segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Defesa do meio ambiente

DESABAFO

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exactamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - a minha geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, as garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de serem reutilizadas, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, bastantes vezes mais.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no meu tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos de percorrer dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas dos bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A roupa secada ao ar livre: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos de bater tudo com as mãos porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha que dura cinco séculos para começar a degradar-se. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisávamos ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a electricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos e garrafas de plástico que agora enchem os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonávamos as navalhas, ao invés de deitar fora todos os aparelhos "descartáveis" e poluentes, só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o autocarro ou o eléctrico e os meninos iam nas suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhares de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a actual geração fale tanto em meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?!?

sábado, 24 de setembro de 2011

Juanes - "A Dios le pido"

Que mis ojos se despierten
Con la luz de tu mirada
Yo, a Dios le pido
Que mi madre no se muera
Y que mi padre me recuerde
A Dios le pido
Que te quedes a mi lado
Y que más nunca te me vayas, mi vida
A Dios le pido
Que mi alma no descanse
Cuando de amarte se trate, mi cielo
A Dios le pido
Por los días que me quedan
Y las noches que aún no llegan
Yo, a Dios le pido
Por los hijos de mis hijos
Y los hijos de tus hijos
A Dios le pido
Que mi pueblo no derrame tanta sangre
Y se levante mi gente,
A Dios le pido
Que mi alma no descanse
Cuando de amarte se trate, mi cielo,
A Dios le pido
Un segundo más de vida para darte
Y mi corazón entero entregarte
Un segundo más de vida para darte
Y a tu lado para siempre yo quedarme
Un segundo más de vida yo a Dios le pido
Que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y que de tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido
Y que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y que de tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido,
A Dios le pido
Que mis ojos se despierten
Con la luz de tu mirada,
yo A Dios le pido
Que mi madre no se muera
Y que mi padre me recuerde
A Dios le pido
Que te quedes a mi lado
Y que más nunca te me vayas, mi vida
A Dios le pido
Que mi alma no descanse
Cuando de amarte se trate, mi cielo 
A Dios le pido
Un segundo más de vida para darte
Y mi corazón entero entregarte
Un segundo más de vida para darte
Y a tu lado para siempre yo quedarme
Un segundo más de vida
yo a Dios le pido
Que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y quede tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido
Y que si me muero sea de amor
Y si me enamoro sea de vos
Y que de tu voz sea este corazón
Todos los días a Dios le pido,
Yo, a Dios le pido

Jennifer López - "Qué hiciste?!?"


Ayer los dos soñábamos con un mundo perfecto
Ayer a nuestros labios les sobraban las palabras
Porque en los ojos nos espiábamos en el alma
Y la verdad no vacilaba a tu mirada
Ayer nos prometimos conquistar el mundo entero
Ayer tu me juraste que este amor seria eterno
Porque una vez equivocarse es suficiente
Para aprender lo que es amar sinceramente
[REFRÁN]
Que hiciste
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Mañana que amanezca un dia nuevo em mi universo
Mañana no veré tu nombre escrito entre mis versos
No escucharé palabras de arrepentimiento
Ignoraré sin pena tu remordimiento
Mañana olvidaré que ayer yo fui tu fiel amante
Mañana ni siquiera habrá razones para odiarte
Yo borraré todos tus sueños de mis sueños
Que el viento arrastre para siempre tus recuerdos
[REFRÁN]
Que hiciste
Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa
Y confundiste tanto amor que te entregaba
Con ún permiso para así romperme el alma
[REFRÁN]
Que hiciste
Nos obligaste a destruir las madrugadas
Y nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvidó que era el amor lo que importaba
Y con tus manos derrumbaste nuestra casa

Corrupção!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O triunfo dos porcos - George Orwell

Animal Farm (O triunfo dos porcos) 
George Orwell 


No seu livro, O triunfo dos porcos, Orwell critica a sociedade de sua época, e, por conseguinte também a actual. Ele narra a história de uma quinta que tem por dono o Sr. Jones, homem maldoso, que maltrata os animais. Na verdade trata-os como a maioria dos seres humanos trata os seus. Os animais liderados por um porco chamado Major, um porco campeão de exposições, que ainda não tinha morrido por causa desses prêmios ganhos. Major não concorda com a maneira como os animais são tratados e considera-os todos iguais, começa a falar com os outros animais sobre uma revolução que eles  deveriam organizar contra toda a opressão que sofriam. A princípio os animais não concordam, mas após a morte do idealizador a revolução acontece de uma forma inesperada. Após uma noite de bebedeira Jones deixou de alimentar os animais, já era tarde e os bichos famintos invadiram a casa e expulsaram-no a ele e a todos os outros seres humanos que nela habitavam ou trabalhavam. A partir daquele momento os animais começaram a coordenar a fazenda que se chamava Quinta do Solar e a partir de então passou a ser chamada Quinta dos Bichos. Os porcos (considerados mais inteligentes passaram a comandar toda a quinta e os bichos) foram instituídos os sete mandamentos que tinham como base que todos os bichos são iguais e que eles não se deviam se misturar com os humanos. Todos trabalhavam para o bem comum, porém Napoleão o porco que liderava os bichos - começou a relacionar-se com os homens e a sua ambição foi aumentando até que ele começou a achar-se o dono da quinta e os outros animais seus servos. Os animais, com excepção dos porcos, comiam pouco e trabalhavam o tempo todo. A mudança que era para ser uma melhoria tornou-se um tormento para os bichos. Contudo, eles não viam as coisas por esse lado, Napoleão tinha um porta-voz, Garganta, que convencia os outros bichos de que tudo de ruim que lhes acontecia era sonho deles, ou simplesmente distorcia os factos. O principal objectivo dos bichos era a construção de um moinho de vento, que seria como um monumento, uma mostra de que eles eram capazes de viver sozinhos. Depois de muitos erros e de muitas lutas, até mesmo com os humanos, enfim o moinho foi construído, mas que não foi utilizado pelos bichos, apenas pelos porcos, para seu benefício próprio. No final os porcos tornaram-se iguais aos seres humanos, até pior, pois eles como animais começaram a julgar-se melhores que os outros. Negociavam com os homens e até comiam na mesma mesa que eles. Enfim tudo o que os humanos faziam era feito pelos porcos.
"Os animais são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros!"

BARRANCOS

Clique nos "links" abaixo e delicie-se com duas belas paisagens barranquenhas: A Pipa e o Castelo de Noudar.

Pipa

Castelo de Noudar

Fonte : Blogue - Estado de Barrancos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CHÁ da MEIA-NOITE!!!


A palavra Chá em Português é parecida com a palavra original em Chinês, mas completamente diferente de outras linguas europeias. Em Russo a palavra é Chai e noutros países do leste da Europa a palavra é parecida com o nosso Chá.
Em Francês, Inglês Alemão, Holandês, Italiano e até Espanhol a palavra usada para esta planta ou bebida é mais parecida com a letra T nessas línguas, como Té, Tea, Tee, Thee,  Te, Té, etc.
Porquê? Aparentemente uma parte do Chá que chegava a Portugal era separado para Transporte (ou Transbordo?) para os outros países e os sacos eram marcados com a letra T de Transporte. Os outros países recebiam sacos de T. Daí as palavras respectivas, nesses países. Imagina-se que os países do leste recebiam o Chá directamente da Rota da Seda...

Agora vamos à palavra noite!
Vejamos a coincidência?
Em muitos idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 na respectiva língua.
A letra N é o símbolo matemático de um conjunto infinito (o dos números Naturais) e o 8 deitado também simboliza infinito, ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito!!!
Português: noite = n + oito(e)
Inglês: night = n + (e)ight
Alemão: nacht = n + acht
Espanhol: noche = n + ocho(e)
Francês: nuit = n +( h)uit
Italiano: notte = n + otto(e)
Interessante, não?!?
BOA NOITE!!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor electro - "A máquina"

A Máquina (acordou)
Saber o que fazer,
Com isto a acontecer,
Num caso como o meu.
Ter o meu amor,
Para dar e pra vender,
Mas sei que vou ficar,
Por ter o que eu não tenho,
Eu sei que vou ficar.
É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero ser feliz,
É de pedir aos céus.
Porque este amor é meu,
E cedo, vou saber
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor,
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou,
Deixou de tocar.
Sentir e não mentir,
Amar e querer ficar,
Que pena é ver-te assim,
Já sem saberes de ti.
Rasguei o teu perdão,
Quis ser o que já fui,
Eu não vou mais fugir,
A viagem começou,
Porque este amor é meu
E cedo vou saber,
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor.
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou.
Deixou de tocar,
É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero é ser feliz,
É de pedir aos céus.
Porque este amor é teu,
E eu já só vou amar,
Que bom não acabou,
A máquina acordou.

sábado, 17 de setembro de 2011

ORTOGRAFIA

História da ortografia em Portugal e no Brasil
A história da ortografia da língua portuguesa pode dividir­se em três períodos:
fonético, até ao século XVI; pseudo­etimológico, desde o século XVI até 1911; moderno, desde 1911 até hoje.
Quando a língua portuguesa começou a ser escrita, quem escrevia procurava representar foneticamente os sons da fala. Esta representação, no entanto, nunca foi satisfatória. Por um lado, não havia norma e, assim, por exemplo, o som /i/ podia ser representado por i, por y, e até por h (1); a nasalidade por m, por n, ou por til, etc. Por outro lado, a ortografia conservou­se em certos casos antiquada em relação à evolução da pronúncia das palavras, como em leer (ler) e teer (ter). Nos documentos mais antigos, de qualquer modo, o que se observa é a procura de uma grafia fonética. Com o decorrer do tempo, esta simplicidade foi desaparecendo por causa da influência do Latim. Assim, começaram a aparecer grafias como fecto (feito), regno (reino), fructo (fruito), etc. Realmente, uma das características do Renascimento foi a admiração pelos tempos clássicos e, em particular, pelo Latim. Isso consolidou, por assim dizer, e levou ao extremo a influência daquela língua na escrita do Português. Daqui resultou o aparecimento de inúmeras consoantes duplas, o aparecimento dos grupos ph, ch, th, rh, que antes praticamente ninguém usava. Por outro lado, já nesse tempo, tal como hoje, a ignorância e o pretensiosismo se aliavam para produzir os maiores disparates, tais como, por exemplo, lythographia, typoia, lyrio, etc. (2)(3). É por esta razão que se chama pseudo­etimológico ao período em que esta tendência se impôs. Isto é, queria­se pretensiosamente fazer etimológica a ortografia, mas a ignorância não deixava ir além da pseudo­etimologia. Além disso, segundo J. J. Nunes (4), "por este processo [o da procura da grafia etimológica] recuavam­se bastantes séculos, fazendo ressurgir o que era remoto, e punha­se de lado a história do nosso idioma...".
Deve­se dizer que cedo começou a haver reacções simplificativas. Por exemplo, Duarte Nunes de Leão, um dos primeiros gramáticos portugueses, reprova a pseudo­etimologia nascente em "Ortographia da lingoa portuguesa", livro de 1576. Outro gramático que se opôs a esta ortografia complicada foi Álvaro Ferreira de Vera, no seu livro "Ortographia ou arte para escrever certo na lingua portuguesa" (1633) (5). Também D. Francisco Manuel de Melo (século XVII) usou, pelo menos na sua obra "Segundas três musas do Melodino", uma ortografia simplificada em que quase não havia consoantes dobradas, o ph era substituído por f, e o ch com som /k/ era substituído por qu (pharmacia ­> farmacia, Achilles ­> Aquiles) (3).
No século seguinte, o XVIII, o célebre Luís António Verney apresentou também a sua proposta de ortografia simplificada e, mais do que isso, publicou nessa ortografia a sua grande obra "O verdadeiro método de estudar".
O que é certo, porém, é que, na quase totalidade dos escritos, principalmente a partir da publicação em 1734 da "Ortographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a lingua portugueza" de João de Morais Madureyra Feyjó, se procurava a grafia mais complicada. Note­se, no entanto, que, apesar de tudo, o número de acentos era bastante restrito e empregue em casos e para fins algo diferentes dos actuais.No princípio do século XIX, também Garrett defendia a simplificação ortográfica e criticava a ausência de norma. Nesse mesmo século proliferaram os pretendentes a reformadores da ortografia. Além de Garrett, pode­se mencionar, por exemplo, Castilho, como um dos mais conhecidos.
No decorrer do século XIX, começou a compreender­se a falta de justificação de muitas das grafias complicadas que então se usavam, mas, por outro lado, caiu­se no extremo de, mesmo aqueles sem quaisquer habilitações para tal, desatarem a simplificar disparatadamente. O resultado foi que, no fim do século XIX, a desordem ortográfica era total. Cada um escrevia como lhe parecia melhor.
Assim, em 1911, o Governo nomeou uma comissão para estabelecer a ortografia a usar nas publicações oficiais. Desta comissão fazia parte o insigne foneticista Gonçalves Viana, que já em 1907 apresentara um projecto de ortografia simplificada. O trabalho da comissão consistiu praticamente em adoptar o que propunha Gonçalves Viana e a nova ortografia foi oficializada por portaria de 1 de Setembro de 1911. Esta reforma da ortografia, a primeira oficial em Portugal, foi profunda e modificou completamente o aspecto da língua escrita, aproximando­o muito do actual. Foi, pode dizer­se, uma mudança verdadeiramente radical e feita sem qualquer acordo com o Brasil. Ao fazer desaparecer muitas consoantes dobradas, e os grupos ph, th, rh, etc., a reforma, afinal, fazia desaparecer os exageros do período pseudo­etimológico e promovia um "regresso" ao período fonético. Por isso, é que, a propósito das muitas reacções adversas que houve na altura, escrevia J.J. Nunes (6), em 1918: "Pena é que a ortografia nova, que, em rigor, é velha, não seja compreendida por todos, ou antes, que se não queira ver a sua justeza, acabando­se de vez com os desconchavos que ainda perduram, quase sempre resultantes da ignorância...". Como estas palavras continuam actuais !
O essencial da reforma ortográfica de 1911 foi acabar com o despotismo da etimologia, aproximando a ortografia oficial de uma escrita fonética. Aproximando, apenas, note­se, dado que, apesar de tudo, se fizeram vastas concessões a hábitos anteriores, como era o caso de manter inúmeras consoantes mudas, com um ou outro pretexto (homem, directo, sciência, etc.).
Um ponto em que a reforma foi incoerente e em que se afastou da tradição dos primeiros tempos do Português escrito foi a introdução profunda de acentos. Em particular, passaram a ser acentuadas todas as palavras esdrúxulas, o que não acontecia antes.
A seguir à reforma de 1911, houve vários ajustamentos efectuados por portarias de 19.11.1920, 23.09.1929, e 27.05.1931. A grande reforma seguinte foi a resultante do acordo ortográfico Portugal­ Brasil de 1945, a qual, ligeiramente alterada por um decreto de 1971, deu origem à ortografia oficial que até agora se usou em Portugal. Note­se, de passagem, que o acordo de 1945 anulou algumas modificações introduzidas em 1911 e 1931.
Vejamos o que entretanto se passava no Brasil. No século XIX, a ortografia no Brasil estava no mesmo estado que em Portugal. Pode­se dizer que havia unidade... no caos.
Em 1907, a Academia Brasileira de Letras tivera em estudo um projecto de reforma análogo ao de Gonçalves Viana, que, como vimos, levou à reforma portuguesa de 1911. Neste projecto, embora baseado no do foneticista português, colaboraram vários brasileiros ilustres, como Euclides da Cunha, Rui Barbosa e outros (7). Isto mostra que, em ambos os países, há muito se sentia a necessidade de modificar a ortografia. O mesmo, aliás, se passava noutros países e tinham sido e viriam a ser feitas reformas em vários deles, como se verá mais à frente.
O projecto da Academia Brasileira de Letras de 1907 acabou por não ir por diante e, por outro lado, Portugal cometeu o absurdo erro de avançar sozinho para a reforma. Assim, e apesar de a reforma portuguesa ser defendida sem alterações, para uso no Brasil, por filólogos brasileiros do calibre de
Antenor Nascentes e Mário Barreto, o certo é que, durante alguns anos, ficaram os dois países com ortografias completamente diferentes: Portugal com uma ortografia moderna, o Brasil com a velha ortografia pseudo­etimológica.
Foi em 1924 que as duas Academias, a Brasileira de Letras e a das Ciências de Portugal, resolveram procurar uma ortografia comum. Claro que, para isso, o Brasil teria que se aproximar de Portugal, que, na altura, caminhava na frente. Houve em 1931 um acordo preliminar entre as duas Academias, em que se adoptava praticamente a ortografia portuguesa. Assim se iniciou o processo de convergência das ortografias dos dois países com um reconhecimento quase total, por parte do Brasil, da superioridade da ortografia portuguesa. Contudo, os vocabulários que se publicaram, em 1940 (Academia das Ciências de Portugal) e 1943 (Academia Brasileira de Letras), continham ainda algumas divergências. Por isso, houve, ainda em 1943, em Lisboa, uma Convenção Ortográfica, que deu origem ao Acordo Ortográfico de 1945. Este acordo tornou­se lei em Portugal pelo Decreto 35 228 de 08.12.45, mas no Brasil não foi ratificado pelo Congresso; e, por isso, os Brasileiros continuaram a regular­se pela ortografia do Vocabulário de 1943.
Em 1971, novo acordo entre Portugal e o Brasil aproximou um pouco mais a ortografia do Brasil da de Portugal. Tratou­se de cedência brasileira, mais uma vez. O acordo teve a sorte de ser oficializado sem burburinho. Note­se aqui que, do ponto de vista absoluto, ambas as grafias eram nesta altura perfeitamente razoáveis e sua única desvantagem era apresentarem ainda algumas diferenças. Não fosse isso, seria, de facto, inútil "mexer" mais.
Em 1973, recomeçaram as negociações e, em 1975, as duas Academias mais uma vez chegaram a acordo, o qual "não foi contudo transformado em lei, pois circunstâncias adversas de vária ordem não permitiram uma consideração pública da matéria" (8).
Em 1986, o Presidente José Sarney tentou resolver o assunto, que há longo tempo se arrastava, e promoveu o encontro dos sete países de língua portuguesa no Rio de Janeiro. Deste encontro, mais uma vez saíu um acordo ortográfico e mais uma vez o acordo não foi por diante, devido a um surpreendente alarido que se levantou em Portugal. Este alarido, longe de ser resultado de defeitos do acordo, deveu­se sobretudo a uma confrangedora ignorância do assunto por parte dos pouco ponderados adversários da união ortográfica. Mas a verdade é que o acordo foi suspenso.
O pior é que se concluiu este ano novo acordo, dito "mais moderado", mas na verdade mais incoerente, e exposto, este sim, a críticas com fundamento. Os responsáveis portugueses pelo Acordo de 1986, que garantia uma unificação quase total da ortografia da língua, cederam aos auto­proclamados donos da Cultura Nacional e, agora, em 1990, produziram um acordo imperfeito, que não unifica, cheio de grafias duplas, defeitos estes que são deslealmente aproveitados pelos detractores que os causaram. É o castigo da demagogia. Enfim, se encarado como transitório, como mais uma pequena dose de mudança sem dor para não assarapantar o profanum vulgum, este acordozito é um passo na direcção certa. Para mim, no entanto, o método correcto seria fazer a unificação total de uma só vez e liquidar definitivamente o problema.

REFERÊNCIAS
(1) ­ Nunes, José Joaquim ­ Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 193
(2) ­ idem, p. 196
(3) ­ Fonseca, Fernando ­ O Português entre as línguas do mundo, Livraria Almedina, Coimbra, 1985, p. 326
(4) ­ Nunes, José Joaquim ­ Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 196
(5) ­ Cuesta, Pilar Vasquez ­ Gramática da língua portuguesa, Edições 70, Lisboa, 1980, p. 338
(6) ­ Nunes, José Joaquim ­ Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 198
(7) ­ Carmo Vaz, Álvaro ­ Código de escrita, Livros técnicos e científicos, Lisboa, 1983, p. 112
(8) ­ Protocolo de Acordo Ortográfico de 1986
ORTOGRAFIAS

por Manuel Mendes de Carvalho (1990, com algumas notas de actualização, 1996)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Miss Universo

Angolana eleita Miss Universo 2011

Miss Universo 2011 Leila Lopes coroada pela Miss Universo 2010 Ximena Navarrete
Leila Lopes, de 25 anos, foi eleita Miss Universo 2011, numa cerimónia realizada em São Paulo, no Brasil. A representante portuguesa ficou entre as dez finalistas.

A mexicana Ximena Navarrete, Miss Universo 2010, entregou a coroa a Leila Lopes, numa mudança que decorreu, como habitualmente, com a vencedora emocionada.
Em entrevista ao canal de televisão brasileiro Band, Leila Lopes disse estar "sem palavras" e previu grandes mudanças na sua vida. "De certa forma, a minha vida acaba de mudar. Vou precisar de Deus e de ter os pés bem assentes na Terra", declarou.
Natural de Benguela, Leila Lopes é estudante de Gestão de Empresas em Inglaterra. Única negra entre as finalistas, Leila Lopes chamou a atenção por ser a única de cabelos presos durante a cerimónia e também pela sua simplicidade.
Fonte:  Diário de Notícias, 13/09/2011

Apesar de ser discutível este tipo de concursos e de iniciativas, é de salientar o facto de entre as dez finalistas estarem três representantes da lusitanidade - Angola, Brasil e Portugal. BRAVO!!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MOCEDADES - "Amor de hombre"



Amor de Hombre
Mocedades
Ay, amor de hombre
Que estás haciéndome llorar una vez más
Sombra lunar, que me hiela la piel al pasar
Que se enreda en mis dedos
Me abrasa en su brisa
Me llena de miedo
Ay, amor de hombre
Que estás llegando y ya te vas, una vez más
Juego de azar, que me obliga a perder o a ganar
Que se mete en mi sueño
Gigante pequeño
De besos extraños
Amor, amor de hombre
Puñal que corta mi puñal, amor mortal
Te quiero
No preguntes por que ni por que no
No estoy hablando yo
Te quiero
Porque quiere quererte el corazón
No encuentro otra razón
Canto de gorrión
Que pasea por mi mente
Anda ríndete
Si le estás queriendo tanto
Ay, amor de hombre
Que estás haciéndome reír una vez más
Nube de gas, que me empuja a subir más y más
Que me aleja del suelo
Me clava en el cielo
Con una palabra
Amor, amor de hombre
Azúcar blanca, negra sal, amor vital
Te quiero
No preguntes por que ni por que no
No estoy hablando yo
Te quiero
Porque quiere quererte el corazón
No encuentro otra razón
Canto de gorrión
Que pasea por mi mente
Anda ríndete
Si le estás queriendo tanto

Da zarzuela "La leyenda del beso"

"La leyenda del beso" -  zarzuela en dois actos, o segundo dividido en dois quadros, em prosa e verso. Libreto de Enrique Reoyo, Antonio Paso Díaz e José Silva Aramburu. Música de Reveriano Soutullo e Juan Vert. Estreia: 18 de Janeiro de 1924, no Teatro Apolo, de Madrid. A acção desenrola-se nos arredores de um castelo senhorial castelhano.
Personagens principais:
Amapola, uma cigana, soprano.
Simeona, filha de um guarda do castelo, soprano.
Coral, uma zíngara, soprano.
Mario, senhor de uma herança castelhana, barítono.
Iván, um zíngaro, tenor.
Gorón, amigo de Mario, tenor cómico.
Kurko, tenor.

domingo, 4 de setembro de 2011

EXPOSIÇÃO - "Ecos do fado na arte portuguesa - sécs. XIX-XXI"

ECOS DO FADO NA ARTE PORTUGUESA
No quadro da Candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO) a Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/Museu do Fado promove a exposição Ecos do Fado na Arte Portuguesa Séculos XIX-XXI na Sala do Risco, no Pátio da Galé, de 7 de Julho a 17 de Setembro de 2011.
Entretecida no quadro de um diálogo estreito com a cidade, a História do Fado é também a história de todos aqueles que o recriaram nos domínios da criação plástica. Neste sentido, um olhar atento sobre as artes plásticas nacionais que representaram o tema, atesta, inevitavelmente, o profundo enraizamento do Fado à escala regional e nacional, bem como a transversalidade da sua representação, como objecto de inesgotável citação e recriação pictórica pelas sucessivas gerações de artistas plásticos nacionais, no quadro de distintas motivações e constrangimentos estéticos, ideológicos ou simbólicos. Consagrada à relação do fado com a experiência plástica nacional, a exposição propõe uma leitura integrada e multidisciplinar das representações do Fado na Arte Portuguesa dos sécs. XIX-XXI, incluindo obras de Roque Gameiro, Columbano, José Malhoa, Constantino Fernandes, Almada Negreiros, Amadeo Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Domingos Alvarez, Bernardo Marques, Stuart Carvalhais, João Abel Manta, Carlos Botelho, Cândido da Costa Pinto, Júlio Pomar, Leonel Moura, Graça Morais, António Carmo, Paula Rego, João Vieira, Arman, Adriana Molder, João Pedro Vale, Miguel Palma e Joana Vasconcelos, entre outros testemunhos que recriaram o tema.
Sala do Risco, Pátio da Galé na Praça do Comércio 8 de Julho a 17 de Setembro de 2011 Diariamente, das 10h00 às 19h00 Entrada Livre 
Fonte:  C.M.L.


Dá gosto ver e ouvir a exposição.
VER alguns dos mais belos quadro da arte portuguesa recente, relacionados com o fado, e OUVIR o fado como música de fundo. AMÁLIA, sempre Amália, Mariza, Camané, Carlos do Carmo,... EXCELENTE!!!

POEMA

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

Poema de autor desconhecido circulando pela "net".

sábado, 3 de setembro de 2011

ROBERTA FLACK - "Killing me softly with this song"



Struming my pain with his fingers
Singing my life with his words
killing me softy with his song
killing me softly with his song
telling my whole life
with his words
killing me softly with his song

I heard he sang a good song
I heard he had a style
and so I came to see
and listen for a while

and there he was this younge boy
a stranger to my eyes
Struming my pain with his fingers
Singing my life with his words
killing me softy with his song
killing me softly with his song
telling my whole life
with his words
killing me softly with his song

I felt all flushed with fever
Embarrassed by the crowd
I felt he found my letter
and read eachone out loud
I prayed that he would finish
but he just kept right on
Struming my pain with his fingers
Singing my life with his words
killing me softy with his song
killing me softly with his song
telling my whole life
with his words
killing me softly with his song

he sang as if he knew me
In all my darkness fair
and then he looked right through me
as if I wasn't there
and he kept on singing
singing clear and strong
Struming my pain with his fingers
Singing my life with his words
killing me softy with his song
killing me softly with his song
telling my whole life
with his words
killing me softly with his song

ohhhhhhhhhhh oohhhhhhh...lalalal..ohhhh lalaaaaaaa

Struming my pain with his fingers
Singing my life with his words
killing me softy with his song
killing me softly with his song
telling my whole life
with his words
killing me (softly)

he was strumming my pain
yeah he was seing my life
killing me softly with his song
killing em softly with his song
telling my whole life with his words
killing me softly with his song

Expressões curiosas

À GRANDE E À FRANCESA - viver com luxo e ostentação.
Facto relativo aos modos luxuosos do general Jean Andoche Junot, auxiliar de Napoleão que chegou a Portugal na primeira invasão francesa e dos seus acompanhantes que se passeavam com pompa e circunstância.












AO DEUS DARÁ - a expressão surgiu a partir da práctica de pedir esmola.

Pedir esmola não é uma actividade moderna. As maneiras que as pessoas usam para se livrar dos pedintes é que se multiplicaram. Uma delas, comum antigamente, servia como espécie de consolo: Deus dará. A expressão passou a referir-se às pessoas abandonadas à própria sorte, que vivem à toa, sem esperança - ao Deus dará.












ANDAR À TOA - andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.
Toa é a corda com uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à "toa" é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.
























ANDAR COM O CREDO NA BOCA - sentir medo de correr perigo.

Expressão ligada ao sofrimento do povo judeu aquando da inquisição. Na altura muitos judeus fizeram-se passar por cristãos, decorando a oração mais importante de então - o "Credo", debitando-a à frente dos carrascos e assim, vários conseguiram escapar à fogueira.







ANDAR EM FILA INDIANA - Enfiada de pessoas dispostas uma atrás da outra. 

Forma de caminha dos índios da América que, deste modo, tapavam as pegadas dos que iam na frente.
















BICHO DE SETE CABEÇAS - grande dificuldade, por regra, imaginária.
Na história da Hidra de Lerna, da mitologia grega, Hidra era um monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das proezas realizadas por Hércules.
A expressão ficou conhecida por representar a atitude exagerada de alguém que, perante uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa.




CAI O CARMO E A TRINDADE - desgraça, aparato, surpresa, confusão.
Durante o terramoto de 1755, em Lisboa, ouviu-se um grande estrondo por toda a cidade. Quando os habitantes descobriram qual tinha sido a cusa de tal ruído, logo disseram: "Caiu o Carmo e a Trindade!" Isto é desabaram os Conventos do Carmo e da Trindade.















COMER O PÃO QUE O DIABO AMASSOU - ter uma vida cheia de penas, vivida com muito sofrimento e privações.
As raízes desta expressão, estão na seguinte "lenda":
Jesus estava caminhando no deserto, quando, de repente, o diabo apareceu e disse-lhe:
- Se tu és o filho de Deus, transforma esta pedra em pão!
Jesus disse, então:
- Nem só de pão vive o home .
Mas, satanás ficou com tanto ódio, que argumentou:
- Se tu não queres transformar a pedra em pão, eu quero!
Assim, o diabo transformou a rocha em pão, saltitou em cima dele, e disse: 
- Quem comer deste pão, vai ter muito azar na vida, pois comerá o pão que eu amassei.


DAR / RECEBER LUVAS - subornar ou aceitar suborno. 
A expressão tem mais de quinhentos anos e surgiu em Espanha, em pleno império dos Habsburgos. Na época das luvas perfumadas, símbolo de estatuto social elevado, davam-se ofertas em dinheiro a troco de favores para poder comprar luvas.
















DENTADA DE CÃO, CURA-SE COM PÊLO DO MESMO CÃO - conselho em que se propõe o uso como remédio / cura do mesmo agente / inimigo que provocou o mal. 
Tradução da expressão inglesa "You may cure the dog's bite with its fur". Originalmente referia-se ao método de tratamento da raiva, que preconizava a cura da mordidela do cão se curava colocando o pêlo do cão que mordeu sobre a ferida.




É PIOR A EMENDA QUE O SONETO - o conserto / arranjo ficou pior que o original.
Querendo uma avaliação, certo candidato a escritor apresentou um soneto ao poeta português Bocage, pedindo-lhe que marcasse com uma cruz os erros encontrados. O escritor leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas seriam tantas, que a emenda ficaria ainda pior do que o poema original.










É DE SE TIRAR O CHAPÉU - é muito bom.
Foi com o rei Luís XVI, que a França disciplinou as saudações com o chapéu. Os cumprimentos poderiam ser feitos de várias maneiras, dependendo da importância social de quem era saudado. O rei ordenava que o chapéu só fosse tirado em ocasiões especiais. Assim, os portugueses que trouxeram a novidade, viviam perguntando se a ocasião era "de tirar o chapéu".














ENFIAR A CARAPUÇA - sentir-se ofendido ou identificado com alguma situação delicada.
Por altura da Inquisição, durante a Idade Média, os judeus eram obrigados a usar um chapéu bicudo para que pudessem ser distinguidos dos cristãos.












ERRO CRASSO - erro grosseiro.
Crasso, um general da Roma antiga foi incumbido de atacar o pequeno povo de Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as técnicas de guerra romanas e simplesmente atacar. Oa Partos, em menor número conseguiram vencer os romanos. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro grosseiro, diz-se tratar-se de um "erro crasso".

















ESTAR NAS SUAS SETE QUINTAS - estar contente, sentir-se satisfeito e realizado.
Diz uma lenda antiga que os reis portugueses possuíam, no concelho do Seixal, sete quintas onde passavam vários fins de semana. Quando estavam nas suas sete quintas, estavam felizes.












FECHAR COM A CHAVE DE OURO - remate feliz.
Esta expressão está relacionada às obras literárias, principalmente aos sonetos. Chave d'ouro, para o sonetista, é o último verso de um soneto, que dá sentido a todo o resto do poema.


















FEITO EM CIMA DO JOELHO - trabalho com pouca qualidade, feito à pressa.
Os romanos empregavam escravos que faziam telhas usando como molde a própria coxa. conforme o tamanho da coxa de cada um, as telhas eram maiores ou mais pequenas. Nasceu assim a expressão para designar um trabalho que não prima pela regularidade.




FICAR A VER NAVIOS (do alto do miradouro de Santa Catarina) - esperar qualquer coisa que afinal não se concretiza.
A expressão, de uso corrente, significa a frustração de expectativas e ficou associada à chegada tardia do general francês Junot a Lisboa, em Novembro de 1807, durante as invasões francesas. Diz a lenda que, do alto do miradouro de Santa Catarina, o general ficou a ver, impotente, a esquadra que transportava a Corte Portuguesa sulcando o Tejo.










HÁ, MAS SÃO VERDES - exclamação referente àquilo que uma pessoa cobiça, mas de que desdenha por estar fora do seu alcance.
A expressão corresponde a uma das fábulas de La Fontaine, adaptada por Bocage: "Contam que certa raposa, / andando muito esfaimada, / viu roxos, maduros cachos / pendentes da alta latada. / De bom grado os trincaria, / mas sem lhes poder chegar, / disse: 'Estão verdes, não prestam, só cães os podem tragar'!"










LÁGRIMAS DE CROCODILO - choro fingido.
O crocodilo quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, enquanto devora a vítima, ele chora um choro fingido.














LEVAR ÁGUA NO BICO - ter intenções ou propósitos ocultos.
Na linguagem dos marinheiros, "navegar com água no bico" significava remar contra a corrente levando água do mar na proa, o que tornava o mar traiçoeiro. A expressão foi adaptada e tornou-se naquela que conhecemos hoje.
















NEGÓCIO DA CHINA - grande oportunidade de negócio fácil e lucrativo para uma das partes.
No século XIX, a Inglaterra dominou o comércio do ópio na China. Após a Guerra do Ópio, os colonos ingleses ganharam a concessão de Hong Kong. Tinham assim, no território chinês  uma ponta de lança permanente do império britânico. Com a revolução chinesa o "negócio da China" passou a designar toda e qualquer relação proveitosa apenas para uma das partes.





ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS - longe, distante, inacessível.
Depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas enforcou-se numa árvore. Estava descalço. Por isso, os soldados foram à procura das suas botas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. Não se sabe se acharam ou não as botas e o dinheiro, mas a expressou atravessou vinte séculos.







OLHA O PASSARINHO - chamar a atenção.
No século XIX, levava-se muito tempo para tirar uma fotografia. As crianças, em especial, inquietavam-se com o demorado disparo. Como solução, muitos fotógrafos colocavam gaiolas com pássaros em frente aos retratados. No momento exacto, todos olhavam o passarinho e a câmara captava a situação.







PASSAR A MÃO PELA CABEÇA - perdoar ou acobertar um erro cometido por algum protegido.
Costume judaico de abençoar os cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronunciava a benção.















PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER - aquele que se nega a ver a verdade.
Em 1647, o Dr. Vincent P. D'Argent fez o 1º transplante de córnea, que foi um sucesso da medicina na época, menos para o paciente, que assim que ficou a ver, ficou de tal modo horrorizado com aquilo que via, que pediu ao cirurgião que lhe arrancasse os olhos. No tribunal ganhou a causa, e entrou para a história como o cego que não quis ver.




PÔR AS MÃOS NO FOGO - jurar pela inocência de alguém, depositar inteira confiança em alguém.
A expressão tem origem na prova do fogo, durante a Idade Média, para se saber se o acusado dizia ou não a verdade. Quem alegava inocência, submetia-se a segurar uma barra de ferro em brasa e a caminhar com ela na mão. Existia a crença de que, se fosse inocente, Deus curaria as queimaduras em três dias.



QUE MAÇADA! - exclamação usada para referir um contra-tempo ou uma tragédia.
É uma alusão à fortaleza de Masada, na região do Mar Morto, Israel, reduto da tribo dos Zelotas, onde permaneceram, durante vários anos, resisitindo às forças romanas, após a destruição do Templo (Jerusalém) em 70 d.C., culminando com um suicídio colectivo para não se renderem.





RESVÉS CAMPO DE OURIQUE -  por um triz, à justa.
No dis 1 de Novembro de 1755 (dia de Todos os Santos) abateu-se sobre Portugal um terramoto de elevada magnitude e de um tsunami que atingiu, particularmente, a cidade de Lisboa, destruindo tudo e matando milhares de pessoas. A sua força foi de tal ordem a destruição chegou bem perto de Campo de Ourique.





SANTINHO DE PAU OCO - pessoa que se faz de boazinha, mas na realidade não o é.
Nos séculos XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era "recheado" com preciosidades roubadas do Brasil para Portugal.

















SEM DIZER ÁGUA VAI - sem aviso prévio, inesperadamente.
Quando ainda não havia rede de esgotos nos aglomerados populacionais, os moradores lançavam a água usada e os dejectos pelas janelas, usando sempre o indispensável grito de alerta: "Água vai!...", logo é compreensível a intolerância perante quem costumava lançar os seus dejectos sem avisar.




SEM EIRA NEM BEIRA - pessoa(s) sem bens, sem posse.
No Brasil colonial, as casas possuíam um telhado formado por três linhas de telhas sobrepostas com detalhes, chamadas de eira, beira e entre beira, que serviam não só como adorno, mas também para distinguir as diferentes classes sociais. Assim, uma casa que não tivesse eira nem beira, reflectia a condição humilde do seu dono.