foge!"
"Quem tem boca vai a Roma." - Correcto: "Quem tem boca vaia Roma. " (isso mesmo, do verbo vaiar).
"Cuspido e escarrado." - quando se diz que alguém é muito parecido com outra pessoa. - Correcto: "Esculpido e encarnado."
Mais um famoso... "Quem não tem cão, caça com gato." - Correcto: "Quem não tem cão, caça como gato... ou seja, sozinho!"

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ALAIN OULMAN

Alain Oulman nasceu a 15/06/1928, na Cruz Quebrada, distrito e concelho de Lisboa, no seio de uma família judaica tradicional. Era um apaixonado pelos livros, pela música e por Amália. Foi apresentado a Amália, em 1962, por Luís de Macedo, diplomata em Paris, durante umas férias na Praia do Lisandro, perto da Ericeira. Oulman mostrou a Amália uma música que tinha composto ao piano, sobre o poema "Vagamundo" do próprio Luís de Macedo.
O álbum "Busto", editado em 1962, marcou o início de colaboração de Alain Oulman com Amália Rodrigues. Foi ele quem levou os poetas portugueses, como Luís de Camões, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill ou Manuel Alegre, para dentro de casa de Amália. Alain Oulman é também considerado o principal responsável por uma profunda alteração na música que a acompanhava.
Oulman, pessoa de esquerda, é perseguido e preso pela PIDE. Amália tudo fez para o apoiar aquando da sua prisão. É deportado para França. "A sua activa solidariedade com a luta antifascista portuguesa levou-o a ser preso pela PIDE, sendo expulso de Portugal e fixando-se definitivamente em Paris", lê-se no 'site' oficial do Partido Comunista Português.
Oulman escreveu a música para "Meu Amor é Marinheiro", com base em "A Trova do Amor Lusíada", que Manuel Alegre escreveu quando esteve preso em Caxias.
No disco "Com Que Voz", gravado em 1969, mas editado no ano seguinte, Amália canta nomes como Cecília Meireles, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Camões, Ary dos Santos e Pedro Homem de Mello. O disco receberá o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).
Após o 25 de Abril de 1974, Alain Oulman fez parte da minoria que defendeu Amália, quando esta foi acusada de estar ligada ao anterior regime, escrevendo cartas para os jornais "República" e "O Século".
Alain Oulman morreu, na cidade de Paris, a 29 de Março de 1990, quando contava 61 anos de idade.
in, Wikipedia (adaptado)
Amália Rodrigues - "Com que voz"

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não se estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
triste quero viver, poi se mudou
em tisteza a alegria do passado.

De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.
Letra: Amália Rodrigues
Música: Alain Oulman

Poesia brasileira

Metade...

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu digo não sejam ouvidas como prece
nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que esta minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que esta tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.
Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba. 
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é plateia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também. 
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo. 

Ferreira Gullar, poeta brasileiro, prémio Camões 2010

Ano de 2011

2011 (MMXI) é o actual ano do calendário gregoriano que se iniciou num sábado. Não sendo um ano bissexto, tem 365 dias. As Nações Unidas designam 2011 como o Ano Internacional das Florestas e o Ano Internacional da Química.
Vejamos algo realmente curioso:
Este ano vamos experimentar quatro datas incomuns .... 1/1/11, 11/1/11, 1/11/11, 11/11/11 e....... há mais!!!
Pegue nos últimos 2 dígitos do ano em que nasceu + a idade que vai fazer este ano e a sua soma será igual a 111, e isso acontece a todas as pessoas do mundo.
Não acredita? Então faça o teste e verificque por si próprio!!!...
COMO EXPLICAR ISTO??? MISTÉRIO!!!

REFLEXÃO

POBRES DOS NOSSOS RICOS
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.
Mia Couto - Poeta Moçambicano

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mediterráneo


Joan Manuel Serrat
Quizás porque mi niñez
sigue jugando en tu playa
y escondido tras las cañas
duerme mi primer amor,
llevo tu luz y tu olor
por dondequiera que vaya,
y amontonado en tu arena
guardo amor, juegos y penas.
Yo, que en la piel tengo el sabor
amargo del llanto eterno
que han vertido en ti cien pueblos
de Algeciras a Estambul
para que pintes de azul
sus largas noches de invierno.

A fuerza de desventuras,
tu alma es profunda y oscura.

A tus atardeceres rojos
se acostubraron mis ojos
como el recodo al camino.
Soy cantor, soy embustero,
me gusta el juego y el vino,
Tengo alma de marinero.

Qué le voy a hacer, si yo
nací en el Mediterráneo.

Y te acercas, y te vas
después de besar mi aldea.
Jugando con la marea
te vas, pensando en volver.
Eres como una mujer
perfumadita de brea
que se añora y se quiere
que se conoce y se teme.

Ay, si un día para mi mal
viene a buscarme la parca.
Empujad al mar mi barca
con un levante otoñal
y dejad que el temporal
desguace sus alas blancas.

Y a mí enterradme sin duelo
entre la playa y el cielo...

En la ladera de un monte,
más alto que el horizonte.
Quiero tener buena vista.
Mi cuerpo será camino,
le daré verde a los pinos
y amarillo a la genista.

Cerca del mar. Porque yo
nací en el Mediterráneo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Maria Guinot - "Silêncio e tanta gente"

Festival RTP da Canção 1984


Letra e música de Maria Guinot

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
É um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que eu sou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

Carlos do Carmo - "Uma flor de verde pinho"

Festival da Eurovisão - 1976


Carlos do Carmo : "Uma flor de verde pinho"
Música: José Niza
Letra: Manuel Alegre
(vencedora do Festival RTP da Canção - 1976)

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ATENÇÃO!!!

VIVENDO COM O INIMIGO, pois esta planta contém um dos venenos mais tóxicos e poderosos da natureza.
DIFEMBAQUIACAMILA
Alguém estava a regar as plantas do seu escritório e, por um acto irreflectido, levou à boca, durante menos de um segundo, um pequeno pedaço de uma folha de uma difembaquia como a da foto. Imediatamente sentiu o ardor de uma queimadura... correu para a casa de banho e, ao ver o seu rosto reflectido no espelho, ficou em pânico por constatar que estava a ficar totalmente roxo. A língua ficou bastante inchada... Um amigo que estava com ele, levou-o ao hospital. O trajecto, de pouco mais ou menos meia hora, pareceu-lhe uma eternidade, pois aumentava-lhe a dificuldade em respirar e a dor intensa que sentia nas vias respiratórias era insuportável. O amigo teve o cuidado de levar um pedaço da planta para o hospital. Ao chegarem atenderam-no de imediato e prestaram-lhe os primeiros socorros através de medicamentos à base de corticóides para atenuar a hiperactividade bronquial e recebeu oxigénio. Foi internado na Unidade de Cuidados Intensivos e os médicos temeram que pudesse não sobreviver a uma paragem cardíaca. Estiveram prestes a entubá-lo. Apesar da rápida assistência, os seus órgãos respiratórios internos sofreram graves lesões... Um dos pulmões começou a colapsar, a parte interior das vias aéreas superiores encheu-se de chagas, a boca de aftas e a dor era tão intensa que nem a morfina o aliviava. Na UCI permaneceu vários dias. Os médicos ficaram admirados por ele ter sobrevivido mais de dez minutos ao contacto com a venenosa planta.
Ao ler algo sobre esta planta na internet, só uma página sobre plantas ornamentais indica, de maneira aproximada, qual é o seu nível de toxicidade, que é, na verdade, extremo. Sabe-se que a seiva leitosa concentrada no talo e junto ao pecíolo da folha, é usada tradicionalmente por indígenas da amazónia para envenenar a ponta dos seus dardos de caça. O simples contacto da mão sobre os olhos após a sua manipulação, produz cegueira temporaria. Pode causar a morte de um bébé em pouco menos de dez segundos e normalmente asfixia uma pessoa em pouco menos de vinte minutos.... Nunca se deve manipular sem luvas de cabedal ou borracha e sempre com extrema precaução.
A informação disponível na internet trivializa a sua potência letal... Como é tão popular, será conveniente que as pessoas conheçam as suas características naturais para que possam decidir se vale a pena tê-la como ornamento, quando um simples contacto casual, acidental ou provocado pode causar-nos a morte em poucos instantes.
Em Espanha, as farmácias distribuiram desdobráveis com a descrição desta planta que se sabia que era venenosa ou tóxica, mas não tão fulminante.
Tenhamos cuidado e evitemos esta planta. Se a tivermos em casa não a manipulemos sem o devido cuidado.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Língua Portuguesa

Expressões Curiosas da Língua Portuguesa

JURAR DE PÉS JUNTOS:
Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu. A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para  não dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:
Meu Deus, que tipo mais barbeiro! No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, arrancavam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, os seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo provem de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
Pode ir tirando o seu cavalinho da chuva porque não o vou deixar sair hoje! No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, num lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita era agradável e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

À BEÇA:
O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.

DAR COM OS BURROS NA ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O facto era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para referir-se a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso.

GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adoptavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico a si atribuído, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" para designar algo muito bem guardado.

OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados a Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou lamentando-se e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "para inglês ver". Daí surgiu o termo.

RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto da sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente a sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, França, na universidade local, o doutor Vincent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea num aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a ver ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que lhe arrancasse os olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

ANDAR À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO:
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, adulterou-se. Inicialmente dizia-se quem não tem cão caça como gato, ou seja, esgueirando-se, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo, está inútil, abandonada pelo Homem vagabundo, irresponsável, parasita.

NHENHENHÉM:
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquele linguajar estranho e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen" .

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM:
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um dos seus comandados e queixou-se ao seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de D. Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos factos, D. Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, D. Luís explicou-se: Nós somos brancos, cá nos entendemos.

A DAR COM O PAU:
O substantivo "pau" figura em várias expressões luso-brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, para isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros deitavam sapa e angu para o estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registos literário foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a.C.-18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses" , que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que a sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.

À GRANDE E À FRANCESA:
Viver de forma luxuosa. Jean Andoche Junot auxiliou Napoleão Bonaparte durante a primeira invasão dos franceses ao território Português. Jean Andoche Junot viveu em Portugal durante alguns anos e sempre de forma extremamente luxuosa. A imaginação, a observação e a sabedoria populares encarregaram-se de criar esta expressão.

CHICO ESPERTO:
De acordo com o Dicionário da Academia das Ciências, ed. Verbo, designa a «pessoa que tenta ludibriar os outros, julgando-se mais expedita do que eles». Trata-se de uma palavra composta por justaposição, formada a partir do nome chico e do adjectivo esperto.
Embora integre, na sua origem, um nome próprio, Chico, o composto é utilizado como um nome comum, como se pode verificar pelo significado transcrito acima. Nesse sentido, obedece às regras gerais de formação de plural dos compostos. Tratando-se de uma estrutura formada por um nome e por um adjectivo, ambas as formas pluralizam, já que devem concordar em género e número, dando origem a chicos espertos.

Texto deambulando na "net" de autor desconhecido

sábado, 15 de janeiro de 2011

O meu coração não tem cor

XXXII FESTIVAL RTP DA CANÇÃO - 1996
CANÇÃO Nº 8
TÍTULO: "O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR"
INTÉRPRETE: LÚCIA MONIZ
MÚSICA: PEDRO OSÓRIO
LETRA: JOSÉ FANHA
ORQUESTRAÇÃO: PEDRO OSÓRIO
DIR. DE ORQUESTRA: PEDRO OSÓRIO

ANDAMOS TODOS A RODAR NA RODA ANTIGA
CANTANDO NESTA LÍNGUA QUE É DE MEL E DE SAL
O QUE ESTÁ LONGE FICA PERTO NAS CANTIGAS
QUE FAZEM UMA FESTA TRICONTINENTAL
DANÇA-SE O SAMBA, A MARRABENTA TAMBÉM
CHORA-SE O FADO, ROLA-SE A COLADEIRA
PELA PORTA ABERTA PODE ENTRAR SEMPRE ALGUÉM
SE ESTÁ CANSADO DIZ ADEUS À CANSEIRA
VAI A CORRER O CORRIDINHO
QUE É BEM MANDADO E SALTADINHO
E RASGA O FUNANÁ, FAZ FORÇA NO MALHÃO
QUE A GENTE VAI DANÇAR SEM SE ATRAPALHAR
O DESCOMPASSO DESTE CORAÇÃO
E COMO É, E COMO É, E COMO É
VAI DE RODA MINHA GENTE
VAMOS TODOS DAR AO PÉ!
ESTAMOS DE MARÉ VAMOS DANÇAR
VEM JUNTAR O TEU AO MEU SABOR
PÕE ESTA CANÇÃO A NAVEGAR
QUE O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR
ESTAMOS DE MARÉ VAMOS DANÇAR
VEM JUNTAR O TEU AO MEU SABOR
PÕE ESTA CANÇÃO A NAVEGAR
QUE O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR
ANDAMOS TODOS NA CIRANDA CIRANDEIRA
PREGUIÇA DOCE E BOA VAI DE LÁ VAI DE CÁ
NA NOSSA BOCA UMA SAUDADE DESORDEIRA
DE FIGO DE PAPAIA E DE GUARANÁ
VIRA-SE O VIRA E O MEIRENGUE TAMBÉM
CHORA-SE A MORNA SOLTA-SE A SAPATEIA
PELA PORTA ABERTA PODE ENTRAR SEMPRE ALGUÉM
QUE A GENTE GOSTA DE VER A CASA CHEIA
VAMOS DANÇAR ESTE BAILINHO
TRAZ A SANFONA OU O CAVAQUINHO
A CHULA VAI PULAR, NAS VOLTAS DO BAIÃO
QUE A GENTE VAI DANÇAR SEM SE ATRAPALHAR
O DESCOMPASSO DESTE CORAÇÃO
E COMO É, E COMO É, E COMO É
VAI DE RODA MINHA GENTE
VAMOS TODOS DAR AO PÉ!
ESTAMOS DE MARÉ VAMOS DANÇAR
VEM JUNTAR O TEU AO MEU SABOR
PÕE ESTA CANÇÃO A NAVEGAR
QUE O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR
ESTAMOS DE MARÉ VAMOS DANÇAR
VEM JUNTAR O TEU AO MEU SABOR
PÕE ESTA CANÇÃO A NAVEGAR
QUE O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR
ESTAMOS DE MARÉ VAMOS DANÇAR
VEM JUNTAR O TEU AO MEU SABOR
PÕE ESTA CANÇÃO A NAVEGAR
QUE O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR
E VAI DE VOLTA, VAI DE VOLTA P’R'ACABAR
QUE O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR

A FLORESTA

ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS - 2011
"Uma só árvore poder dar milhões de fósforos, um só fósforo pode destruir milhões de árvores!!!"

- Nenhuma árvore dá tanto, exigindo tão pouco: SOBREIRO.
- Só as árvores conseguem dar contraponto da veloz e efémera vida humana. Diz um velho ditado que um carvalho leva 300 anos a crescer, 300 a descansar e 300 a morrer com elegância.
-Uuma árvore que cai faz mais barulho que uma floresta que cresce (provérbio chinês).
- Para quem plantas? Planto para os deuses imortais, que aproveitando-se do trabalho de meus avós, meus netos, também se hão-de aproveitar do meu (Cícero - tribuno romano).
As florestas ensinar-te-ão mais do que os livros. As árvores ensinar-te-ão coisas que não aprenderás com nenhum mestre (São Bernardo).
- E só por ouvir passar o vento nas árvores, vale a pena ter nascido (Fernando Pessoa).
- Também o desconhecido e o prodigioso habitam a floresta e desafiam a aventura da descoberta (Álvaro Branco Vasco).

Árvores!
Náo choreis!
Também ando a gritar,
morta de sede,
pedindo a Deus
a minha gota de água!
Florbela Espanca

Árvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruto debuxando.

Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,

se não te celebras como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.
Luís Vaz de Camões

in, Agenda, Ano Internacional das Florestas - 2011, Ministério da Agricultura

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ACORDO ORTOGRÁFICO

A nova ortografia - Um cê a mais
Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, que os atores atuem e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar.
Texto deambulando na "net" de autor desconhecido
"Mudam-se os tempos / mudam-se as vontades"...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

JANEIRAS

As Janeiras
Cantar as Janeiras ou "cantar os Reis" é uma tradição em Portugal que consiste em cantar  músicas pelas ruas por grupos de pessoas anunciando o nascimento de Jesus, desejando um feliz ano novo. Esses grupos vão de porta em porta, pedindo aos residentes as sobras das festas natalícias. Hoje em dia, essas "sobras" traduzem-se muitas vezes em dinheiro. Ocorrem em Janeiro, começando no dia 1 e estendendo-se até ao dia 6 - Dia de Reis ou Epifania -. Hoje em dia, muitos grupos (especialmente citadinos) prolongam o Cantar das Janeiras durante todo o mês.
A tradição geral e mais acentuada, é que grupos de amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem instrumentos (no caso de os haver são mais comuns os folclóricos: pandeireta, bombo, flauta, viola, etc.). Depois do grupo feito, e de distribuidas as letras e os instrumentos, vão cantar de porta em porta pela vizinhança.
Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc. Por comodidade, é hoje costume dar-se chocolates e dinheiro, embora não seja essa a tradição). No fim da caminhada, o grupo reúne-se e divide o resultado, ou então, comem todos juntos aquilo que receberam.
As músicas utilizadas, são por norma já conhecidas, embora a letra seja diferente em cada terra. São músicas simples, habitualmente à volta de quadras simples que louvam o Menino Jesus, Nossa Senhora, São José e os moradores que contribuíram. Tipicamente havia também algumas quadras insultuosas reservadas para os moradores que não davam as janeiras. Nos últimos anos, celebrizou-se uma música de Zeca Afonso, entitulada «Natal dos Simples» que, como começa com a frase 'vamos cantar as janeiras...' é entendida por alguns como se fosse música de Janeiras, embora não seja uma canção de folclore.
in, Wikipédia (adaptado)

"Vimos Cantar as Janeiras"
Música: "mãe querida, mãe querida"
Letra: Henriqueta Santos / Maria do Carmo Lomba
Artistas: Vários

Feliz de quem,
Nos quer ouvir,
P'ra começar
O ano a sorrir.

Gente bondosa,
Da freguesia
Dê à Igreja
Uma alegria.

Vimos cantar as Janeiras
Boas festas desejar
Que tenha muita saúde
No ano qu'está a entrar.

Graças a Deus
Carreço tem,
Pessoas nobres
Como mais ninguém.

Com amizade
Agradecemos
E para o ano
cá voltaremos.

Vimos cantar as Janeiras
Boas festas desejar
Que tenha muita saúde
No ano qu'está a entrar.

BOLO-REI

Lenda do bolo-rei
Quando os Reis Magos foram visitar o Menino Jesus, perto da gruta onde estava o menino, os Reis Magos tiveram uma discussão para saber qual deles seria o primeiro a oferecer os presentes.
Um artesão que por ali passava assistiu à conversa e propôs uma solução para o problema, de maneira a ficarem todos satisfeitos. O artesão resolveu fazer um bolo e meter uma fava na massa. Depois de cozido repartiu o bolo em três partes e aquele a quem saísse a fava seria o primeiro a oferecer os presentes ao Menino. Assim ficou conhecido pelo nome de Bolo Rei e como tinha sido feito para escolher um rei mago passou a usar-se como doce de Natal.
Diz-se que a côdea do bolo simboliza o ouro, as frutas simbolizam a mirra e o aroma, o incenso.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Michael Bublé - "Sway"

10 dicas para 2011

Dez passos para entrar bem em 2011
in, Público de 03/01/2011, por Teresa Firmino
 Adeus, 2010; olá, ano de crise mais do que anunciada. Três especialistas, de áreas tão diferentes como a Nutrição e o Exercício, a Psicologia Positiva e a Medicina Sexual, deixam as suas "dicas" para sermos bem-dispostos e aproveitarmos a vida, mesmo num ano que vai ser difícil. Tudo coisas simples, que podem começar literalmente pelos pés, para se acabar com uma cabeça mais feliz.
Conte os passos que dá
Depois do bacalhau, do peru, do bolo-rei, das fatias douradas ou das azevias da época natalícia, nada melhor do que começar o novo ano a mexer-se. Pedro Teixeira, professor de Nutrição, Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, sugere que, para entrar em 2011 com o pé direito, compre um pedómetro. E, com este aparelho que mede os passos dados ao longo de 24 horas, que é barato e pode usar-se à cintura por baixo da roupa, aprenda a distinguir os dias sedentários daqueles que são fisicamente activos.
"Dez mil passos por dia é o mínimo que se aconselha. Parece muito, mas não é. Quando passamos o dia sentados, damos três mil passos", explica Pedro Teixeira. "Cinco mil é um dia normal, mas pouco activo. Uma caminhada de 20 minutos é suficiente para ultrapassar os dez mil", acrescenta. "Um pedómetro é um bom instrumento para aumentar a consciência da actividade física que fazemos. Os mais baratos custam oito a dez euros."
Incluir actividade física no dia-a-dia, sublinha, traz bem-estar, boa disposição e vai permitir enfrentar melhor o novo ano. E, além dos benefícios fisiológicos e psicológicos que tem, enquanto a praticamos podemos aproveitar para conviver com outras pessoas, por exemplo passeando na natureza ou à beira-mar. Mais: é gratuito. "É conhecido o potencial do exercício físico para nos acalmar, melhorar o humor - é recomendado a quem tem tendência para se deprimir - e proteger contra o stress. Há muitas pessoas que praticam exercício físico meia hora antes de ir para o trabalho. E resulta mesmo."
Não ter tempo não é desculpa. Basta que olhe para o exemplo de pessoas próximas que fazem desporto ou exercício regularmente, diz Pedro Teixeira, e marcar uma conversa com elas para ouvir as suas experiências. "Há pessoas que acham que não gostam; o desporto e o exercício estão longe das suas prioridades. E ficam surpreendidas com pessoas muito ocupadas, que conhecem, e não dispensam fazer exercício. Pode ser nadar, correr, jogar ténis, andar de patins, dançar...", diz Pedro Teixeira. "Nelson Mandela não dispensava as caminhadas matinais, porque o faziam sentir-se bem."
Enquanto a psicóloga Helena Marujo enumera, ao telemóvel, as suas "dicas" ao P2, fazemos-lhe notar que está ofegante. "Estou a fazer a minha caminhada diária", esclarece, acrescentando que essa é precisamente uma das indicações para enfrentar este ano. "Mexam-se!" Quando lhe contamos que Pedro Teixeira tinha acabado de referir as caminhadas diárias e a compra de um pedómetro, Helena Marujo, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, quer saber: "E ele falou-lhe nos dez mil passos? Ando aqui com o meu pedómetro. Só vou em 8500. Ainda tenho de andar mais um bocadinho...", revela. "Se queremos aguentar crises pessoais, profissionais, políticas... temos de cuidar de nós. Se estamos deprimidos ou temos momentos mais difíceis, somos beneficiados pelo exercício físico."
Se está irritado, pense ou faça algo positivo
2. Acabados de sair de uma época em que se comeu muito, ter atenção à dieta alimentar é importante, mas não é tudo. A dieta emocional, como diz Helena Marujo, não deve ser descurada.
"Se estivermos muito irritados, se a tensão arterial ou as hormonas de stress na corrente sanguínea aumentaram, quanto mais depressa fizermos alguma coisa que nos provoque emoções positivas, melhor. Os efeitos estudados em laboratório são incríveis. Pode ser dar uma gargalhada, pensar em alguém que amamos, pensar bem de nós próprios, pormo-nos a cantar ou controlar a respiração como forma de gerir as emoções." (Uma respiração lenta e profunda tem o efeito de serenar a tensão, uma vez que oxigena melhor os músculos e relaxa-os). "É incrível a rapidez com que os efeitos fisiológicos das emoções negativas diminuem só pelo facto de fazermos alguma coisa que nos faz sentir bem."
A este propósito, Helena Marujo cita ainda os trabalhos do psiquiatra George E. Vaillant, da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e membro do conselho directivo da Associação Internacional de Psicologia Positiva. Nos últimos 50 anos ele tem estudado o envelhecimento em mais de 800 pessoas. No livro Aging Well: Surprising Guideposts to a Happier Life from the Landmark Harvard Study of Adult Development, Vaillant diz para darmos menos importância aos factores fisiológicos, como o colesterol, no envelhecimento. "A importância das emoções na longevidade e na saúde é mais poderosa do que factores meramente fisiológicos", explica a psicóloga portuguesa. "Aqueles que escolhem emoções positivas vivem, em média, mais dez anos do que os que se deixam entristecer, estão sempre a rabujar e a barafustar e pensam que só serão felizes se... Têm dificuldade em estar gratos em relação ao que têm." Esta diferença de anos de vida, acrescenta, é maior do que a verificada entre fumadores e não-fumadores, que é de oito anos.Especialista em Psicologia Positiva, Helena Marujo tem percorrido o país em acções de formação baseadas nesta corrente da Psicologia, nascida há uma década, na qual as palavras "bem-estar" e "felicidade" são centrais. Esta aventura começou em 1999, quando publicou com os colegas Luís Miguel Neto e Fátima Perloiro o livro Educar para o Optimismo, na Editorial Presença, que já vai em 19 edições. "O nosso livro pegou nesta ideia: o melhor, o optimismo também se educa. Somos uma nação de ruminação em redor do menos bom, do que não funciona, e pomos pouca energia no que podemos fazer para promover os nossos objectivos."
E agora ela e Luís Miguel Neto são solicitados todas as semanas para acções de formações em escolas, bancos, empresas, câmaras municipais, entidades que trabalham com pessoas que recebem o rendimento social de intervenção, e por aí fora. "As pessoas em Portugal estão cansadas de ser negativas, chegaram a um limite desta visão desesperançada e dizem-nos: "Estamos a precisar de optimismo na nossa empresa."
A 22 de Janeiro, chega às livrarias o livro Positivamente, editado pel"A Esfera dos Livros, que ela e a psicóloga Catarina Rivero escreveram. Tal como Educar para o Optimismo, tem exercícios práticos para aumentar os níveis de felicidade, quer a nível pessoal, quer colectivo, e convida os leitores a fazer mudanças na sua vida.
Esteja com os amigos
3. "É na relação com os outros que se vai buscar as maiores fontes de energia e bem-estar. Lembre-se de alimentar a sua rede social. Crie condições para estar com gente", sugere Helena Marujo. "O isolamento é um factor de falta de saúde e até influente da própria longevidade."
E quando estiver com os amigos, acrescenta a ginecologista e obstetra Maria do Céu Santo - autora de Amor sem Limites, editado pela Academia do Livro em 2008 e que, só nesse ano, vendeu 20 mil exemplares -, prefira falar das coisas boas da vida.
"O objectivo é vivermos as partes positivas da vida e não estar só a falar de tudo o que é negativo, que é o que as pessoas têm tendência para fazer", diz a ginecologista, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. "Quando as pessoas se reúnem em festas, a tendência é os homens ficarem de um lado e as mulheres do outro a falar de doenças. Costumo dizer às mulheres na menopausa que os maridos e os amigos não são analgésicos. Se formos deprimidos e tristes, afastamos os outros", acrescenta. "Um dos principais problemas das pessoas com idade é demorarem muito tempo a contar uma coisa. Falar mais sinteticamente também é fundamental", considera ainda Maria do Céu Santo.
Seja curioso e continue a aprender
4. Tanto Maria do Céu Santo como Helena Marujo salientam a importância de continuarmos a aprender pela vida fora. "É fundamental ter uma actividade intelectual, fazer coisas que dêem prazer, ter fome de saber em qualquer idade", afirma a ginecologista. "A fase da menopausa é complicada para a mulher. Tente ser uma mulher interessada e interessante e aprenda a fazer coisas novas e não estar sempre a queixar-se", acrescenta. "Continue a aprender, ou seja, mantenha a curiosidade por fazer coisas novas, conhecer locais e pessoas, por saber mais coisas", refere também a psicóloga, que menciona outra conclusão dos estudos de George Vaillant: "Para um envelhecimento saudável, é essencial ter pelo menos 12 anos de educação formal." Helena Marujo fundamenta esta "dica" citando ainda outro estudo, a nível internacional, com 350 mil pessoas, conduzido por Edward Diener, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Quando lhes perguntaram quais os factores que mais influenciavam o bem-estar, as pessoas respondiam: em primeiro lugar, as redes sociais (ter com quem contar); em segundo lugar, a autonomia e liberdade (sentir que têm as rédeas do seu destino); e em terceiro, ter aprendido alguma coisa recentemente.
Saboreie o presente
5. "Saborear os momentos presentes e vivê-los com o máximo da nossa capacidade" é outro conselho de Helena Marujo. "Aqui surge uma aposta importante quando se fala tanto de crise e as expectativas para os horizontes de futuro são continuamente negativas."
Portanto, devemos desfrutar o presente e entrelaçá-lo, de forma equilibrada, com o passado e o futuro. "É essencial que as pessoas voltem a equilibrar os três tempos da vida", resume a psicóloga. Do passado, podemos lembrar o melhor que houve na nossa existência. "Mesmo em termos históricos, nenhum de nós gostaria de voltar à Idade Média ou à geração dos nossos avós. Estamos no melhor momento da história da humanidade, em termos de longevidade, de qualidade de vida, de direitos, de igualdades ou do valor da mulher na sociedade", realça a psicóloga. "Manter uma ideia de continuidade dá-nos uma perspectiva das coisas e permite desdramatizar as condições actuais." Vivendo o presente de forma intensa, devemos também enquadrá-lo num futuro com esperança: "Ter só horizontes de desgraça não nos ajuda nada a avançar."
No livro Amor sem Limites, que deu lugar a um programa de Maria do Céu Santo com o mesmo nome na SIC Mulher, a ginecologista aborda não só a menopausa e a idade fértil nas mulheres, como a adolescência, e sobre esta fase diz-nos aqui algo sobre o presente: "Não faça nada que lhe estrague o amanhã. Aquilo de que podemos gostar hoje, podemos não gostar amanhã. O preservativo é fundamental para prevenir a gravidez não-desejada e as infecções sexualmente transmissíveis. [Há que] tentar construir um futuro, mas vivendo o dia-a-dia. Quem não vive a adolescência, vive-a depois aos 40 anos."
Tire uns momentos só para si
6. Se é uma mulher em idade fértil - a fase da supermulher, nas palavras de Maria do Céu Santo, pois é preciso conciliar a vida doméstica com o auge da carreira profissional -, procure estar bem consigo própria. "Primeiro, temos de estar bem connosco. Não vale a pena procurarmos o nosso bem-estar nos outros. Arranje sempre um bocadinho de tempo para si, nem que seja para andar a pé, ir à piscina..." Mas a sugestão é válida tanto para elas como para eles.
Namore, faça amor, acabe com a rotina
7. O programa televisivo Amor sem Limites passa às sextas-feiras às 22h00 por esta razão: "É a altura em que as pessoas podem ligar o GPS e começar a namorar pelo fim-de-semana [fora] ou acabar no sofá a fazer amor", explica Maria do Céu Santo. "Quando se coabita com alguém, ao fim de três anos a libido e o desejo sexual diminuem. A relação altera-se, mas o amor platónico pode durar toda a vida. Se a pessoa souber passar a fase da paixão, que dura seis meses a três anos, para o amor, convém alimentar o amor. A rotina é o veneno que mais destrói o amor." Portanto, namore, faça amor, seja criativo. "Deve fazer amor de manhã, à tarde, onde quiser, desde que não seja na via pública. Quando uma pessoa namora, o carro serve. Depois o casal deixa de caber no carro. Mantenham a criatividade e a fantasia, para serem felizes." A imaginação não tem limites, pelo que a ginecologista dá mesmo um exemplo: "Imagine que arranja um parceiro novo mesmo que seja o velho, e saia com ele como se fosse o novo." Se tiver filhos, deixe-os em casa de alguém algumas vezes.
Estas e outras questões, como o casamento, a gravidez, as relações sexuais, o romance, o erotismo ou a sedução farão parte do novo livro de Maria do Céu Santo, Amor sem Dúvida - Ideias Essenciais para uma Vida Plena, Feliz e Equilibrada, da Matéria-Prima Edições, que chega às livrarias já a 6 de Janeiro.
Nas relações conjugais, Helena Marujo recorda a regra dos "cinco para um": "Para um casal se manter e manter-se feliz, cada acto comunicativo negativo tem de ser compensado por cinco positivos." Esta é uma das conclusões das investigações sobre casais levadas a cabo pelo psicólogo norte-americano John Gottman que mostram que o que é negativo "é muito marcante" e não devemos fingir que não existe nas nossas vidas. (Nas empresas, segundo os estudos da psicóloga norte-americana Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, e do matemático chileno Marcial Losada, a viver no Brasil, a regra é de "três para um": para as pessoas darem o seu máximo, por cada coisa negativa tem de haver três boas como compensação.)
Não olhe só para o seu umbigo
8. Os estudos na área da Psicologia Positiva também têm mostrado como a dádiva dá mais sentido à vida. "Vivermos para o bem comum, sairmos do nosso umbiguinho, faz-nos ter uma visão mais esperançada da vida, faz-nos ver que há mais propósito para a nossa existência e que estamos a contribuir para alguma coisa", refere Helena Marujo. "Podemos dar de várias maneiras: pode ser dar tempo e atenção a alguém, pode ser um projecto de voluntariado, um projecto político, outros terão jeito para a cultura. Estamos a precisar de voltar a ter cidadãos activos na sociedade actual. Vamos dar os nossos talentos, em qualquer área."
Se precisar, procure ajuda de quem sabe
9. Se sente que os livros científicos, e outras leituras, sobre estas questões não chegam para mudar sozinho certos aspectos na sua vida, pode sempre procurar ajuda profissional. Psicólogos, entre outros especialistas, existem para isso.
E diga a si próprio ao espelho: "Bom-dia!
10. "Todos os dias de manhã, olhe para o espelho e diga: "Bom-dia!" e sorria", resume Maria do Céu Santo. "Continue a rir", remata Helena Marujo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

ANO NOVO, VIDA NOVA!!!

O que não se pode deixar de fazer em 2011, seja qual for a idade...
Dicas:
Antes do começo do novo ano, deve-se aproveitar o tempo de descanso no Natal e Ano Novo para fazer uma lista de tudo o que se gostaria de fazer no novo ano. Desta forma, vai ser mais fácil planear e concretizar muitos dos projectos que há tanto estão por realizar.
  • dos 5 aos 20 anos:
- estudar e aproveitar tudo o que a escola tem para oferecer;
- poupar dinheiro da mesada, tendo a noção de que esta não dura para sempre;
- visitar os museus portugueses, guardiães de património de excepção;
- não ver tanta televisão nem estar muito tempo em frente do computador;
- ouvir, ainda com mais atenção, o que os pais têm para dizer.
  • dos 20 aos 40 anos:
- fazer desporto, pelo menos, três vezes por semana;
- deixar de fumar, diminuindo, assim, a probabilidade de sofrer de uma doença cardiovascular;
- dormir sete a oito horas por noite, todos os dias da semana;
- recusar as dietas loucas - os planos alimentares muito restritivos ajudam a perder mais músculo e água do que gordura.
  • dos 40 aos 60 anos:
- prestar atenção ao ritmo biológico, ou seja, aproveitar os momentos do dia em que se sente mais energia para desenvolver as tarefas complicadas, pois o cérebro está mais apto a desempenhar funções intelectuais nas primeiras seis a doze horas depois de acordarmos;
- dedicar mais tempo à família e aos amigos;
- conhecer Portugal de norte a sul, sem esquecer as regiões autónomas;
- fazer um "check-up" anual.
  • acima dos 60 anos:
- visitar o médico com regularidade e estar atento aos sinais que o corpo dá;
- praticar actividade física de intensidade moderada, três vezes por semana;
- desenvolver um hobbie que estimule a mente e a memória;
- dedicar algum tempo a trabalho voluntário;
- passar mais tempo com os filhos e netos.
in, revista MONTEPIO, nº 68, Inverno de 2010 (adaptado)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Amizade

A vida nem sempre sorri.
Os dias nem sempre são coloridos.
Os sonhos nem sempre se concretizam.
As estrelas nem sempre são visíveis.
O amor nem sempre aparece.
A lua nem sempre é nova.
Os filmes nem sempre têm um final feliz,
Mas a minha amizade é sincera!